Neste caso, o oráculo é o impagável Bob Lefsetz, um dos poucos na indústria musical que tem a coragem de dizer tudo aquilo que os outros consultores e executivos apenas pensam para si próprios. E apesar de polémicas, todas as previsões dele fazem sentido. A respeito da YouTube, faz uma analogia com o Napster original e conclui: “If YouTube can be legalized, then so can music P2P.” Quanto aos CDs, considera que as vendas deverão descer precipitadamente entre os próximos 12 a 18 meses. Da mesma forma que a digitalização afectou a indústria fotográfica, também as pessoas irão deixar de comprar “rodelas de plástico”. Porém, ele afirma que as pessoas deverão passar a ouvir mais música do que anteriormente, o que na sua opinião é positivo.
Concordo totalmente. Ao contrário da visão elitista que denuncia o perigo da massificação da oferta de música, da diarreia de sons, da alienação do ouvinte e da sua incapacidade de digerir/discernir o que escuta, como se fosse possível preservar uma certa “aura” benjaminiana na obra de arte musical mediante a valorização fetichista do suporte físico do CD, considero que a possibilidade de explorar novos universos musicais através de redes de partilha de ficheiros é algo fantástico e de fabuloso, uma oportunidade absolutamente única na história que todos – público e artistas – devem aproveitar e prezar.
Também segundo Lefsetz, o Zune está condenado ao fracasso: “REMEMBER, if you play by the RIAA rules, you’re DOOMED to failure”. É caso para dizer que não se pode agradar a gregos e a troianos; é que os consumidores não gostam que lhes tirem com uma mão (limitação do período de reprodução dos ficheiros a três dias) aquilo que se lhe dá com outra (a possibilidade de partilhar faixas via tecnologia WiFi). Ao implementar a sua tecnologia de DRM no leitor de música digital, a Microsoft deu um tiro no pé.
Lefsetz termina dizendo que a chave para o futuro das empresas no sector da música está no respeito pelos seus clientes: “Give people something that touches their souls for a fair price and they’ll give you ALL their money. Rip them off with shit and they’ll tell everybody they know and decimate your enterprise.” Linguagem mais directa é impossível. Nesse futuro da música digital, o que irá vender não serão as bandas comerciais prontas a consumir que poluem os Tops de hoje mas os grupos com criatividade e que se direccionam para nichos específicos.
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