Remixtures.com: livre mas não grátis

by Miguel Caetano on 22 de Novembro de 2006

Não sei se repararam, mas o Remixtures.com aderiu hoje ao programa de publicidade AdSense do Google. Ao contrário do que acontece noutros sites, acho que os anúncios não são nada intrusivos, muito pelo contrário. Portanto, se gostarem do blog e se se interessarem por algum dos links dos banners no topo superior da barra lateral e na entrada, entre o quarto e o quinto post, estejam a vontade para clicarem :-) . Será uma forma de retribuírem o trabalho deste blogger e garantirem a subsistência a longo prazo do Remixtures.com.

Se os grande media tradicionais recorrem abusivamente à publicidade na Web, porque é que os elementos da cultura livre e do jornalismo-cidadão não podem também integrar alguns anúncios discretos nos seus sites para serem recompensados? Esta é uma questão cada vez mais premente. Afinal de contas, livre não quer dizer grátis, não quer dizer que não se possa obter lucro, como já anda há décadas o Richard Stallman a pregar, sem que muitas vezes lhe seja dada a devida atenção.

Daí que o Remixtures.com seja publicado segundo uma licença Creative Commons do tipo Atribuição-Partilha nos termos da mesma licença 2.5 (CC-by-sa). Isto quer dizer que qualquer pessoa pode publicar no seu blog os textos que encontrar aqui, fazer modificações e até mesmo utilizarem-nos para fins comerciais desde que citem o meu nome e a origem e que partilhem a obra derivada segundo as mesmas condições.

Para além do mais, é preciso notar que, ao passo que noutros países como no Brasil, em que o Estado tem uma política pública de apoio a projectos promissores no campo da cultura livre – Overmundo, Estúdio Livre, Pontos de Cultura, Conversê, só para lembrar alguns – e grandes ONGs e universidades desempenham também um importante papel de suporte nesse campo, em Portugal, infelizmente, as entidades públicas continuam a desprezar tudo o que tenha a ver com a cultura contemporânea, seja ela digital/livre.

Aliás, cultura parece ser uma palavra ausente no vocabulário de todos os responsáveis políticos e empresariais deste triste país. Para eles, isso é apenas uma actividade de alguns diletantes vagabundos, logo, incompatível com “inovação”, “produtividade” e “competitividade”. Mas não foi apenas o Brasil que já entendeu a importância social e económica das chamadas indústrias criativas, tal como o sociólogo Richard Florida realça em “The Rise of the Creative Class”. Holanda, Inglaterra e mesmo a Espanha já acordaram para essa realidade. Enquanto o valor da criatividade e da partilha intelectual não forem valorizados neste país, todos os projectos de cultura livre estarão condenados ao fracasso se não tentarem encontrar formas de auto-subsistência.

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18 de Abril de 2008 ás 13:46

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