“Música é paixão, é talento, mas é também um negócio que movimenta milhões de euros pelo mundo” pode-se ler num post do Bernardo Mortimer no blog brasileiro Sobremusica. Mas numa altura em que as companhias discográficas parecem condenadas a devorarem-se a si próprias (DRM, álbuns e faixas a preços com margens de lucro elevadíssimas, ameaças a clientes…) quais são os caminhos que a tecnologia digital abre aos artistas independentes que querem sobreviver fazendo aquilo que sabem fazer melhor – compor, tocar e cantar – sem cair na dependência desses grandes dinossauros em vias de extinção? Foi justamente para debater e explorar as possibilidades concretas que redes P2P como o Soulseek, a rede social de música Last.fm, o MySpace, o YouTube e outros “porta-estandartes” dessa revolução digital representam para os músicos bem como para outros agentes importantes do sector como jornalistas, empresários e especialistas de marketing que o Bernardo Mortimer e o Bruno Maia decidiram criar o projecto Chappa Quente (via Alexandre Inagaki). Para tal contaram com a cooperação da produtora de design Tecnopop, a produtora de espectáculos Rinoceronte Produções e a Lunuz, uma ONG especializada em turismo cultural.
O objectivo do Chappa Quente é “constituir uma acção de promoção do desenvolvimento sustentável da indústria da música”. Tendo consciência do importante papel económico que o sector desempenha para o Brasil, como criador de emprego e riqueza, o projecto pretende contribuir com novos modelos de estruturas produtivas, centrando a sua actuação no Rio de Janeiro. A iniciativa pareceu-me bastante interessante, ainda para mais porque se trata de uma ideia que surgiu da cabeça de dois jornalistas bloggers ligados à música independente que, ao contrário do que é habitual neste circuito artístico, não tiveram pruridos em aliar-se a empresas privadas com experiência no mercado. O Alexandre Matias publicou uma entrevista com o Bernardo Mortimer e o Bruno Maia no Trabalho Sujo onde eles desenvolvem esta e outras questões.
Só para avisar os cariocas: até ao início de Abril eles vão organizar oito sessões de debates em faculdades do Rio de Janeiro – entrada livre – onde irão estar presentes “representantes do poder público, do capital privado, dos selos independentes, das grandes gravadoras, dos músicos e do circuito de festivais” assim como “advogados, jornalistas, economistas, publicitários, produtores, professores e empresários”. As primeiras duas serão já esta quarta-feira, dia 14, mas podem conferir as restantes datas do programa aqui. Mas eles prometem mais actividades para breve, entre as quais um festival a decorrer em 2008 no Rio de Janeiro composto por concertos, workshops e conferências. Antes disso, no segundo semestre deste ano deverá ser lançada a segunda versão do site mais aberta à participação do público e com conteúdos jornalísticos próprio. O site já tem algumas notícias, mas seria bom a inclusão de um feed de RSS para o pessoal ficar a par das novidades, não?
Continuando por terras brasileiras e a falar do sector musical independente, gostaria de chamar a atenção dos leitores brasileiros que o Daniel “Duende” Carvalho está a convocar a participação de redactores para um Manual de Autopublicação na Rede para Músicos Independentes no Overmundo. Seguindo as pisadas de bandas brasileiras como os Zémaria, Seminovos, Mombojó e Lixo Extraordinário, entre outros, em direcção ao sucesso sem o apoio de qualquer editora, pretende-se ajudar os artistas que só agora começam a dar os primeiros passos da sua aventura a solo a orientarem-se na Grande Rede. Numa primeira fase que decorre até ao dia 20, será elaborado um plano de trabalho. Posteriormente, serão criados grupos de discussão fechados. O índice provisório elaborado pelo Daniel é o seguinte:
1 – Breve Introdução sobre mercado e auto-publicação.
2 – Algum conteúdo teórico sustentador de discurso.
3 – Formas de Licenciamento.
