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“O meu PRÓPRIO espaço”? Publicado 30 Out 06

(Via Écrans de um por estes dias periclitante Libération) A proposta parece ser tentadora, mas vai-se a ver melhor e não é tanto assim. 808, artista e activista online francês, decidiu criar o MyOWNSpace, uma rede social alternativa ao MySpace que oferece alojamento gratuito na Web, contendo exactamente o mesmo design e estrutura do site do tio Murdoch só que adoptando a licença GPL e programado em PHP. Outra diferença significativa é que os banners publicitários são todos relativos a projectos artísticos e activistas. “Nós oferecemos este serviço gratuito porque nós louvamos a LIBERDADE. A Internet é o local das mentes LIVRES e da troca de informação LIVRE”, pode-se ler na página “About Us”.

MyOWNSpace

OK, fixe, cool, porreiro, bacane!! Até que enfim uma alternativa para os artistas que querem tirar partido das redes sociais sem serem co-optados pelo Borg da News Corp., ainda por cima com esta nota “© Nopyright 2006 MyOWNSpace.FR - No right reserved” no fundo do site. Toda a gente sabe que o MySpace não pertence, de facto, aos seus utilizadores mas ao tio Rupert Murdoch. A natureza gananciosa das motivações por detrás da aquisição da rede social pelo magnata australiano dos media em Julho de 2005 por 580 milhões de dólares foi bem explicada pela Wired. 119 milhões de utilizadores abastecem gratuitamente a plataforma com conteúdos multimédia - músicas, imagens e vídeo - e, mais importante, cedem inconscientemente as suas informações pessoais, preciosos instrumentos para os anunciantes conceberem estratégias de marketing eficientes. A política dos termos de utilização do site também tem sido bastante dúbia em relação à (des)protecção dos interesses dos músicos e outros artistas que colocam trabalhos nas suas páginas “MySpace”, como alertou o cantor Billy Bragg. Até há pouco tempo, ao assinar o contrato inicial com a empresa, o utilizador cedia todos os direitos sob os dados disponibilizados à Fox Interactive Media, uma subsidiária da News Corp.

Mas será que o MyOWNSpace oferece de facto ao utilizador o “Seu PRÓPRIO Espaço”? Not so fast… Para além dos termos de utilização estipularem um limite máximo de 500 KBytes por cada ficheiro carregado, o upload de ficheiros “.avi .mov .mp2 .mp3 .mpeg .ram .asf .quota .vbs .shs .scr .exe .cmd .torrent .wmv .wma .rm .zip .tar.gz.” é também proibido. Mais ainda, são impostas uma série de restrições draconianas ao teor de conteúdos publicados nas páginas pessoais que podem suscitar interpretações discricionárias.

The Copy and Paste Show

Não obstante a crítica e aproveitando a deixa gostaria também de mencionar aqui o “The Copy and Paste Show”, outro projecto do 808 sobre o qual já estava para escrever desde há algum tempo. Esta exposição online sobre a cultura do “copia e cola” é organizada pelo New Museum of Contemporary Art de Nova Iorque e pela comunidade online de net-arte Rhizome. “Tal como qualquer outro estilo visual, a estética da Web assenta frequentemente na apropriação de media não-originais. No design, as pessoas copiam muitas vezes códigos html de outros sites de formar a combinar material existente (…) Neste contexto, o software e as ferramentas ganham importância, uma vez que permitem novos tipos de partilha e distribuição entre os produtores culturais”, refere o texto de apresentação.

O site integra um design intencionalmente naïve e primário - fazendo recordar o aspecto de uma homepage em HTML circa 1996 - e funciona principalmente como um agregador dos projectos de 808, entre os quais Popautomate, em colaboração com Talk-Over e que permite que os participantes escrevam os seus próprios êxitos pop. Ao submeterem uma lletra para uma música, um software produz uma colagem de pequenos samples retirados de músicas que contêm essas palavras. 1000 Ans de Jazz é uma netlabel criada em 1999 dedica à recolha e reciclagem de “lixo cultural” com origem na música pop - essa fonte inesgotável de bosta sonora -, que é depois partilhado via P2P.

The Billie Jean Collection

Um dos maiores sucessos da 1000 Ans é a “The Billie Jean Collection”, uma compilação em 16 CDs de todas as versões disponíveis online dessa melodia melíflua de Michael Jackson. Outro êxito é Palindrome Records, um conjunto de “álbuns” online que contêm os CDs de artistas famosos como Bob Marley, Nirvana, Bob Dylan e Ben Harper só que com a peculariadade de todas as faixas estarem gravadas ao contrário, de modo a que os utilizadores possam efectuar o download sem serem ameaçados pelos polícias da mente. Uma forma de promover a cultura da partilha e da remistura com ironia e gozo. A exposição contém também links para uma série de páginas-tributo a personalidades como Charles Manson e Sun Ran criadas por Ika Ekblad e Anders Nordby no MySpace que questionam o papel da identidade online.

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Algumas respostas a ““O meu PRÓPRIO espaço”?” :

  1. [...] obtém uma forma fácil e económica de fazer chegar a sua música a um maior número de pessoas. Mas será que é mesmo assim? Não existe o risco de o artista estar a ceder demasiado controlo sobre as suas obras a serviços [...]

    Comentário de » Músicos independentes: ter uma página no MySpace não basta em 17 Jul 07 23:28.
  2. [...] em redes sociais sem serem recompensados pelo que dão a ganhar aos outros. Anteriormente, Bragg tinha já criticado os termos de utilização do MySpace na medida em que estes concediam à News Corp. - empresa de [...]

    Comentário de Billy Bragg quer receber uma parte do dinheiro que a AOL deu pelo Bebo | Remixtures em 24 Mar 08 13:20.
  3. muito grande ,não deu tempo de ler… : )

    Comentário de ;lkjhg em 20 Jun 08 23:18.
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