A criatividade e o plágio na óptica de Squarepusher

by Miguel Caetano on 22 de Outubro de 2006

(via OpenBusiness) Recomendo vivamente a leitura de uma entrevista com Tom Jenkinson, mais conhecido no universo da música electrónica por Squarepusher, no BBC Collective, coincidindo com o lançamento do novo álbum “Hello Everything”. Nesta entrevista, o génio da IDM que mistura samples obscuros de diversas proveniências com barulhos feitos por máquinas infernais responde a várias questões colocadas pela comunidade de participantes do site colaborativo da estação britânica. As perguntas colocadas pelos leitores são bastante pertinentes e Jenkinson apresenta um pensamento bastante equilibrado e lúcido sobre a relação entre originalidade, criatividade e plágio:

It seems that getting annoyed about the borrowing of ideas relates to notions of power and influence in the musical sphere. Who would care if somebody completely insignificant borrowed an idea? If, on the other hand, it is borrowed by somebody with much more commercial appeal it could be potentially irritating as credit will inevitably be given to them and not the innovator. In this sense, the problem could be seen as preventing well-intentioned individuals from getting their deserved reward (ie, money, reputation) for their labours. On this view it seems difficult to defend plagiarism.

Unfortunately or otherwise, it seems the overall liveliness of our musical environment seems to thrive on precisely these activities, thus anyone’s standpoint on this will relate to a more general sense of ethics and social justice. What is more important? Individual well-being, or overall cultural health? It seems a cruel reality that lively culture depends on a certain amount of dissatisfaction in the people that contribute to it. I personally couldn’t care less about people borrowing ideas as I really don’t have any sense of owning them in the first place.

Apesar de Jenkinson se referir específicamente à indústria discográfica, os argumentos que apresenta podem ser aplicados a todos os ramos da produção cultural. Quando as fronteiras que traçam a distância entre o plágio e a cópia descarada se esbatem, a apropriação comercial das obras de outrém fica facilitada. Torna-se doravante impossível distinguir entre a ideia e a expressão de um trabalho intelectual. Por outro lado, se apenas analisarmos a questão invocando termos como “roubo” e “propriedade”, a generosidade intelectual, raíz de toda a riqueza cultural, acaba por ser constrangida. Em resultado, toda a sociedade acaba por ficar espiritualmente mais pobre.

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1 Nilson 25 de Maio de 2008 ás 16:42

puro Proudhon! – digo, propriedade não-social é roubo. Bom separar isso da idéia de criação.

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2 Kristopher Ramsey 13 de Novembro de 2008 ás 0:23

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