We7 de Peter Gabriel oferece música com publicidade

by Miguel Caetano on Maio 1, 2007

We7

Parece que a moda pegou. Depois do SpiralFrog e do Qtrax é agora a vez de Peter Gabriel lançar o We7, outro serviço de música online baseado em publicidade que oferece downloads gratuitos de ficheiros MP3 sem DRM (via The Register). Cada faixa irá incluir no início um anúncio com a duração de 10 ou menos segundos, sendo o lucro gerado distribuído entre os artistas. As músicas deverão ter um bit rate de 192 Kbps.

Os anunciantes deverão pagar entre 0,30 a 0,60 libras (44 a 88 cêntimos de euro, respectivamente) e o utilizador pode ver-se livre do anúncio depois de entre três a cinco audições – se bem que no site apenas se mencione que existe a possibilidade de remover a mensagem publicitária quatro semanas depois de se ter escutado a faixa pela primeira vez; não se sabe é se se terá que pagar alguma coisa em troca…

A tecnologia empregue, e que poderá ser dentro em breve patenteada, irá permitir reproduzir o anúncio numa música mesmo quando o utilizador não está online. As mensagens comerciais serão personalizadas, tendo em conta características demográficas como idade, sexo e área de residência. À semelhança da Last.fm, o We7 também deverá incluir a partir de Junho uma ferramenta de recomendação social, através do qual uma “comunidade de provadores” composta por artistas e fãs poderá avaliar novas bandas de modo a determinar quais as que devem ser publicadas no site, segundo indica a TechWeb.

Apesar de não contar com o apoio de nenhuma das quatro majors, Peter Gabriel lança-se nesta iniciativa em colaboração com o empresário de tecnologia Steve Purdham – que desempenhará as funções de director executivo – e o consultor financeiro John Taysom. Por enquanto o We7 encontra-se ainda numa fase beta, incluindo apenas músicas de artistas como Coolio, Dave Matthews Band e Hall & Oates. Prevê-se que em Julho, por alturas do lançamento oficial, o site venha a incluir alguns milhares de faixas o que, mesmo assim, será ainda manifestamente pouco se quiserem concorrer com o iTunes que conta já com mais de um milhão de músicas no seu catálogo.

Embora o espaço da música grátis financiada por publicidade pareça cada vez mais saturado, não me parece que este seja o rumo para a saída da crise da indústria musical. O que é facto é que as pessoas não suportam publicidade demasiado intrusiva, ainda para mais quando se baseia em sistemas de personalização que podem comprometer a sua privacidade. O destino da música está nas mãos dos utilizadores e são eles que têm hoje o poder de escolher como fazer uso do seu precioso tempo. E há muita gente que não está disposta a perder dez segundos inutilmente quando há sempre outras alternativas livres.

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