Já falei aqui antes sobre o Jamendo, um site de origem francesa que funciona simultaneamente como uma plataforma de distribuição de música livre sob licenças Creative Commons e Art Libre e uma comunidade de músicos e apreciadores. Actualmente, tem disponíveis mais de 2100 álbuns, sendo que o download dos ficheiros é assegurado via redes P2P como BitTorrent, eMule e Kazaa. O serviço inclui também a capacidade de escutar por streaming as faixas no próprio site. Os ficheiros estão disponíveis em MP3 e no formato livre Ogg Vorbis. Para além do idioma francês, o serviço integra também versões completas em inglês e alemão, e parciais em português, espanhol, italiano e polaco. O financiamento do projecto é garantido através do sistema de publicidade AdSense do Google e mediante a retenção de uma pequena percentagem sob as doações que os artistas recebem dos ouvintes via PayPal.
Através do Alban Martin, fiquei hoje a saber que o Jamendo acaba de implementar um programa de divisão das receitas obtidas com a publicidade com os artistas que distribuem o seu catálogo no site. Este modelo de partilha é bastante semelhante ao da empresa de alojamento de vídeos Revver, que eu já referi aqui. Quando alguém clica no anúncio, a Revver divide em 50 por cento a receita daí resultante com o autor do clip. O mesmo se passa no caso do Jamendo, embora por enquanto ainda de um modo experimental: de Janeiro a Março, os artistas interessados poderão activar este programa de forma a serem pagos em função da proporção das visualizações que as suas páginas receberam no conjunto total de tráfego gerado pelo site. Para saber mais detalhes sobre este sistema, podem consultar aqui o anúncio oficial.
A questão que se coloca é a de saber se será possível que a publicidade online seja tão eficiente no que toca ao streaming de música – em que o ouvinte não necessita de estar colado ao ecrã – como tem sido até aqui no vídeo – em que os anúncios podem estar inseridos na própria janela em flash do clip. Para além da Revver, outras empresas de alojamento de vídeo como a Lulu.tv e a MetaCafe também já começaram a implementar sistemas de renumeração dos artistas que contribuem com os seus vídeos para que o site seja visitado. Estes exemplos demonstram que nem todos os serviços da Web 2.0 pretendem enriquecer à custas da exploração dos utilizadores que geram os seus conteúdos. Resta saber é se os responsáveis da YouTube e do MySpace também irão enveredar pelo mesmo caminho…
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