
Fiquei a conhecer o fenómeno do Tecnobrega, esse estilo musical que combina o velho brega paraense com as batidas electrónicas do Techno num som concebido por bandas locais para animar os bailes das ruas de Belém, através de alguns artigos que o antropólogo Hermano Vianna escreveu. Em Outubro, o artigo Cultura livre, negócios abertos que Oona Castro publicou no Overmundo despertou-me a atenção.
Segundo se podia ler aí, na medida em que pode ser visto como um modelo de negócios abertos que funciona à margem do direito de autor e das companhias discográficas – as músicas são distribuídas pelos próprios artistas aos camelôs (vendedores ambulantes) e DJs das festas e das rádios livres -, o tecnobrega tinha sido um dos casos escolhidos para um estudo internacional em curso do projecto Open Business que visava analisar as indústrias culturais da periferia do globo.

Na passada terça-feira, dia 27 de Março, os resultados desse estudo coordenado pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas foram divulgados num workshop que decorreu no Rio de Janeiro e que para além do tecnobrega abarcou ainda a “produção cultural dos mercados musicais informais de anarco-punk e músicas de fúsion na Colômbia; a dinâmica dos mercados musicais informais na Argentina (chamamé, rock, hip-hop, folclore, entre outros); e o cinema nigeriano”. O jornal Folha de São Paulo publicou um artigo com o resumo das principais conclusões da pesquisa. Lamentavelmente, a peça só se encontra disponível a assinantes. É deplorável quando um texto promovendo a cultura livre, que só faz sentido com a livre disseminação das obras, é vedado ao público. A isto é que se chama emparcelamento do commons. Felizmente que houve alguém que se lembrou de publicar a notícia no Overmundo. Alguns dados interessantes:
Dos artistas de tecnobrega, 88% nunca tiveram nenhum contato com gravadoras. E 59% avaliam que o trabalho dos vendedores de rua têm influência positiva em suas carreiras.
O tecnobrega é a música mais ouvida no Pará. Em Belém, esse mercado é formado por 73 bandas; 273 aparelhagens (equipes de som que realizam as festas de tecnobrega); e 259 vendedores (de CDs e DVDs) que trabalham nas ruas da cidade.
O funcionamento: as bandas e DJs gravam de uma a quatro músicas num estúdio (normalmente caseiro). Mandam as canções para rádios e aparelhagens. Os camelôs compilam as músicas de maior sucesso em um CD e vendem nas ruas. O CD custa entre R$ 3 e R$ 4 (entre 1,10 e 1,50 euros) ; um DVD, R$ 10 (3,65 euros).
(…)
Segundo a pesquisa, o faturamento mensal total dos artistas com as vendas de CDs e DVDs é de cerca de R$ 2 milhões (730 mil euros).

Mas a música gravada é apenas o material de promoção para a principal fonte de rendimentos das bandas, os espectáculos ao vivo. A esse respeito, seria interessante saber qual o montante total das receitas geradas pelos concertos. Esperemos ficar a saber mais detalhes quando o estudo for publicado no site do projecto Cultura Livre. Para quem quer saber mais sobre tecnobrega, vale a pena a visita ao portal Bregapop. Lá se podem encontrar artigos, vídeos e músicas de grandes nomes do género como os Tecnoshow.
O vídeo que podem ver em cima é de uma festa do grupo de DJs SuperPop que ilustra bem o ambiente das aparelhagens de som em Belém. As imagens que acompanham este post pertencem a um set no Flickr do dinamarquês Henrik Moltke e foram tiradas em Outubro passado durante as filmagens de um documentário televisivo sobre copyright, estando disponíveis segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0.
Um outro fenómeno cultural que, na minha opinião, assenta que nem uma luva na mesma definição de modelo de negócios auto-sustentável e transparente é o kuduro, que de Luanda se espalhou para Lisboa e já se disseminou entretanto para Paris – ouçam alguns sons do novo álbum do DJ Frederic Galliano, FG presents Kuduro Sound System. Vale a pena olhar com mais atenção o que de novo e interessante se vai fazendo para além da cultura de massas e das elites. A gente da periferia não precisa de televisões para disseminar a mensagem. A demonstrá-lo estão os actuais 473 vídeos que podemos encontrar quando pesquisamos sobre kuduro no YouTube. E já existe mesmo um portal, o Mwangol, onde se pode encontrar vídeos de alguns dos principais artistas da “cena” e conversar com outros fãs do estilo.
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renatinha
vcs deveriam colocar + assuntos de aparelhagens
incluindo fotos
para galera ficar por dentro
como faço para compra cds e dvds de tecnobrega pela internet
e só vc lelâo ter dinheiro e vai na loja e compra.
ai galera é de+ curtir esse estilo de som, so quem é paraense e que sabe + tem muitas outras gaeras querem cutir tambem ent~ divulguem mai com fotos e cds o poder das aprelhagem do pará
Miguel,
Já viu o relatório final publicado no Overmundo sobre essa pesquisa ? O link é:
http://overmundo.com.br/download_banco/pesquisa-o-tecnobrega-de-belem-do-para-e-os-modelos-de-negocio-abertos
Outro link interessante sobre o Tecnobrega é uma pesquisa encomendada pela agência de propaganda F/NAZCA e realizada pelo intituto de pesquisas Datafolha: http://www.fnazca.com.br/_misc/o_que_se_ouve.zip
Pasmem…a banda Calypso, principal referência do Tecnobrega, ficou em primeiro lugar no “top of mind” entre TODAS as bandas/artistas em TODO o Brasil. Ficaram a frente de nomes como: Roberto Carlos e Zezé Di Camargo & Luciano.
@Darwin, sobre o estudo da Datafolha já tinha escrito algo aqui. Também já dei uma vista de olhos no livro do Ronaldo Lemos e da Oona de Castro mas acabei por não escrever nada sobre ele
oi achei legal essa musica
o tecno brega é show….amo esse ritmo…é muito envolvente….
vitor-MA
É o maior espetatáculo que eu já vi,é sensacional…
Para quem quer adiquirir Cd’s das aparelhagens de Belém, é so entrar em Comunidades do Orkut, das aparelhagens como Super Pop, Rubi, Vetron, Principe Negro, que tem os links para serem baixados, pois no Pará a musica é distribuida sem muita burocracia, tanto que em um camelo, um Cd de Tecnobrega só com seleção das mais tocadas, custa uns 4 reais no maximo.