A legalização iminente do P2P Publicado 18 Out 06
Continuando o que eu escrevi aqui, alguns observadores da indústria de conteúdos começam a aventar a hipótese de um eventual modelo licenciado e legal do P2P. A argumentação baseia-se nos acordos estabelecidos na semana passada entre a então ainda YouTube e grandes conglomerados multimédia como a Universal e no novo site Spiral Frog que deverá ser lançado em Dezembro. Outro sinal dessa legalização será dado quando a nova plataforma da BitTorrent.com estiver também em breve disponível. É que se na economia da era do Napster original, todos acreditavam que o dinheiro estava nos conteúdos (”content is king”), a economia da cauda longa da Web 2.0 tem aumentado a fé nos “big bucks” que a publicidade deverá trazer.
Numa era de crowdsourcing generalizado, em que uma empresa com apenas 60 funcionários é adquirida por 1,65 biliões de dólares só faz sentido oferecer aquilo que há em excesso, isto é, conteúdo. Perante este cenário, pode-se pensar que quem fica a ganhar são os utilizadores. Afinal, são eles que hoje em dia decidem o sucesso ou fracasso de uma comunidade ou plataforma online. Se uma companhia decidir passar a cobrar pelo acesso a um serviço até então gratuito, rapidamente os seus utilizadores debandam em massa para outras paragens (basta recordar a história da Net…). Mas a diferença continuará a consistir, na sua essência, entre o gratuito e o livre.
Será que o novo P2P legalizado que aí se avizinha irá permitir a recompensação directa dos criadores de acordo com o número de ficheiros mais transferidos ou os conglomerados multimédia irão continuar a recolher grande parte do bolo? Será que os trabalhos poderão ser transferidos quantas vezes e para onde o utilizador quiser e para os fins que ele pretender? Será que esse utilizador também poderá tirar partido da plataforma para disponibilizar as suas criações, mantendo o controlo sobre elas? Estas são, no fundo, as questões que interessam e que vão continuar a estar na ordem do dia.
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Apesar do acordo da Universal com o YouTybe, a mesma Universal veio agora colocar processos judiciais contra o Grouper e o Bolt.com (http://mashable.com/2006/10/17/universal-music-sues-grouper-and-boltcom-youtube-escapes/) portanto não se trata de uma mudança na atitude, apenas de acordos comerciais.
Comentário de Sérgio Rebelo em 18 Out 06 21:48.Olá.
Obrigado pela informação. Mas isto mostra que empresas como a Universal só entram em confronto com outras mais pequenas.
Em relação à YouTube, acredito que os acordos estabelecidos devem-se ao facto de que a empresa estava a gerar dinheiro. Por outro lado, embora a dimensão gerada pelo fenómeno possa ser comparada ao Napster, a verdade é que o número de visitantes por mês da YouTube (20 milhões) era inferior ao de utilizadores registados no Napster em 2001 (26,4 milhões), de acordo com dados da Wikipedia. Mas como o Napster não dava dinheiro…
Comentário de Miguel Caetano em 18 Out 06 22:55.