Freenet vira DarknetPublicado 11 Mai 08

Apesar de pouca gente a conhecer, a Freenet é uma das redes de partilha de ficheiros mais antigas que funciona como uma espécie de disco rígido virtual e descentralizado que permite todos possam publicar todo o tipo de conteúdos a partir de qualquer local do mundo, na medida em que foi concebida para fazer face a todas as formas de censura online. Na prática, funciona como um servidor proxy que impossibilita que governos ditatoriais ou patrões metediços identifiquem os activistas e funcionários que querem disponibilizar ou ter acesso a informação confidencial ou sensível.
A primeira versão surgiu em 2000 a partir de uma ideia de Ian Clarke e desde então tem estado em pernanente desenvolvimento. O projecto é totalmente open-source, o que quer dizer que qualquer um pode ter acesso ao seu código-fonte e corrigir bugs ou acrescentar melhorias.
Há poucos dias, foi lançada a versão 0.7 que resulta de um processo de desenvolvimento realizado ao longo dos últimos três anos. A última versão pública da aplicação, a 0.5, foi lançada em 2005. Por essa altura, os programadores por detrás do projecto aperceberam-se de que alguns dos utilizadores do Freenet em países que restringem a liberdade de expressão dos seus cidadãos (China) necessitam não só de ocultar das autoridades os conteúdos que disponibilziam na rede mas também que estão a usar aquela aplicação.
Daí que tenham optado por reescrever a aplicação de modo a incorporar a possibilidade da dede se comportar como uma darknet onde o utilizador pode limitar o acesso a um grupo de "amigos" em quem confiam. A nova versão promete também melhorias a nível da eficiência, usabilidade e segurança. Uma vez que o software é baseado em Java, ele é compatível com WIndows, Linux e Mac.
Crystal Castles, a banda-plágioPublicado 11 Mai 08
Não obstante todas as críticas que possamos fazer ao direito de autor, ele continuam a cumprir um papel bastante útil na preservação e expansão do nome artístico de um autor. A Internet e as redes de partilha de ficheiros que permitem copiar em poucos segundos um disco inteiro não colocam em causa o direito moral dos criadores em reinvidicarem a autoria sobre as suas obras.
Se a actividade de descarregar música via P2P para uso pessoal e não comercial é para mim perfeitamente legítima (muito embora ainda não seja legal...), já o mesmo não se pode dizer a respeito de quem pega nos temas compostos por outros e altera-a ligeiramente para servir de base a uma nova música sem pedir autorização ou sequer incluir os devidos créditos. A isso chama-se plágio e trata-se de uma violação do direito de autor que se não provoca directamente elevados prejuízos financeiros, pode acabar por comprometer seriamente as chances do autor original sair da obscuridade - que nesta era de abundância é o valor mais precioso de um criador - no caso do usurpador se tornar famoso às custas do trabalho desse outrem.
Na cena chiptune de música composta a partir dos chips de áudio de consolas de jogos de 8 bits, este tipo de apropriação ilegítima já não é novo. Há uns tempos referi aqui o caso da banda norueguesa Fitts for Fights que deram concertos ao vivo com base em músicas roubadas ao catálogo da netlabel MicroMusic. Recentemente, surgiu outro caso de roubo de direitos de autor relacionado com 8 bits. A diferença é que desta vez o fenómeno atingiu proporções muito mais amplas.
Afinal de contas, estamos a falar dos Crystal Castles, a banda-sensação ...
Radiohead Vs Nine Inch Nails Vs ColdplayPublicado 11 Mai 08
Será que com a onda de "borlas" oferecidas por bandas conhecidas do grande público, o modelo da música grátis está a perder parte da sua força ou é apenas uma questão de um maior número de pessoas gostar de Radiohead do que de Nine Inch Nails e Coldplay?

