Profissão: músico e blogger Publicado 15 Mai 07
A Rede é fragmentária, convida à dispersão e às vezes não conseguimos juntar as peças todas a partir do emaranhado. Já tinha visto o hilariante vídeo de Code Monkey, uma música a gozar com o estilo de vida entediante e rotineiro dos programadores de software. Antes mesmo disso tinha passado os olhos por cima da entrevista de Merlin Mann com Jonathan Coulton, um músico a tempo inteiro que disponibilizou todas as suas faixas no seu site segundo uma licença Creative Commons BY-NC-SA que permite que os fãs possam remisturá-las à vontade desde que não envolva actividades comerciais. Mas na altura não associei o nome à faixa (PS: depois de ter escrito isto reparei que o vídeo de cima é apenas um entre vários mashups disponíveis no YouTube baseados na mesma faixa. O clip “semi-oficial” parece ser este)
No Domingo passado o jornalista free-lancer Clive Thompson publicou um artigo na New York Times Magazine com o título algo sensacionalista “Sex, Drugs and Updating Your Blog”, em que conta a história de Coulton e da banda Hold Steady para revelar a um público leigo a faceta desconhecida daquilo a que alguns já chamam de “Artista 2.0″, na medida em que passam por cima de todos os intermediários e vão directamente ao encontro dos fãs, respondendo-lhes aos emails e aos comentários no blog pessoal e página no MySpace.
O irónico é que Coulton era também ele um desses trabalhadores incansáveis fechados em cubículos durante horas intermináveis especados à frente de um ecrã de computador a dedilhar linhas de código informático. Desde Setembro de 2005 que o músico se dedica totalmente à sua paixão, compondo e dando concertos, gravando uma música por semana e disponibilizando-a no seu blog. O seu local de “trabalho” das 9 da manhã às 5 da tarde é uma cafetaria em Brooklyn, onde a partir de um computador portátil passa os dias a consultar o email e a tratar dos negócios. Alguns excertos do artigo em baixo:
Mais de 3000 pessoas, em média, visitavam diariamente o seu site e as suas músicas mais populares tinham sido descarregadas quase 500 mil vezes; ele estava a ganhar o que disse ser o suficiente para um “nível de vida de classe média” - entre 3.000 a 5.000 dólares por mês - através da venda de CDs e de downloads digitais do seu disco no iTunes e no seu próprio site
(…)
Coulton apercebeu-se que ele podia fazer uma pesquisa de opinião aos membros da sua audiência online, descobrir onde é que eles viviam e montar uma invasão táctica em qualquer cidade com mais de 100 fãs, o que lhe permitiria ganhar provavelmente 1.000 dólares por concerto. É uma abordagem flashmob às digressões: ele surge de repente em cidades fora dos grandes centros
(…)
Ao todo, 41 por cento do rendimento de Coulton provém das vendas de música digital, três quartos dos quais são efectuadas directamente a partir do seu próprio site. Outros 29 por cento do seu rendimento vêm das vendas de CDs; 18 por cento resultam das vendas de bilhetes para os seus concertos ao vivo. Os 11 por cento finais resultam de T-Shirts, frequentemente compradas online.
Nos vídeos da entrevista com Merlin Mann que acompanham este post Coulton adianta mais pormenores. Mas este é apenas o exemplo mais famoso de entre todos os artistas que já compreenderam que a Internet e a capacidade de comunicar directamente com os seus admiradores que ela oferece é o que lhes garante a possibilidade de uma carreira musical. Mas existem outros espalhados pela Rede, como o holandês Marco Raaphorst. Um dos artistas pioneiros no estabelecimento de uma relação directa com o público foi o japonês Damo Suzuki, ex-vocalista dos Can, a fabulosa banda alemã representante do som Krautrock que marcou os anos 70. Desde 1998 que Suzuki anda em digressão pelo mundo, improvisando e dando voz aos sons produzidos por músicos locais desconhecidos, formando assim uma rede colaborativa chamada D.A.M.O (Damo Suzuki’s Network). Em Lisboa, os escolhidos foram os Caveira. Muito antes da histeria em torno do MySpace, o artista já tinha uma página de chat no seu site onde qualquer pode entrar e trocar algumas palavras.
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[...] Het braziliaanse blog remixtures.com linkt naar mijn post. Daar vind je ook een paar aanvullende video-interviews met Jonathan Coulton. Lees- en kijkvoer [...]
Comentário de Marco Raaphorst » Blog Archive » Jonathan Coulton: een voorbeeld em 16 Mai 07 06:47.[...] entre o grassroots e o astroturfing, para utilizar as palavras de Jonathan Coulton, esse sim, um verdadeiro músico “auto-publicado” que ganhou fama graças aos seus vídeos no YouTube. Leiam também as opiniões de Bob Lefsetz [...]
Comentário de O YouTube e a ascenção dos falsos amadores em 10 Set 07 19:36.[...] modelo da periodização da música já foi adoptado com muito sucesso pelo músico autopublicado Jonathan Coulton que durante um ano publicou uma nova canção por semana. Outros artistas têm criado serviços de [...]
Comentário de Milionário Mark Cuban acha que o álbum está morto | Remixtures em 23 Jan 08 23:18.