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“Crentes” financiam músicos através de fundos de investimento na Web2.0 - Parte I Publicado 1 Nov 06

Através de estratégias como o crowdsourcing e a “cauda longa”, a Web 2.0 está a começar a aplicar ao mundo da música online metáforas oriundas do mundo dos negócios como os fundos de investimento. O SellABand.com é um dos fenómenos mais recentes dessa moda - tendo até recebido honras de destaque na bíblia TechCrunch -, uma vez que os artistas que aderem a este site são financiados pelos fãs e por publicidade. Esta empresa alemã tem como mui nobre missão acabar com todos os muros da indústria discográfica que separam os que estão dentro - os autores - e os que estão fora - o público. “Todos os que têm paixão pela música podem estar dentro. É a tua música. É a tua escolha”. Com esta declaração de fé, não admira que a linguagem empregue pelos senhores do SellABand.com esteja impregnada de um certo misticismo.


O esquema consiste em fazer com que, depois de criarem uma página de perfil e efectuarem o upload de três ou menos faixas demo no formato MP3, os artistas possam atrair o patrocínio de melómanos interessados - chamados de “crentes” (believers). Se gostarem daquilo que ouvirem, esses “crentes” podem comprar acções no valor de 10 dólares. Quando o total recolhido por cada artista ascender aos 50 mil dólares, essa verba é alocada para a gravação de um álbum num estúdio profissional com o apoio promocional e técnico de uma equipa de produção e A&R especializada. O disco é então impresso numa edição limitada de cinco mil cópias que serão, em seguida, enviadas gratuitamente por correio para os “crentes” que acreditaram no potencial artístico do projecto.

Posteriormente, as músicas que integram o trabalho são disponibilizadas de graça para download numa secção especial do site. As receitas de publicidade que daí advirem serão repartidas irmamente entre artistas (33%), “crentes” (33%) e a empresa SellABand (33%). Quanto mais downloads essa banda tiver, maior será a sua quota de mercado sob o dinheiro gerado pelo portal em anúncios. Em paralelo, será também lançada uma versão normal do CD que os artistas poderão vender através das suas páginas e nos espectáculos ao vivo. Os lucros obtidos com as vendas serão também divididos entre os músicos e os fãs.

A empresa quer funcionar como uma rampa de lançamento para novos artistas. Na prática, a SellABand oferece-se para desempenhar a função de intermediário entre o músico ou o grupo e os potenciais admiradores. Mas a verdade é que actualmente um artista pode muito bem vender os seus trabalhos num site próprio caso tenha uma base de fãs suficientemente grande. Daí que as bandas que aderem ao SellABand poderão estar a cair numa relação de dependência. Por isso, seria bom ler atentamente todos os termos do contrato antes de assinar qualquer coisa…

É que apesar de poderem escolher livremente os produtores e o estúdio que querem utilizar - desde que se enquadrem no orçamento -, os músicos têm que aceitar obrigatoriamente o executivo de A&R que a empresa escolher e que terá como função “orientar o artista na gestão do orçamento destinado à gravação”. Está-se mesmo a ver que as bandas terão toda a liberdade criativa… Mas não se preocupem, caros músicos esfomeados: Johan Vosmeijer, “managing director” da SellABand, promete que os juros gerados pelos fundos de investimento de cada artista irão servir apenas para o desenvolvimento do site e para a criação de um programa de promoção de artistas - isto é, marketing.

Até agora, os Nemesea foram a banda que conseguiu juntar mais dinheiro, com 42500 dólares em dízimos recolhidos desde 15 de Agosto. Estes holandeses apresentam uma sonoridade metálica-gótica direccionada para a MTV semelhante aos finlandeses Evanescence. A religião, perdão…, o grupo que vem em segundo lugar, embora muito distanciado, são os americanos cubworld, com 6930 dólares angariados dos fiéis desde 10 de Setembro e um som a lembrar Ben Harper, jack Johnson e Dave Matthews. Em terceiro lugar, vem o credo francês The Fakes que reuniu 5910 dólares desde 29 de Setembro, apostando num rock/popr melódico e romântico.

Coitados. Mesmo que consigam editar o álbum, apenas recuperarão os direitos sob as músicas passados 12 meses. Enquanto isso, a SellABand poderá vender as faixas para publicidade, toques de telemóveis, etc… É preciso ser muito “crente” para acreditar na boa fé de antigos executivos de companhias discográficas! Na segunda parte deste post, irei abordar outros sites comerciais que apostam num modelo de doações para financiar o trabalho de artistas.

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Algumas respostas a ““Crentes” financiam músicos através de fundos de investimento na Web2.0 - Parte I” :

  1. mais uma vez parabéns pelo trabalho.
    e é sempre assim, não há bela sem se não…

    Comentário de MrCool em 3 Nov 06 15:13.
  2. Hehe, pois… Mas há alguns projectos que começam a mudar a situação, como o Dogmazic.net na França.

    Comentário de Miguel Caetano em 3 Nov 06 15:19.
  3. [...] SliceThePie é um site britânico lançado na semana passada que se vem juntar ao SellABand.com no mercado em ascensão dos serviços de financiamento de novos artistas por fãs. Tal como o seu concorrente, oferece uma [...]

    Comentário de » SliceThePie - mais uma forma de financiar novos artistas em 27 Jun 07 18:51.
  4. [...] da música exigem novas respostas por parte dos artistas. Apesar de já existirem serviços como o SellABand e o SliceThePie que permitem que os grupos em início de carreira publiquem os seus discos graças [...]

    Comentário de Fãs patrocinam novo álbum dos Einsturzende Neubauten em 26 Ago 07 15:23.
  5. [...] mais sobre o blog aqui. Aproveite e subscreva o feed de RSS.Como se não bastassem sites como o SellABand e o SliceThePie, eis que surge mais um projecto que visa “permitir” que os fãs [...]

    Comentário de Launch A Label: uma companhia discográfica gerida por 50 mil fãs | Remixtures em 13 Set 07 17:58.
  6. [...] foi celebrado em meados de Agosto -, o SellABand vai de vento em popa. Contrariando as minhas expectativas iniciais, o site que permite que novos artistas gravem um álbum num estúdio profissional com o apoio de [...]

    Comentário de Remixtures » Blog Archive » SellABand: Fãs já investiram mais de 1,3 milhões de dólares nas bandas em 13 Nov 07 09:35.
  7. [...] primeira parte deste post, abordei o site SellABand.com, um novo projecto da fornalha da Web 2.0 que pretende [...]

    Comentário de “Crentes” financiam músicos através de fundos de investimento na Web2.0 - Parte II :: Remixtures em 28 Nov 07 22:00.
  8. [...] casos de sucesso no campo da Música 2.0. Refiro-me em particular às editoras comunitárias: SellABand e SliceThePie. O objectivo aqui não é tanto eliminar o intermediário mas sim ocupar o seu lugar [...]

    Comentário de Editoras comunitárias de música made in France | Remixtures em 24 Fev 08 16:53.
  9. [...] em Boston, este serviço apresenta algumas semelhanças com editoras comunitárias como o SellABand e SliceThePie embora também se baseie num modelo de música equitativa na medida em que [...]

    Comentário de Calabash: quando o microfinanciamento chega à música | Remixtures em 3 Abr 08 19:58.
  10. [...] dinheiro suficiente para gravar um disco parece ir de vento em popa. Hoje mesmo o Sellaband, o primeiro destes sites a surgir em todo o mundo, anunciou que recebeu um investimento no valor de cinco [...]

    Comentário de Sellaband obtém financiamento de 5 milhões de dólares | Remixtures em 8 Abr 08 21:26.
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