O mais provável é que ambas as hipóteses estejam correctas. O que é facto é que de acordo com a Hitwise, uma empresa de análise de tráfego da Web, o lançamento online de In Rainbows pelos Radiohead em Outubro do ano passado foi muito mais popular do que tanto a mísera oferta promocional e temporária do single "Violet Hill" dos Coldplay como dos lançamentos do primeiro volume de Ghosts I-IV em Março e, mais recentemente, de The Slip.
A Hitwise chegou a esse indicador de popularidade com base na análise comparativa da quota de mercado semanal de visitas aos sites das três bandas a partir dos Estados Unidos, uma vez que todas as "borlas" foram disponibilizadas a partir dos endereços online dos grupos. Independentemente dos Radiohead serem mais ou menos conhecidos do que os NIN ou os Coldplay, não estaremos nós a observar no campo da música grátis um fenómeno semelhante de first-mover advantage ao que ocorre noutros mercados digitais em que o primeiro player a introduzir um produto ou um serviço novo obtem uma vantagem competitiva que os outros concorrentes dificilmente serão capazes de ultrapassar?
Um exemplo claro disso é a loja online do iTunes da Apple que beneficiou do facto de ter sido o primeiro serviço a apostar na venda de música digital à unidade. É óbvio que os Radiohead não foram a primeira banda a disponibilizar música grátis online mas ...
Editora sueca de Jens Lekman lança serviço de subscrição de música digitalPublicado 10 Mai 08

Gostam de música Pop sueca? Os nomes Jens Lekman, The Embassy, The Tough Alliance e Studio dizem-vos alguma coisa? Então isto de certeza que vos interessa. O que une todos estes artistas que expandiram a influência da música escandinava por todo o globo ao longo dos últimos anos é o facto de já terem sido editados pela etiqueta sueca Service, fundada em Gotemburgo no final de 2001.
Da mesma forma que a Service tem sido responsável pela revolução musical estética em curso na Suécia, agora a editora pretende também romper com os formatos tradicionais de distribuição de música digital através de um novo serviço de subscrição chamado Coop. Por apenas 20 euros, temos direito a uma subscrição válida por um período de seis meses que dá direito a recebermos:
- Todos os novos lançamentos da Service em formato digital de alta qualidade antes de serem disponibilizados ao público;
- Lançamentos exclusivos apenas para os membros;

A editora avisa que este ano estão já agendados uma série de novos trabalhos de cinco novos artistas, bem como de Jens Lekman e The Embassy. Francamente, esta proposta parece-me bastante tentadora, ainda para mais tendo em conta a qualidade a que os artistas da Service já nos habituaram.
Como Martin J. Thörnkvist refere no Digital Renaissance, apesar da ideia da subscrição fazer todo o sentido numa perspectiva de negócio ela não corresponde por si só à solução de todos os problemas que afectam a indústria discográfica:
É um óptimo complemento para muitas outras formas de distribuir música, mas tem que ser vista como uma de muitas formas. Embora seja muito importante, na medida em que poderá convencer o ouvinte ...
A praga dos MP3 falsos propagados via LimeWire e eMulePublicado 9 Mai 08

Não mata mas mói. Estou a falar do Downloader-UA.h, um novo troiano que nos últimos dias se tem vindo a espalhar através de redes de partilha de ficheiros como a Gnutella (Limewire) e a eDonkey (eMule) em que os utilizadores descarregam os conteúdos directamente a partir de pastas de partilha dos outros utilizadores.
De acordo com dados do Avert Labs da McAfe citados por Craig Schmugar no blog da empresa de software anti-vírus (via Information Week), nos últimos dias o troiano foi detectado nos computadores de mais de 360 mil utilizadores do VirusScan Online.
Embora este malware apareça disfarçado como uma música em forma de MP3 ou um filme em forma de MPG não se trata verdadeiramente de um ficheiro MP3 mas sim de um ficheiro executável do Windows. Quando o utilizador tenta reproduzir um desses MP3 ou MPG falsos, em vez de ouvir a música ou ver o filme esperado ele é imediatamente convidado a descarregar um ficheiro designado "PLAY_MP3.exe".
Caso aceite descarregar o programa, ele é então convidado a aceitar um acordo de licença de software cuja aceitação implica a instalação da Mirar Toolbar da NetNucleus, bem como os programas "FBrowsingAdvisor" e "SurfingEnhancer" - Todas estas aplicações são uma forma de adware que mais não fazem do exibir janelas popup com anúncios irritantes e ocupar espaço no disco.
O que vale é que esta praga só afecta utilizadores do Windows que costumam descarregar ficheiros do Limewire e do eMule sem darem muita atenção ao que estão a copiar para os seus discos rígidos. Enfim, mais uma razão para usar BitTorrent e sistemas operativos alternativos como Linux e Mac. Mesmo assim, a pensar nos menos precavidos deixo aqui fica a lista dos ...
RIAA e DRM: O regresso dos mortos-vivosPublicado 9 Mai 08
Decididamente, a RIAA não tem qualquer noção das realidades da economia digital e continua irresolutamente convicta de que é necessário impedir que os consumidores façam o que quiserem das músicas que adquiriram legalmente e que as tecnologias de DRM (Gestão Digital de Direitos) são a única ferramenta capaz de cumprir essa tarefa.
Numa altura em que todas as suas associadas já tiveram o bom-senso de recuar na sua posição e começar a vender música sem DRM em formato MP3 - ainda que apenas nos Estados Unidos, a Associação da Indústria Discográfica Norte-americana acredita que as DRMs ainda andarão por cá durante muitos anos.
De acordo com as palavras de David Hughes, responsável pela unidade de tecnologia da RIAA, citadas pela CNET e proferidas durante a conferência Digital Hollywood que terminou ontem em Los Angeles:
Fiz uma lista das 22 formas que existem de vender música e 20 delas ainda requerem DRM. Qualquer tipo de serviço de subscrição ou play-per-view limitado ou financiado por publicidade ainda exige DRM. Portanto, a DRM não está morta.
Mas Hughes não se contenta com isso, pois pensa que o futuro nos irá reservar ainda mais DRM:
Penso que vai haver uma mudança. Penso que se irá registar um movimento rumo aos serviços de subscrição e que isso irá implicar em última instância o regresso da DRM. As pessoas apenas querem a música quando a desejam. Se elas tiverem acesso à música, então elas não se preocupam com a DRM.
O que ele refere até pode ser verdade. O problema é que a DRM acaba por sempre por bater à porta do utilizador e quando menos se espera. Isto porque quem compra música com DRM está na verdade apenas a alugá-la. Mesmo nos casos que não se referem a ...
Magnatune lança serviço de subscrição para downloads ilimitadosPublicado 9 Mai 08

