P2P - quando as universidades tentam arrancar o mal pela raíz Publicado 8 Mai 07
Depois das intimações enviadas pela RIAA a 1200 estudantes universitários norte-americanos - aos 400 abrangidos numa primeira leva de cartas seguiram-se mais 800 -, os estabelecimentos de ensino superior dos EUA começaram a recear a hipótese de serem alvo de um processo judicial por parte daquela associação da indústria fonográfica.
No final de Abril surgiu a informação de que uma universidade tinha cedido à pressão da RIAA: num comunicado a Universidade de Ohio anunciava que iria bloquear o acesso a todo o tráfego de partilha de ficheiros dentro da rede informática do campus. Embora reconhecesse a existência de usos legítimos das redes de partilha de ficheiros, a direcção justificava esta decisão com o facto de a tecnologia gerar um consumo excessivo da largura de banda, congestionar os recursos tecnológicos da rede e colocar os computadores vulneráveis a vírus, spyware e outros ataques. Por último, referia ainda que o P2P estava a ser usado para a distribuição ilegal de obras protegidas por copyright.
Na verdade, esta última razão deve ter sido provavelmente a que mais pesou na opção de bloquear todo o tráfego de P2P, uma vez que 100 dos alunos da Universidade de Ohio faziam parte do lote dos estudantes que receberam uma carta da RIAA. Só que com esta decisão a direcção pode muito bem ter deitado fora o bébé com a água suja do banho, para interpretar as palavras de Ashwin Navin, presidente da empresa BitTorrent.com, numa coluna de opinião na Cnet (via TorrentFreak).
Navin enumera uma série de pontos sobre a importância do P2P e acusa a universidade de desconhecimento das vantagens da tecnologia, restringir a inovação e ignorar as suas responsabilidades pedagógicas. Apesar de ser normalmente associada à partilha ilegal de ficheiros, a tecnologia é também empregue para uma série de outras finalidades como voz sobre IP (VoIP - Skype) e distribuição legal de vídeo (Joost). Para além disso, como refere Navin, o P2P é também um recurso bastante útil para artistas que querem disponibilizar gratuitamente os seus trabalhos - veja-se o caso do site de música livre Jamendo -, bem como para projectos e associações de software livre.
Na medida em que a sua arquitectura de comunicação cliente-a-cliente se baseia no poder de processamento e na largura de banda não utilizados dos computadores dos utilizadores, o P2P oferece substanciais reduções de custos em relação ao sistema tradicional dependente de um servidor centralizado, para o qual convergem todos os dados. Esta descentralização da distribuição para um nível local alivia o congestionamento da Internet e da Web provocado pelo streaming de vídeos através do YouTube ou pelo VoIP.
No final, Navin - que confessa a sua parcialidade neste debate, uma vez que o seu serviço de vídeo BitTorrent.com também sai prejudicado com este bloqueio - pergunta porque é que a universidade não tomou medidas semelhante s no sentido de bloquear outras tecnologias empregues para a partilha de material protegido por copyright, como grupos de discussão da Usenet, FTP, Instant Messaging e email. Bem, para responder à questão, embora a decisão também me pareça ter sido precipitada a verdade é que estas tecnologias não têm um padrão de utilização tão intensivo como o P2P.
Mas se a direcção da Universidade de Ohio bloqueou a partilha de ficheiros com utilizadores externos pensando que o problema estava resolvido, desengane-se. Isto porque segundo o jornal local The Post os estudantes continuam a partilhar material entre si dentro da rede do campus, graças a um hub da rede DirectConnect (DC++) que disponibiliza 3 Terabytes de ficheiros de filmes, músicas, software e pornografia a velocidades muito superiores do que uma rede de P2P ligada ao exterior. Por enquanto, o tráfego da Intranet do campus ainda não está a ser monitorizado…
Enquanto uns cedem outros resistem
Enquanto uns cedem aos interesses especiais de uma organização que representa uma indústria em declínio e incapaz de se adaptar aos novos tempos, outros apelam à resistência. É o caso de Charles Nesson, professor de Direito da muito liberal Universidade de Harvard que em co-autoria com Wendy Seltzer do Berkman Center for Internet & Society escreveu um editorial onde apela à direcção daquele reputado estabelecimento de ensino superior que recuse apoiar a RIAA nas suas “tácticas abusivas e ameaçadoras”
Em vez disso, devíamos estar a apoiar os nossos estudantes quer explicando-lhes a lei, quer resistindo às intimações que a RIAA nos enviou. Devíamos ministrar aos nossos estudantes de Direito programas de formação imparciais de forma a defender os nossos estudantes que estão a ser ameaçados. Devíamos pressionar o Congresso para encurtar os limites de uma lei draconiana de copyright que a indústria do copyright nos impôs. A propriedade intelectual pode ser eficiente quando as suas fronteiras são razoavelmente transparentes.
Mas quando a protecção do copyright começa a exigir a cooperação de partes não envolvidas implicando um prejuízo financeiro e moral, esses custos externos ultrapassam os benefícios. Não é necessário desculpar a infracção para concluir que o direito de copyright dos séculos XIX e XX é insuficiente para a promoção do conhecimento do século XXI. Os antigos modelos do negócio do copyright são formas ineficientes de conceder incentivos aos artistas no novo ambiente digital.
Tanto o Direito como a tecnologia vão continuar a evoluir. E à medida que os inovadores forem desenvolvendo novas formas de partilhar material protegido por copyright, a Universidade deverá dialogar quer com os criadores quer com os “utilizadores justos” que se baseiam e criam a partir das suas obras.
Em continuação, Nesson e Seltzer fazem referência à Noank Media, uma empresa surgida a partir de um projecto de Harvard sobre a qual eu já falei aqui e que visa, por um lado, permitir que os estudantes de universidades tenham acesso a todo o tipo de conteúdos de um modo legal a partir das redes dos campus mediante o pagamento de uma quantia mensal fixa e, por outro, que os artistas sejam recompensados através da devida repartição da verba total dessa mensalidade. A companhia já estabeleceu acordos com estabelecimentos de ensino superior na China e no Canadá. Esperemos que a direcção de Harvard adira também a este projecto pioneiro.
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Olá,
Comentário de Fernanda em 24 Mai 07 17:38.Foi lançado recentemente um PABX capaz de integrar-se ao SKYPE, permitindo que telefones comuns possam fazer chamadas para contatos SKYPE ou para outros telefones através da rede SKYPE. As chamadas podem ser realizadas, atendidas, colocadas em espera, transferidas de forma extamente igual as da rede de telefonia convencional. O custo é muito baixo e se paga rápido, rápido.
Veja: http://www.safesoft.com.br/pabx
Cara Fernanda,
os leitores do Remixtures estarão “certamente” gratos pela informação publicitária. Talvez estivessem mais satisfeitos se o comentário fosse directa ou indirectamente relacionado com P2P, música ou cultura livre… Eu, enquanto autor do Remixtures, estaria ainda mais contente se a Safesoft estivesse interessada em, - porque não? - patrocinar este blog em troca da cedência de um generoso espaço na barra lateral. Penso que a Safesoft também ficaria a ganhar pois para além de obter mais exposição junto dos visitantes, não ficaria com a reputação de empresa que utiliza os comentários dos blogs para difundir lixo electrónico.
Comentário de Miguel Caetano em 24 Mai 07 18:30.Existe uma solução contra o Traffic Shaping ilegal. Netmax » http://www.zonafinal.com/netmax
Comentário de atlantic em 7 Jun 07 21:30.Divulguem! Vamos lutar contra o TS!