Artistas independentes beneficiam com partilha de músicas Publicado 21 Dez 06
O site TorrentFreak publicou um artigo intitulado Why Most Artists Profit from Piracy que resume as conclusões de vários estudos realizados nos últimos anos sobre o impacto da partilha de ficheiros que apontam para um papel positivo do P2P nas vendas dos artistas menos populares. E apesar de o TorrentFreak ser um site de notícias sobre BitTorrent, não sendo por isso propriamente imparcial quanto a esta questão, o facto é que os dados são sólidos e vão de encontro a muito do que tenho escrito por aqui, para além de baterem certo com o modelo económico da “cauda longa” avançado por Chris Anderson para explicar a economia digital.
O autor refere um estudo de Blackburn (2004), estudante de doutoramento em Harvard, que conclui que 75 por cento dos artistas vendem mais discos devido à partilha de ficheiros. Os restantes 25 por cento que vêm as suas vendas afectadas são artistas mais populares editados pelas grandes majors. A razão mais plausível para este facto é que ao oferecerem ao utilizador a possibilidade de efectuar o download gratuito de músicas e discos completos, as redes P2P funcionam como um sistema de promoção do tipo “experimente antes de comprar” para um maior número de músicos que antes não tinham a possibilidade de serem descobertos pelo público.
Outra explicação avançada pelo autor, de que a música dos artistas mais populares está mais acessível nas redes P2P e que se os “piratas” efectuarem sobretudo o download desses discos terão mais dinheiro para adquirir os trabalhos de artistas menos populares, já não me parece tão sólida. É que os canais habituais de promoção e distribuição física de música nunca foram tão pluralistas e abrangentes como os suportes online. A esmagadora maioria das rádios apenas passa esses músicos/bandas mais comerciais. O mesmo acontece com as lojas de música, cujo catálogo se resume quase sempre aos nomes promovidos pela indústria.
Na verdade, as possibilidades de encontrar “sons” novos fora da Net são bastante restritas. Para além dos novos serviços sociais de música como o Last.fm e o Pandora, que apenas surgiram nos últimos três anos - não podendo por isso serem levados muito em linha de conta na análise destes dados - é preciso não descurar o papel importante das primeiras rádios online através de servidores de streaming como o Live365 e o Shoutcast que permitiram a formação de comunidades verdadeiramente globais de apreciadores de nichos musicais.
Aparentemente em contradição com este fenómeno está a descida das vendas de discos registada nos primeiros quatro anos do século XXI. No entanto, embora o número de álbuns comercializados no total tenha sido de facto inferior às vendas atingidas em períodos anteriores, em especial no final da década de 90, não se pode atribuir unicamente a descida das vendas ao P2P. Por exemplo, a introdução dos leitores de CD levou muitos consumidores a trocarem os seus discos de vinil por CDs. Correspondentemente, a massificação dos DVDs nos anos seguintes também pode ter funcionado em detrimento do CD.
A partir destes estudos, Rufus Pollock conclui num ensaio citado pelo TorrentFreak que o efeito real sobre as vendas da indústria discográfica é bastante diminuto, estimando que a partilha de ficheiros seja responsável por apenas 0 a 30 por cento da descida das vendas verificada. De notar, contudo, que existe uma grande discrepância de valores entre os vários estudos.
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Uma das coisas em que a indústria musical tardou muito foi a reconhecer que o mp3 estava a afirmar-se como novo formato em detrimento do tradicional CD. A pirataria apareceu com os mp3 antes da indústria e, durante muitos anos, tinhas os mp3 já como fenómeno assumido e a única forma de os arrajares era ripando um CD ou fazendo um download pirata.
Comentário de Sérgio Rebelo em 22 Dez 06 01:05.Oi Miguel,
Comentário de Marcelo Terça-Nada em 22 Dez 06 15:07.Cheguei ao seu blogue através de um link no Overmundo e gostei muito! Parabéns!
Abraços,
Marcelo
http://virgulaimagem.redezero.org/
[...] gera-se assim um efeito semelhante de “cauda longa”, não tanto nos artistas individuais - ao contrário do que outros estudos indicam - mas no negócio da gravação de discos. Não admira por isso que as majors façam tanta questão [...]
Comentário de Remixtures » Blog Archive » Partilha de ficheiros faz aumentar “cauda longa” do negócio da música em 13 Nov 07 15:03.[...] Herwig e os seus colegas não se deixam impressionar pelos estudos que demonstram que o P2P beneficia os artistas independentes e que os fãs de música que utilizam redes de partilha de ficheiros compram mais discos do que os [...]
Comentário de Pirata coloca catálogo de editora indie no Pirate Bay sob identidade falsa | Remixtures em 11 Fev 08 20:03.