A importância do design do site de uma netlabel não deve ser descurada, já o disse aqui anteriormente. Este ponto torna-se ainda mais essencial numa altura em que a maioria das pessoas está agora ainda a começar a contactar com o maravilhoso mundo oculto do netaudio e, ao mesmo tempo, o número de novos lançamentos de música livre apresenta um crescimento imparável. Tendo em conta que o site é a porta de acesso directo ao universo estético e criativo de um selo online, há que caprichar na usabilidade e no design apelativo que atraia os olhos do utilizador.
O Moritz Sauer (Mo) que além de ser o responsável do webzine/blog alemão sobre netaudio e cultura digital Phlow, é também jornalista freelancer, webdesigner e DJ, deu recentemente uma apresentação na conferência Typo Berlin onde analisou a cultura da música livre e das netlabels a partir do ângulo do design.

Os slides da apresentação encontram-se maioritariamente em alemão, mas dá para perceber algumas coisas, nomeadamente o sugestivo pedido “Kill MySpace, please”. Com isto, Mo refere-se à estética completamente kitsch e folclórica que abunda por esse enorme antro de mau gosto visual, uma estética caracterizada por cores garridas que perfazem uma manta de retalhos visual.
O problema é que a dificuldade de navegação não atrapalha só no MySpace, mas também no directório de netlabels do Internet Archive e nos arquivos do Scene.org. Com tantos nomes desconhecidos pertencendo a géneros musicais tão esotéricos, como fazer sentido daquilo tudo?
Em sentido contrário, Mo apresenta em seguida vários exemplos de netlabels que apostaram claramente na estética, na simplicidade e na usabilidade: Stadtgruen (Alemanha; electrónica minimalista), Fragment (Rússia; Techno ambiental), Textone (Alemanha; electrónica minimalista), Broque (Alemanha; House minimalista), 12rec.net (Alemanha; experimental, electrónica e Hip-Hop), 2063music (Alemanha; electrónica e experimental),
Outra referência indispensável da música livre é o BlocSonic de Michael Gregoire que nos acaba de trazer o quinto volume da sua compilação mensal. Debaixo do sugestivo subtítulo The threat at Goliath’s feet, as dez faixas incluídas este mês estendem-se desde a Suécia à Colômbia, passando pela Alemanha, Espanha, Bélgica e EUA, envolvendo uma paleta musical constituída por Rock, Jazz, electrónica, Punk, Glitch e Hip-Hop. Vale a pena também explorar o booklet que acompanha esta edição onde o nosso anfitrião aborda algumas formas de popularizar o netaudio. Gregoire sugere, nomeadamente, o desenvolvimento de ferramentas que facilitem a descoberta de nova música:
An infrastructure is clearly needed. A centralized charting system is needed, much like last.fm. In fact, last.fm could be used, but the numbers of mainstream listens still far outweigh net audio listens and as such, net audio releases never get charted in the site-wide charts. A net audio charting system would not be primarily to keep track of sales, it would be to track popularity and to make it easier to find great net audio music.
(…)
A greater number of dependable online ‘press’ coverage of net audio releases is also needed.
(…)
a network of internet broadcasters who only broadcast copyleft/CC licensed is also needed. I envision a site much in the same vein as Live365. Broadcasters/netcasters/bloggers could pool their resources/audiences to publicize and market such an endeavor.
(…)
Such an infrastructure will also need it’s taste-makers. Join us existing taste-makers and spread the word. Burn compilation CDs for your friends. Get others hooked.
(…)
Lastly, as I mentioned in a previous blocSonic blog post, netlabels need to make their sites USER-FRIENDLY. Experimental navigation is all well-and-good, but that won’t gain you new listeners.

Um projecto que, quanto a mim, integra de uma forma agradável todas essas preocupações é o Wundertunes, um webzine/blog alemão mas escrito em inglês sobre música e arte livre que eu acabei de descobrir graças ao Netlabelism, o site que aloja o podcast Netwaves. Apresentando um design simultaneamente bastante fluorescente mas leve, o Wundertunes foi criado em Março e tem vindo a publicar críticas de lançamentos de música disponível sob licenças como a Creative Commons. No final de cada crítica é atribuída uma nota que pode ir de 0 a 10.Para além disso, também já organizou uma compilação, a Wundertunes Spring Compilation. O que me chamou à atenção neste projecto é o facto de incluir um leitor em quase todas as faixas mencionadas, o que permite escutar via streaming antes de efectuar o download – isto é um aspecto muito importante e que é frequentemente descurado! Nem toda a gente tem espaço livre em disco para encher com algo que talvez acabe por não gostar… Outro ponto a destacar é a descrição dos discos por tags que, a pensar no utilizador mais leigo, emprega uma classificação muito sui generis baseada nas situações apropriadas para ouvir aquele disco (“ao volante”, “com um bom vinho”, “calmo e relaxado”, etc.).
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sim senhor, que belo trabalho! como sempre