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Trent Reznor acusa Universal de roubar fãs dos NIN Publicado 17 Mai 07

O vocalista e frontman dos Nine Inch Nails acusa no seu site a Universal Music Group, empresa-mãe da Interscope, a actual companhia discográfica da banda, de roubar os consumidores ao cobrar preços exorbitantes pelo seu novo disco Year Zero.

Antecedendo o lançamento oficial a 17 de Abril, Reznor preparou um jogo de realidade alternativa (ARG) que se destinava a funcionar como uma campanha de marketing viral de promoção das novas músicas; contudo, a brincadeira acabou mal, com os advogados da Universal a ameaçarem alguns fãs da banda. Mais recentemente, disponibilizou três faixas do álbum no Pirate Bay para download e remixagem. Agora o músico veio a público declarar honestamente os seus sentimentos em relação à indústria musical.

Reznor diz compreender porque é que, com os preços tão elevados cobrados pelas companhias discográficas, muitas pessoas optem por “roubar a música”. De acordo com o que um representante da Interscope lhe afirmou o custo absurdo do disco deve-se ao facto de os NIN terem “uma audiência fiel que está disposta a pagar seja o que for quando lanças algo”, ou seja, “fãs de verdade”. Assim, segundo a lógica do modelo de negócios da indústria a fidelidade deve ser “recompensada” com preços mais elevados…

O problema é que, por mais que isto desagrade ao músico, ele continua agarrado a um contrato assinado com a sua actual companhia discográfica que o obriga ao lançamento de mais um álbum. Por isso, não há muita coisa que Reznor possa fazer por agora de modo a assegurar que “a música e os produtos que os NIN lançam no mercado possuam valor, substância e vos levem a considerar adquiri-los” a não ser proibir o lançamento de um maxi-single baseado na faixa “Capital G”.

Nisto tudo só não compreendo muito bem porque é que Reznor continua a utilizar o estafado verbo “roubar” para se referir aos downloads de música em redes de partilha de ficheiros. Pensava eu que sendo ele um dos artistas com maior intuição dos gostos e comportamentos do seu público tinha já compreendido que a cópia de músicas a partir de Internet não deve ser comparada com o acto de roubar um disco de uma loja.

Por detrás desta analogia perigosa e demagógica permanece a concepção romântica de que toda a obra de arte é uma forma de propriedade, o que é completamente falso: apenas o objecto tangível e material como um CD ou um quadro podem pertencer a alguém. Na medida em que existe uma tecnologia capaz de produzir um número infinito de cópias a um preço nulo, torna-se ridículo querer obrigar as pessoas a pagarem apenas pela música em si. Com a Internet e outras armas de cópia massiva, passa a ser necessário obter o dinheiro por outras vias, dado que o valor da música é zero. O mesmo aconteceria se se conseguisse inventar uma tecnologia capaz de reproduzir peças de roupa, alimentos, petróleo e outros bens essenciais a partir do bem duplicado: ninguém estaria disposto a pagar ao criador original.

Quando eu ouço um autor ou criador de qualquer espécie a lamuriar-se de que a sua arte está a ser roubada por “piratas”, dá-me vontade de lhe dar uma esmola, tal e qual como se fosse um pedinte. Penso que isso é o que se faz quando se sente pena de alguém. Ora, quanto a mim este sentimento está a milhas de distância da exaltação mística e da admiração intelectual que os maiores artistas provocam em mim e que geram uma total identificação com eles. Talvez seja por isso que alguns digam que a arte é uma forma de religião. Nesse sentido, o seu valor está em simultâneo muito aquém e além daquele que o mercado lhe reserva, porque implica uma relação que não é estritamente quantificável e racionalizável. Pena é que muitos músicos atraiçoem frequentemente a confiança depositada neles com a miragem do dinheiro fácil a curto prazo…

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1 resposta a “Trent Reznor acusa Universal de roubar fãs dos NIN” :

  1. [...] que as suas toadas frequentes a favor da partilha de músicas pelos seus fãs têm. As suas atitudes provocatórias contra a Universal, a (ainda) discográfica e distribuidora da banda, as críticas que tece ao [...]

    Comentário de Remixtures » Blog Archive » Música livre é marketing viral em 13 Nov 07 15:54.
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