Se as grandes editoras discográficas não avançam com os seus planos para uma tarifa plana, porque haverão as empresas com modelos de negócio abertos hesitar em tomar a dianteira? 18 dólares por mês (cerca de 12 euros) é a quantia que John Buckman, o patrão da Magnatune, está a pedir a quem quiser descarregar os mais de 600 álbuns pertencentes ao catálogo da editora online de música livre - exclusivamente publicada segundo licenças Creative Commons - mas com fins comerciais que divide todas as receitas obtidas com as vendas a meias com os artistas.
Os assinantes terão a possibilidade de escolher entre uma série de formatos áudio, desde MP3 VBR a WAV (qualidade de CD), passando por FLAC, OggVorbis e AAC - todos sem qualquer tipo de protecção anti-cópia. Os álbuns incluem ainda um PDF com a capa e imagens artísticas do disco. Para além da assinatura mensal, existe também uma subscrição vitalícia que custa 294 dólares (190 euros) que, se em termos puramente económicos, não faz muito sentido é sempre uma boa forma de ajudarem aqueles artistas que apreciam. Se quiserem saber mais pormenores, podem consultar a secção de perguntas mais frequentes.
Outra oferta recentemente introduzida pela Magnatune que me parece bem menos vantajosa é a assinatura que permite escutar via streaming todas as músicas do catálogo da editora mediante o pagamento de nove dólares mensais (cerca de seis euros). Isto porque já é actualmente possível fazer streaming de todas as músicas disponibilizadas pela Magnatune. As únicas vantagens que esta modalidade oferece são uma qualidade áudio superior à oferecida quando se ouve as músicas partir do site ou através de leitores de música como o Amarok e o Rhythmbox (160 Kbps ...
MPAA também quer sacar dinheiro ao Pirate BayPublicado 9 Mai 08

