Músicos profissionais aderem ao livre

by Miguel Caetano on 4 de Maio de 2007

Já não é novidade nenhuma que uma banda estreante publique o seu primeiro e até mesmo o segundo disco para download gratuito na Internet – e os brasileiros que o digam. Afinal, a autopublicação é uma boa oportunidade de chegar a um público de alcance global para os artistas que não têm nada a perder e ainda não assinaram um contrato com uma major ou uma independente, ou mesmo uma netlabel. Mas o que é que os músicos profissionais que já têm uma carreira estabelecida têm a ganhar ao oferecerem aquilo que ainda muitos consideram – erroneamente – o seu “ganha-pão”? Talvez mais do que se possa à primeira vista pensar…

Veja-se o caso dos The Crimea, uma banda Pop britânica que decidiu disponibilizar gratuitamente o seu novo álbum Secrets of The Witching Hour a partir do seu site oficial em formato MP3 de 128 Kbps, incluindo um booklet em PDF.

O grupo espera assim fazer chegar a sua música a um maior número de pessoas e obter mais dinheiro através da venda de bilhetes para concertos, segundo o empresário Stephen Taverner explicou ao Sidney Morning Herald. E parece que o golpe promocional está a resultar, pois até ao momento o álbum já foi transferido mais de 12 mil vezes. Por outro lado, na página da banda no MySpace pode-se verificar que eles já têm uma agenda de concertos bastante preenchida até ao final de Julho. Quem quiser, pode também comprar o CD a partir do dia 13 de Maio.

Até 2006, os The Crimea tinham um contrato com a Warner Music America, mas como as vendas do disco anterior, Tragedy Rocks de 2005, não ultrapassaram as 35 mil unidades, esta companhia discográfica decidiu romper o contrato, o quinteto britânico optou pela autopublicação. Em baixo, podem ver um vídeo de White Russian Galaxy, o segundo single do disco anterior, numa das primeiras actuações televisiva da banda, neste caso no já extinto Top of The Pops da BBC.

Bob OstertagOutro caso recente semelhante é o do músico e artista experimental norte-americano Bob Ostertag. Para além de colaborações com John Zorn, Mike Patton e Fred Frith, Ostertag conta também no seu currículo uma vasta experiência de activista, sendo de salientar a sua participação no fabuloso colectivo de media tácticos The Yes Men. Em Março de 2006 Ostertag decidiu colocar online todo o material registado em vinil e CD ao longo de 28 anos que ainda se mantinham sob o seu controlo para download gratuito segundo uma licença Creative Commons para uso não comercial. Num artigo ironicamente intitulado “The Professional Suicide of a Recording Musician

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7 de Junho de 2007 ás 17:43

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