Upload, remix & share Publicado 20 Nov 06
Continuando a minha exploração sobre as possibilidades realmente criativas que a Web 2.0 oferece, encontrei recentemente uma série de novos sites - a maioria ainda em versão beta - que funcionam ao mesmo tempo como ferramentas online de remistura de sons e redes sociais. Estas comunidades oferecem a todos os aspirantes a DJ algumas das funcionalidades apenas disponíveis até agora em software proprietário e dispendioso como o ACID Pro, Ableton Live ou mesmo o Garageband da Apple. Tudo a partir da janela de um browser - recorrendo a AJAX e Flash - e sem que seja necessário dominar as técnicas de remixagem ou saber tocar um instrumento musical.

O Splice permite efectuar o upload de sons ou músicas completas e remisturá-los com outros elementos sonoros. Para além do MP3, o Splice suporta também os formatos WAV/AIFF, OggVorbis e FLAC. A principal funcionalidade do Splice consiste num sequenciador combinado com um navegador que permite que adicionemos novos sons a partir de uma biblioteca de samples, loops, vozes, riffs de guitarras e batidas que outros membros disponibilizaram para utilização de todos.
Cada música está classificada com tags, vindo geralmente acompanhadas com o número de BPMs (batidas por minuto). O mixturador ajusta automaticamente as BPMs dos sons de modo a que as batidas estejam sincronizadas. Quando uma música é publicada, os outros utilizadores podem modificar essa faixa à sua vontade, acrescentando ou remisturando partes de outras faixas. A partilha é encorajada através da adopção de licenças Creative Commons. O vídeo que podem ver neste post explica como utilizar o Splice, mas podem encontrar mais informação no FAQ do site.
Outro site que funciona como uma rede social para a remistura de sons e músicas é o Jamglue. Tal como o Splice, permite pegar na remistura de um outro utilizador, carregá-la no editor, efectuar alterações e guardar a nova versão. Do mesmo modo, as faixas criadas a partir do site podem ser publicadas em blogs, sites pessoais ou noutras redes sociais como o MySpace e o Hi5, sendo licenciadas segundo licenças Creative Commons.
Uma dúvida que não consegui esclarecer ao navegar tanto pelo Splice como pelo Jamglue é qual o modelo de negócio que estes sites pretendem adoptar. O mais provável é que seja um plano baseado na publicidade. Um serviço que parece ser mais transparente e realista em relação a este aspecto é o YourSpins que oferece a possibilidade de comprar toques para telemóveis de todas as remisturas. Em relação às licenças sob as quais as remixes são disponibilizadas, o site apenas se limita a afirmar que o copyright se mantém nas mãos do autor, tendo o utilizador o direito de remisturar a obra e publicá-la online onde quiser.

O problema do YourSpins é que recorre a uma tecnologia proprietária que coloca limites ao acesso, limitando assim o seu apelo. Os artistas disponibilizam ficheiros de base em formato .dl que contêm a música dividida em partes diferentes, sendo estas por sua vezes divididas em canais. O utilizador pode manipular manualmente estes componentes ou ouvir uma remistura improvisada elaborada automaticamente com recurso a uma série de algoritmos. Porém, ao contrário dos serviços anteriores, não se pode adicionar samples criados por outros utilizadores. Isto tudo é feito a partir de um leitor online baseado em Flash. Contudo, algumas faixas não estão ainda disponíveis a partir desse leitor, sendo necessário utilizar um plug-in para o Windows Media Player - a empresa promete uma versão QuickTime para breve - e efectuar o download do ficheiro .dl.
Por seu lado, o U-MYX oferece o formato mais convencional e menos atractivo de todos. Criado pelos elementos da banda Rock Muse, o site consiste numa plataforma em que grandes estrelas da indústria musical como Pet Shop Boys, Depeche Mode, Moby, DJ Shadow e outros “permitem” que fãs remisturem alguns dos seus singles mediante o pagamento de 1.49 libras (2.20 euros). Neste momento, a loja digital do site inclui para venda 23 singles. Depois de adquirida, a faixa é imediatamente descarregada para um leitor online (compatível com Windows e Mac OS X, apenas…). Esta aplicação permite fazer fade in ou out das vozes, adicionar ou remover instrumentos ou fazer cortes nos arranjos. No final, pode-se fazer o upload da remistura e efectuar o download das versões feitas por outros.
Tendo em conta as restrições que o U-MYX impõe, não admira que este serviço tenha sido já utilizado por “máquinas de fazer dinheiro” do Pop e do Rock como Paul McCartney, Robbie Williams ou Robert Plant.. No fim de contas, o modelo que o U-MYX oferece não passa de uma versão domesticada e controlada da cultura da remistura, mesmo ao gosto da indústria musical. O problema é que os utilizadores já não se satisfazem em serem meros consumidores. Eles também querem ser produtores…
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