Lightnet – o percurso de um meme

by Miguel Caetano on 14 de Fevereiro de 2007

Aqui há uns meses publiquei um artigo dividido em dois posts, “Darknets contra Lightnets” (Parte I e Parte II), em que tentei fazer a história desses dois conceitos e contrapô-los entre si. De certo modo, uma darknet pode ser entendida como o expoente máximo e a forma mais radical e descentralizada de P2P, uma rede anónima e privada, de acesso restrito. Por seu lado, uma lightnet pode ser vista como abarcando toda a informação passível de ser linkada, acedida, copiada, modificada e remisturada. Quanto a mim, esta definição adequa-se que nem uma luva ao conteúdo gerado pelo utilizador que pulula pelos sites da Web 2.0 – perdão, esse termo já não é fino, agora é Web social…

quem estabeleça uma analogia com a distinção entre proprietário e open source. Pelas razões que eu adiantei no final da segunda parte do meu artigo, essa metáfora não faz muito sentido. Depender de plataformas centralizadas controladas por organizações com fins lucrativos que podem ser facilmente pressionadas ou compradas com o dinheiro dos grandes conglomerados multimédia para a difusão da cultura será sempre um gesto arriscado. Pelo menos enquanto o regime de direito de autor continuar a salvaguardar outros interesses que não os dos autores. As darknets devem ser vistas como o último reduto da liberdade peer-to-peer (“entre pares”). o único vislumbre das velhas utopias-pirata, “sem rei nem roque” num mundo cada vez mais vigiado e onde tudo tem que servir como objecto para consumo ou, em alternativa, vir encharcado de publicidade.

Tudo isto para dizer que hoje reparei num link para a segunda parte desse artigo que eu escrevi em Dezembro a partir de um post do Alex Barnett. Para além de não ser todos os dias que recebo um link de um alto quadro da Microsoft (;-) – é pena é que ele tenha confundido o idioma português com o italiano…), o post dele é importante na medida em que ele acrescenta elementos interessantes para a genealogia do meme da ligthnet e do buzz gerado em sua volta. Ao que parece, o Lucas Gonze, criador do serviço online de playlists WebJay, inspirou-se num exercício de futurologia sobre a Internet do Alex Barnett para apresentar a sua definição de lightnet. Não obstante as minhas objecções pessoais contra o conceito, vale a pena ler a genealogia do conceito que o Alex Barnett traçou e que relata um pouco a sua propagação junto dos media tradicionais e da blogosfera.

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