Como se já não bastassem os 110 milhões de dólares em indemnizações que uma juiza obrigou os proprietários do TorrentSpy a pagarem-lhe, a MPAA, a Associação da Indústria Cinematográfica Norte-americana, acaba de exigir que os administradores do Pirate Bay lhe paguem 93 milhões de coroas suecas (10 milhões de euros) pelos prejuízos provocados pela violação de direitos de autor, de acordo com a IDG.no (via TorrentFreak).
As infracções dizem respeito a quatro fimes (A Pantera Cor-de-Rosa, Harry Potter e o Cálice de Fogo, Syriana e Walk The Line), bem como a 13 episódios da primeira época da série de televisão Prison Break. A MPAA está a exigir entre 222 a 261 coroas suecas (entre 24 a 28 euros) por cada filme descarregado a partir de torrents alojados no Pirate Bay e 416 coroas (quase 45 euros) por cada episódio da popular série televisiva.
Segundo a MAQS, a firma de advogados que representa a MPAA, refere na queixa, dos quatro filmes indicados, o mais popular foi o A Pantera Cor-de-Rosa, com quase 50 mil descarregamentos registados, sendo o menos popular Syriana, que apenas foi descarregado cerca de 3700 vezes.
Mas será que como estes números fazem parecer querer, cada download equIvale a uma venda perdida? Sabe-se lá! Aliás, a verdade é que nem a própria MPAA o sabe. Parece que nos dias de hoje vale praticamente tudo o que sirva para a indústria de entretenimento transformar os outros nos bodes expiatórios dos seus problema. Citando a resposta de Monique Wadsted, advogada da MAQS: "Nós não temos a certeza disso, mas a lei de direitos de autor não leva isso em linha de conta. Apenas refere que quem descarregou algo ilegalmente deve de qualquer das formas pagar, ...
M4EU - um portal para promoção de novas bandas portuguesas e brasileirasPublicado 8 Mai 08

Através de um email enviado por Carlos Ventura, fiquei a conhecer o M4EU.com, um portal dedicado à promoção e divulgação de bandas portuguesas, africanas e brasileiras. O site funciona como um agregador das plataformas M4PT e M4BR. Apesar de não conhecer a maioria dos nomes que constam por lá, consegui ainda assim reconhecer os Dapunksportif e algumas das bandas da netlabel portuguesa Merzbau como Jesu, The Misunderstood, Guilherme Canhão (Lobster) e Walter Benjamin. Quem também se encontra por lá são alguns dos nomes do catálogo da Test Tube como Dopo, Frango e Rui Gato.
Como apreciação global, devo dizer que não desgostei do M4EU, especialmente quando comparados com o M4PT e M4BR, cujo interface e navegação deixa "um pouco" a desejar. Cada página de artista disponibiliza espaço para vídeos, agenda de concertos, biografia, informação de contacto e críticas. No que se refere à música é possível descarregar as faixas ou ouvi-las via streaming através do formato de playlist M3U em versão Lo-fi ou Hi-fi. Quanto a mim, este é um grande inconveniente. Não seria mais prático incorporar um leitor em flash que permitisse ouvir as músicas directamente a partir do site?
De qualquer das maneiras, achei bastante bem pensada a ideia de combinar artistas brasileiros com portugueses. Aliás, acho que foi a primeira vez que encontrei uma iniciativa do género num site de música online em língua portuguesa. Agora, só falta é convencer mais bandas brasileiras. o que vai ser um pouco difícil tendo em conta a concorrência de peso que Trama Virtual e PalcoMP3 representam...
Uma vantagem que o M4EU oferece para as novas bandas que fizerem o upload das suas músicas nos ...
Música “Parabéns a você” rende 2 milhões de dólares por anoPublicado 8 Mai 08
Um dos exemplos mais frequentemente citados para demonstrar o que está errado nos direitos de autor é a música "Parabéns a Você" ("Happy Birthday to You"), talvez a canção mais popular em todo o mundo. A canção surgiu a partir da melodia da música "Good Morning to All" escrita pelas irmãs e professoras norte-americanas Patty e Mildred J. Hill em 1893.
Acontece que a música só foi oficialmente registada já com a letra e o título actual em 1935 pela Summy-Birchard Company, actualmente uma subsidiária da Warner/Chappell Music, por sua vez pertencente à Warner Music Group, a segunda maior editora discográfica do mundo. O que talvez muitos não saibam é que devido aos sucessivos alargamentos do termo dos direitos de autor, a música continua a ser propriedade exclusiva da Summy-Birchard Company.
Assim, para todos os efeitos legais, cada vez que nós cantamos "Parabéns a Você" aos nossos entes queridos nós estamos a cometer uma ilegalidade se não tivermos pago de antemão uma licença à Warner. Nos países onde o termos de validade dos direitos de autor é de 70 anos após a morte do autor, a música só deverá entrar no domínio público em 2016. Contudo, a Summy-Birchard alega que nos Estados Unido a canção só entrará no domínio público em 2030.
Mas será mesmo assim? Num artigo intitulado "Copyright and the World's Most Popular Song" (via William Patry) o professor Robert Brauneis da Escola de Direito George Washington faz uma análise minuciosa das origens de "Parabéns a Você" e contesta a validade do argumento de que a música ainda se encontra protegida por direitos de autor. Para além de não ...






