Manifestoon: Marx explicado pela animação de Hollywood Publicado 19 Nov 06
Este vídeo-mashup que eu vi na BoingBoing é francamente genial. É Comunismo Criativo. Utilizar os próprios desenhos animados da Disney, Warner Brothers, Hannah-Barbera, UPA e outros portentados da época dourada do cinema de animação de Hollywood para explicar o pensamento comunista.
A ideia baseia-se, é claro, no détournement, a prática introduzida no final dos anos 50 pelos membros da Internacional Situacionista de alterar os balões das falas de personagens de banda desenhada para veicular frases de pensadores radicais. O objectivo era colocar os símbolos do capitalismo a exprimir uma mensagem completamente anti-capitalista.
Mas Jesse Drew, o autor deste vídeo, consegue ser ainda mais eficaz que os situacionistas. Ainda para mais, porque o vídeo foi publicado na YouTube, o expoente máximo da mutação mais recente do capitalismo, a Web 2.0. A análise do manifesto mantém-se, aliás, completamente válida se substituirmos o proletariado pelos hackers, trabalhadores criativos e crowdsourcers em geral. Na página da versão original não-legendada do vídeo, pode-se ler a seguinte explicação:
Displaying a broad range of Golden Age Hollywood animation, Manifestoon is a homage to the latent subversiveness of cartoons. Though U.S. cartoons are usually thought of as conveyors of capitalist ideologies of consumerism and individualism, Drew observes: “Somehow as an avid childhood fan of cartoons, these ideas were secondary to a more important lesson—that of the ‘trickster’ nature of many characters as they mocked, outwitted and defeated their more powerful adversaries. In the classic cartoon, brute strength and heavy artillery are no match for wit and humor, and justice always prevails. For me, it was natural to link my own childhood concept of subversion with an established, more articulate version [Marx and Engels' Communist Manifesto]. Mickey running over the globe has new meaning in today’s mediascape, in which Disney controls one of the largest concentrations of media ownership in the world.”
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