This page has been designed specifically for the printed screen. It may look different than the page you were viewing on the web.
Please recycle it when you're done reading.

The URI for this page is { http://remixtures.com }

Música sem DRM no iTunes? Só pagando mais… Publicado 2 Abr 07

Depois de muitos rumores e desmentidos, parece que foi desta. A EMI, uma das quatro grandes companhias discográficas do mundo, vai mesmo começar a comercializar todo o seu catálogo de música sem DRM (Gestão de Direitos Digitais) na loja online iTunes da Apple, conforme anunciaram hoje numa conferência em Londres os directores executivos das duas empresas, Eric Nicoli e Steve Jobs, respectivamente. A data de lançamento da nova modalidade Premium deverá ocorrer já em Maio, mas outros parceiros comerciais deverão de certeza seguir-se.

Assim, por 1,29 euros será possível fazer o download de uma faixa comprimida no formato AAC com um bit rate de 256 Kbps. O preço da versão AAC de 128 Kbps e com DRM continuará a custar 99 cêntimos. Apesar do aumento de 30 por cento no custo de cada música individual, uma vantagem da nova modalidade é que o preço dos álbuns sem este tipo de protecção irá manter-se inalterado nos 9,99 euros. Esta é pois uma forma de a EMI revalorizar as vendas dos seus álbuns e de convencer os consumidores a comprarem o “pacote” inteiro. Os clientes habituais do iTunes podem fazer uma pequena “actualização” de músicas pertencentes ao catálogo da EMI para o formato melhorado, bastando apenas desembolsarem os 30 cêntimos de diferença. Todos os vídeos de artistas com contrato com a companhia irão passar a ser disponibilizados sem DRM na loja do iTunes, mantendo-se o seu preço em 1,99 dólares (apenas disponíveis nos EUA).

Este é um pequeno passo na direcção certa que mostra que, não obstante ter consistido basicamente num truque de marketing, a carta aberta de Steve Jobs dirigida à indústria musical a 6 de Fevereiro surtiu os efeitos pretendidos. E é prevísivel que nos próximos meses Warner, Sony/BMG e Universal abandonem as suas reticências em relação à possibilidade de ver a sua música distribuída legitimamente online sem qualquer tipo de protecção que limite o número de cópias que uma pessoa pode fazer dessas faixas e o tipo de aparelhos que as podem reproduzir. Jobs está a contar com isso, pois espera que até ao final do ano 50 por cento das 2,5 milhões de faixas em catálogo que a loja do iTunes agora comercializa estejam também acessíveis sem DRM.

Mas se é compreensível a existência de dois preços, dado que se a EMI vendesse as suas músicas sem DRM a 99 cêntimos ela ficaria em desvantagem competitiva face às outras três concorrentes que continuam a optar por trancar as suas obras a sete chaves, será, que como pergunta a Engadget num editoral bastante céptico, a Apple e a EMI não poderiam ter também retirado a camada de DRM das faixas AAC de 128 Kbytes de 99 cêntimos? Poderá esta nova opção não se tratar apenas de um teste para saber qual a adesão das pessoas ao novo formato e verificar quantas é que vão copiar os ficheiros para outros?

Outra questão que se coloca é se o recurso ao formato AAC consiste de facto numa melhor opção que o convencional MP3, mesmo se alguns audiófilos afirmem que o primeiro oferece mais qualidade do que este último em ficheiros com bit rates idênticos. Trata-se de um formato “aberto”, sem dúvida, e que permite teoricamente a compatibilidade entre diferentes aparelhos. Apesar de o AAC ser, tal como o MP3, uma tecnologia proprietária que exige o licenciamento de uma patente por parte de fabricantes e programadores de codecs, não requer dos fornecedores de conteúdos o pagamento de uma taxa. Contudo, o número de dispositivos capazes de ler ficheiros nesse formato é ainda pouco significativo: Microsoft Zune, Sony PSP, Sony Walkman, Sony PlayStation 3, telemóveis Sony Ericsson e Nokia NSeries, para além dos PDAs equipados com Palm OS. Os maiores concorrentes do iPod estão misteriosamente ausentes desta lista - iRiver, Creative, Archos e grande parte dos SanDisk.

