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O enterro do debate sobre a partilha de ficheiros Publicado 5 Mai 07


O vídeo de cima foi filmado na noite de 30 de Abril no ponto mais alto da Suécia e refere-se a um ritual tradicional por ocasião da celebração de um feriado. A festa chama-se Walpurgis e é comemorada todos os anos nos países da Europa do Norte e Central. Como explica o Rasmus Fleischer no Copyriot, os suecos do Piratbyrån (um thinktank em defesa da pirataria e cujo nome significa qualquer coisa como “Agência de Pirataria” em português) aproveitaram a data para subverter o ritual e organizar uma espécie de performance com fogueira, máscaras e música. A ocasião serviu também para fazer uma queimada do livro Copy Me, uma antologia editada em 2005 que continha uma recolha dos textos sobre direitos de autor publicados no site do colectivo e onde constavam ensaios de nomes como James Boyle, Paolo Virno, Brian Holmes e o grupo neoísta italiano Wu Ming, bem como uma entrevista com os Public Enemy, entre outros.

Durante a queimada, procedeu-se à leitura de um comunicado onde se declarou o debate sobre a partilha de ficheiros como “morto e enterrado”. Os membros do Piratbyrån consideram que chegou a hora de parar com a discussão sobre a moralidade e legalidade da partilha de ficheiros. Uma vez que a utilização de um computador ligado a uma rede digital implica sempre a cópia de dados faz mais sentido discutir “as boas e más formas de arquivar, indexar, ligar em rede e copiar”. Podem ler o texto completo da mensagem aqui (em inglês). No Flickr está também disponível um set de imagens sobre o evento.

O que me levou a escrever sobre esta cerimónia - que, embora tenha a sua piada, vale mais pelo simbolismo do que por outra coisa, pois a página do “livro” continua disponível online - foi a resposta de Bill Drummond ao vídeo. É que se repararam, a música que acompanha as imagens é dos míticos KLF de Drummond e Jimmy Cauty. Estes dois terroristas sónicos ficaram famosos não só por terem assinado uma série de êxitos de música House e Techno no final dos anos 80-início dos 90, mas também pelas suas performances xamanísticas.


A mais famosa delas todas ocorreu em 1994 - dois anos após terem anunciado, para espanto de todo o mundo o fim da carreira da banda -, quando os dois decidiram queimar um milhão de libras em dinheiro vivo numa fogueira em protesto contra a ganância dos artistas (não é à toa que eles se chamavam Kopyright Liberation Front!). Para comprovar a verdade dos factos ficou o filme The K Foundation burn a million quid, cuja segunda parte - de um total de cinco - podem ver em cima.

Por ironia do destino, Drummond reparou no vídeo do ritual dos membros do Piratbyrån e respondeu-lhes anexando uma mensagem que tinha escrito naquela mesma noite a respeito de The 17, o seu mais recente projecto que tem como objectivo recuperar a essência performativa, presencial e em tempo real da música. O desafio é conceber novas práticas de composição musical que proporcionem uma experiência inigualável: música que nunca se limite a ser uma banda sonora, uma mercadoria predestinada ao consumo; em suma, que ultrapasse as limitações da música registada em disco. O resultado é a improvisação totalmente livre em forma de coro, sem qualquer apoio instrumental. A mesnagem do Bill Drummond que o Ramus publicou no Copyriot vem em baixo:

AN INVITATION

A time has arrived where we can (in theory and almost in practise) listen to any recorded music, from the entire history of recorded music, wherever, whenever while doing whatever we want.

This has meant our relationship with music is rapidly and fundamentally changing faster than it has done for many decades.

This is good for numerous reasons.

But a by-product of this is, recorded music will no longer contain the meaning it once held for us. This will entail it no longer gives us what we need and desire from it. Once a music has lost it’s meaning it has no value.

Thus as we edge our way deeper into the 21st Century we will begin to want music that can not be listened to wherever, whenever while doing whatever. We will begin to seek out music that is both occasion and place specific, music that can never be merely a soundtrack. We will demand music where we are no longer just the consumers, unwitting or otherwise.

The era of recorded music is now passing and within the next decade it will begin to look and sound like a dated medium. Recorded music will be perceived as an art form very much of the 20th Century.

The above notions excite me. This excitement has brought about The17. The17 rejects all that the era of recorded music had to offer and attempts to embrace the unknown opportunities of what lies ahead.

Please accept my invitation to embrace the unknown opportunities of what lies ahead in whatever way excites you.

Bill Drummond
www.the17.org

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Algumas respostas a “O enterro do debate sobre a partilha de ficheiros” :

  1. [...] o fundador da lendária banda britânica de música electrónica KLF sobre o qual eu já falei aqui. Farto do Muzak e do ruído branco que lhe inundava constantemente os ouvidos, Drummond começou a [...]

    Comentário de Remixtures » Blog Archive » Dia 21 não há música para ninguém em 20 Nov 07 00:03.
  2. [...] mais visual e prática possível a filosofia e o modo de vida kopimi. Em Maio do ano passado, eles subverteram o ritual tradicional Walpurgis para dar uma festa no cima de uma montanha que deu direito a uma queimada de livros ao som de [...]

    Comentário de Digressão Verão 2008 do Pirate Bay: o autocarro pirata anda por aí | Remixtures em 13 Jul 08 21:00.
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