Dança livre Publicado 23 Mai 07
Mais uma história que mostra o descalabro a que a protecção extremista da cultura através do copyright chegou nos Estados Unidos. Mas desta vez, pelo menos, parece ter tido um final feliz. O coreógrafo e dançarino Richard Silver afirma ter concebido a dança Electric Slide em 1976 para acompanhar “Electric Boogie”, um grande êxito do Disco Sound da autoria de Bunny Wailer e interpretado por Marcia Griffiths.
Ao longo dos anos, a dança tornou-se um fenómeno da cultura popular, tendo aparecido em vários filmes. Diversas músicas de Hip-Hop também mencionam a Electric Slide. Mas no seu zelo proteccionista, em 2003 Silver chegou mesmo a registar um vídeo da coreografia junto do U.S. Copyright Office, na Biblioteca do Congresso, como o comprova a informação de registo disponível no seu folclórico site. No ano passado tinha já perseguido judicialmente a produção do talkshow televisivo DeGeneres Show por um segmento transmitido em Fevereiro de 2006 em que a actriz Teri Hatcher e outras dançarinas interpretavam a dança.
Mais recentemente, no início de Fevereiro deste ano a CNET informou a que Silver tinha enviado uma intimação ao YouTube no sentido de o site remover os vídeos de pessoas a dançarem a coreografia disponibilizados por utilizadores, justificando que se tratavam de violações ao Digital Millenium Copyright Act de 1998 e que, para além disso, a dança estava a ser interpretada incorrectamente.
Um desses utilizadores foi Kyle Machulis, um engenheiro da Linden Lab - a empresa responsável pelo Second Life. Machulis não se deixou amedrontar e decidiu enfrentar legalmente o “inventor” da Electric Slide. Com a ajuda da Electronic Frontier Foundation (EFF) lançou um contra-processo contra Silver apelando ao tribunal que defendesse a sua liberdade de expressão. Posteriormente o YouTube voltado a colocar o vídeo de Machulis online:
Ontem a EFF anunciou que Silver concordou em parar com esta vaga de intimações contra a utilização da coreografia para fins não comerciais. Mais ainda, o dançarino irá licenciar a Electric Slide segundo uma licença Creative Commons -NC (para uso não comercial). Toda a gente vai poder a partir de agora interpretar, exibir, reproduzir ou distribuir qualquer registo gravado da dança em todo o tipo de suporte. Como Machulis diz no seu blog: “NOW GO FORTH AND DANCE.”
Resta saber se a moda pega e algum argentino descendente de um dos “criadores” do Tango decide começar a processar todos os clubes e professores de danças de salão… Para que conste, deixo aqui a versão 100 por cento oficial, aprovada, autorizada e registada pelo senhor Silver da Electric Slide:
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Surreal!
Comentário de Jorge Vieira em 24 Mai 07 10:15.