Quando o open-source e o P2P chegam ao cinema – Parte I: “Cafuné”

by Miguel Caetano on 27 de Outubro de 2006

O processo de produção aberta e distribuição partilhada pode também ser aplicado a um sector cultural como a indústria cinematográfica, onde cada filme exige a obtenção prévia de financiamentos elevados para pagar a uma série de técnicos especializados – argumentista, director, actores, operadores de câmara, etc. – e intermediários – produtor, distribuidor – de modo a que chegue a ser apreciada pelo público tanto no DVD de casa ou, de preferência, nas salas do grande ecrã.

Mas se esses constrangimentos faziam até agora com que o modelo “Made in Hollywood” de grandes produções integrando um elenco de estrelas e carregadas de efeitos especiais fosse preponderante – uma vez que este tipo de obras são as que têm garantido, à partida, o sucesso comercial que justifica o investimento, ultimamente têm surgido uma série de projectos independentes que tiram partido da filosofia open-source e do sistema de distribuição P2P permitindo que amadores e profissionais colaborem em todo o processo de criação.

“Cafuné” é precisamente um desses projectos. Realizado pelo brasileiro Bruno Vianna, o filme foi financiado em 600 mil reais (cerca de 220 mil euros) pelo Ministério da Cultura do Brasil através de um concurso para obras de baixo orçamento, tendo sido em simultâneo lançado nas salas de cinema e disponibilizado em redes P2P como BitTorrent, KaZaa e eMule, sob licença Creative Commons para uso não comercial. Como se não bastasse, o cineasta filmou também finais diferentes da obra, como explicou num artigo de apresentação publicado no site colaborativo Overmundo. Outro aspecto inovador é que o tipo de licença CC adoptado abre a porta para a produção de eventuais versões “caseiras” para os utilizadores que pretendam criar outros finais.

Numa entrevista ao OpenBusiness, Vianna conta em pormenor como correu todo o processo de produção e distribuição de “Cafuné”. Aí se pode ler que será lançada em breve uma versão comercial em DVD contendo conteúdos adicionais como o “making of”, comentários do elenco ou até mesmo os Mash-Ups dos internautas. Mas o cineasta brasileiro tem também já outras ideias na cabeça para futuras longa-metragens:

“Estou começando a desenvolver um projeto que será de cinema digital, montado ao vivo, eu como VJ do meu próprio filme

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29 de Outubro de 2006 ás 20:38

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