Quanto aos filmes e às séries de televisão disponíveis através da loja do iTunes, o cenário mantém-se exactamente na mesma, com os consumidores a terem que suportar com DRM. De acordo com o que Jobs afirmou à BBC não se pode estabelecer um paralelismo com a música dado que a indústria do vídeo não distribui grande parte do seu conteúdo sem esse tipo de tecnologia. No entanto, é do conhecimento público que com a aquisição da companhia de filmes de animação Pixar pela Walt Disney, o director executivo da Apple se tornou no maior accionista individual da empresa do Rato Mickey, com direito a ocupar um lugar na sua assembleia de directores. E ele bem que podia fazer uma pressão nesse sentido. Até porque, como refere muito bem a Engadget, os gravadores digitais de vídeo permitem hoje em dia gravar os programas de televisão em que estamos interessados e assisti-los quando e onde quisermos, sem qualquer tipo de medidas de protecção tecnológica e publicidade…

Artigos relacionados:

Trackback URL

Algumas respostas a “Música sem DRM no iTunes? Só pagando mais…” :

  1. A questão do formato AAC deveria ser colocada de forma inversa: porque não oferecem ainda suporte para ficheiros AAC os principais concorrentes do iPod?

    É um formato standard e oferece qualidade superior ao MP3: parecem-me boas razões para ser mais amplamente adoptado.

    Comentário de Dinis Correia em 5 Abr 07 14:19.
  2. [...] licenciadas segundo o sistema vigente de direitos de autor e de a EMI - a tal major que passou a vender música mais cara sem DRM - não permitir a livre partilha das obras no seu catálogo, o EP vai ter que ser retirado do site [...]

    Comentário de » De netlabel para major, de livre para proprietário… em 10 Mai 07 15:54.
  3. [...] como o MP3 assegura logo à partida uma vantagem em relação à Apple, que também no mês passado assinou um acordo com a EMI para a disponibilização já a partir deste mês de uma nova oferta de downloads sem DRM [...]

    Comentário de » Amazon anuncia loja de MP3s sem DRM mas não revela preço em 16 Mai 07 21:12.
  4. [...] irá ter nos consumidores e apreciadores de música, tendo em conta o recente anúncio da major de passar a disponibilizar música sem DRM?. Bem, uma vez que o director executivo da Warner Music já declarou várias vezes em público que a [...]

    Comentário de » A provável aquisição da EMI e o fim da DRM em 22 Mai 07 19:21.
  5. [...] aí está: quase no limite do prazo prometido por ocasião do anúncio oficial, a Apple aproveita o lançamento da versão 7.2 do iTunes para introduzir a Itunes Plus, uma nova [...]

    Comentário de » Apple cumpre: iTunes 7.2 traz música sem DRM em 30 Mai 07 21:18.
  6. [...] a UMG não planeia estender o serviço à loja online do iTunes, ao contrário da sua rival EMI que decidiu começar por vender música sem DRM no serviço da [...]

    Comentário de Universal vende música sem DRM mas deixa iTunes de fora | Remixtures em 10 Ago 07 11:58.
  7. [...] e software - Apple e Microsoft incluídas. Lentamente as majors começam a aperceber-se disso - primeiro a EMI em Abril e há poucas semanas a [...]

    Comentário de Remixtures » Blog Archive » Adeus DRM, olá marca de água digital em 17 Nov 07 14:42.
  8. [...] dominante, o mundo da música digital já deu muitas voltas. Em Abril de 2007, a companhia começou a vender música sem DRM da EMI e de outras editoras [...]

    Comentário de Apple de novo perseguida pela Noruega devido à DRM da loja do iTunes | Remixtures em 1 Out 08 00:56.
Deixe a sua opinião sobre este artigo: