Dpop.es - música livre em castelhano Publicado 20 Jan 07

O Ricardo do Zone41 e do NaWeb2 avisou-me por mail de que foi recentemente lançado em Espanha um novo projecto de música livre semelhante aos franceses Jamendo e Dogmazic de que eu já falei aqui e aqui. O Dpop.es apresenta-se como um “directório pop de música livre” que pretende funcionar como uma plataforma independente de promoção de novos artistas espanhóis que queiram disponibilizar as suas músicas sob licenças abertas como as Creative Commons - que, ao contrário do que o site dá a entender nestas “7 razões para apostar no copyleft”, não são o mesmo que copyleft.
Embora sejam de louvar todas as iniciativas de apoio à cultura livre e que contribuam para alterar as regras obsoletas da indústria musical que condicionam a liberdade criativa dos novos artistas, penso que Ruben Ginestós e Marc Mariné, os fundadores do dpop.es, deviam-se abster de associar as CC a copyleft. Podem dizer que se tratam de precisosismos legais que não interessam para nada, mas é importante compreender que o copyleft refere-se a licenças que permitam que todos os utilizadores de uma obra possuam os mesmos direitos de usar, modificar e redistribuir tanto o original como versões derivadas desse trabalho. O exemplo paradigmático de copyleft no domínio do software é, neste sentido, a General Public License. Por outro lado, uma fraqueza das CC apontadas pelos seus críticos - entre eles Richard Stallman, o próprio criador do conceito de copyleft - é que nem todas - por exemplo, a cc-by-nd - permitem a criação de obras derivadas a partir do original. Na música, isso implica que o utilizador não pode fazer uma versão ou remistura da canção original.

O directório propriamente dito ainda só inclui de momento sete bandas - Grande-Marlaska, Holgado, Pullover, Kempes, Nun, TONTO e Sofarojo. Destas, apenas os TONTO e os Nun permitem que as suas músicas sejam remisturadas por outros e mesmo assim, impõem que o fim seja sempre não-comercial. Mas para não dizer apenas mal do dpop, devo acrescentar que o design está extremamente apelativo e leve, sem exagerar nas animações em flash que, regra geral, só atrapalham a navegação. A publicidade incluída também não é, por enquanto, demasiado chata, mas no FAQ os responsáveis do site afirmam-se abertos à “possibilidade de incorporar outros sistemas de patrocínios ou publicidade responsável e não-intrusiva”. Os discos podem ser transferidos faixa a faixa em formato MP3 de qualidade elevada - o valor exacto do bitrate não é especificado. Supostamente deveria também ser possível efectuar o download completo através das redes P2P eDonkey e BitTorrent, mas na maior parte dos discos as ligações para os respectivos links ed2k e ficheiros torrent não funcionam. Para além de um podcast semanal, fórum de discussão, agenda de concertos e recursos sobre cultura livre, o dpop inclui também um blog oficial.

Independentemente das suas filosofias de actuação divergentes, iniciativas como o dpop na Espanha e o Jamendo e o Dogmazic na França constituem indicadores de que a música livre pode ser, para além de uma opção política e uma forma de liberdade estética, um modelo de negócio economicamente viável. Quando é que chegará a vez de os empreendedores portugueses se aperceberem disso?
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