4 – Guia prático de auto-publicação
4.1 – ferramentas / meios
4.2 – tipos de conteúdo (vídeo, áudio, texto…)
4.2.1 – uso de conteúdo levando em conta os diversos tipos de licenciamento.
4.3 – etiqueta digital
4.4 – práticas de auto-publicação, passo a passo
4.5 – como integrar seu trabalho de auto-publicação ao de outros artistas / formação de grupos.
4.5.1 – remistura, sampleamento, colagem e licenciamentos.
4.6 – análise de resultados e feedback
5 – Conclusão e pensamentos finais, apontando inclusive para outras propostas de produção de manuais.
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Olá meu amigo Miguel! Muito obrigado pelo destaque e pela fé nos nossos trabalhos. Em nome do pessoal do Manual (o qual espero que também apareça por aqui para dar um alô), agradeço o excelente trabalho que você vem fazendo com seu blog e o destaque que você vem dando para os trabalhos das bandas citadas.
Aproveito para dar um toque. A excelente banda do Valdir Batone e da Gabi Andrade (que hoje tenho o prazer de chamar de meus amigos) chama-se Lixo Extraordinário (você chegou a ouvir as músicas deles?). Tenho certeza de que eles vão ficar radiantes ao ver o nome deles aparecendo por aqui.
Quero aproveitar para ressaltar também o trabalho feito pela Mariana Davies (http://www.marianadavies.com/) e pela MarthaV (http://www.marthav.com.br/ e http://www.overmundo.com.br/overblog/marthav-e-um-tesao) aqui no Rio. Estas moças são fantásticas também.
Aproveitando a oportunidade, aviso também que o Alriada Express (http://newalriadaexpress.blogspot.com) também está de volta à ativa. Logo, tenho agora dois blogues.
Abraços apertados do Duende, e, mais uma vez, obrigado por tudo!
Em tempo: todos os interessados em colaborarem na produção do Manual, seja deste ou daquele lado do Atlântico, são MUITO bem vindos. Colaboração é isso mesmo. Quem se interessa vai chegando, e no fim há mãos o bastante para qualquer tipo de trabalho.
Abraços do Verde a todos.
pessoal,
aqui é o bruno maia, do sobremusica.
agradeco muito a citacao ao Chappa Quente e os elogios feitos a ele. Só queria esclarecer que essa idéia não foi exclusiva do SOBREMUSICA, como o texto sugere. Tanto a criação quanto o planejamento e produção foram coletivas, pensada em conjunto pelas quatro empresas envolvidas.
De qualquer forma, obrigado pelo espaço. Esperamos vê-los no MÚSICA CHAPPA QUENTE
abs
BM
Olá Bruno
Obrigado pela visita ao Remixtures e pelos esclarecimentos. Só queria também explicar que o Remixtures é exclusivamente escrito por mim, Miguel Caetano, e que eu sou de Lisboa, Portugal, pelo que não poderei ir a nenhuma das sessões. De qualquer forma, valeu pelo convite
Olá novamente, amigo Miguel. Gostaria de reiterar que nome da banda do Valdir Batone é Lixo Extraordinário, e não Lixo Eletrônico.
Abraços do Verde.
Ooops, obrigado pela correcção, Duende. Foi distracção minha. Já mudei
Olá Miguel! Queremos agradecer a atenção dada ao lado de cá do Atlântico. A nossa língua nos une e pelo visto as nossas causas também. Ficamos contentes em ter o nome do Lixo Extraordinário no seu blog, ainda mais quando o assunto é o Manual. Lembrando à todos que amanhã é dia 20, data em que começaremos, de fato, a colocar a usina do Manual para funcionar!
Então, ainda dá tempo:
http://www.overmundo.com.br/forum/manual-de-auto-publicacao-na-rede-para-musicos-independentes#c2677
bjs
Gabi
Valeu Miguel,
quem sabe não fazemos uma edição do Chappa Quente em Lisboa!!!!
grande abraço!
BM