É impossível não reparar neles, já que estão em todo o lado na Web. São links para ficheiros em serviços centralizados de alojamento em servidores. Filmes, jogos e discos que ainda nem chegaram às prateleiras das lojas estão desde logo disponíveis nesses sites gigantescos como RapidShare, MegaUpload, 4Shared, YouSendIt e dezenas de outros.

O episódio mais recente Um dos episódios mais recentes e polémicos no mundo da música de um álbum que acabou “vazando” semanas antes do dia de lançamento oficial num desses serviços foi o relacionado com Icky Thump, o aguardado novo longa duração dos White Stripes. O disco é hoje lançado no Reino Unido e Europa e amanhã nos Estados Unidos, mas na verdade já desde final de Maio que ele andava em circulação. Isto porque no dia 30 desse mês, DJ Electra, animadora da estação de rádio Q101-WKQX de Chicago, tocou no seu programa todas as faixas de uma cópia não autorizada que tinha recebido através de um link para o YouSendIt. Furibundo, Jack White pregou uma descompustura à radialista por telefone a partir de Espanha, culpando-a por contribuir para a ruína da indústria musical. Mas a garrafa já estava destapada…
Porque é que serviços centralizados como este se têm vindo a tornar mais populares que as redes P2P de partilha em massa entre desconhecidos como a Bittorrent e a eDonkey? Será que é porque os utilizadores ainda não conhecem outras plataformas privadas de partilha e colaboração? Ou porque à excepção de um processo na Alemanha contra o Rapidshare, estes sites ainda não foram alvo da cobiça dos detentores de direitos?

À semelhança do Youtube, apenas basta uma pessoa fazer o upload – sem ser necessário registo – e distribuir o link do conteúdo carregado por email ou através do seu blog. A diferença é que são permitidos todos os tipos de formato de ficheiros. Aliás, quase todos os blogs de MP3s que disponibilizam álbuns completos recorrem aos serviços destas empresas. Os mais populares impõem limites ao tamanho dos ficheiros (RapidShare: 100 MB; MegaUpload: 500 MB), outros não. Podem ver um quadro comparativo na Wikipedia.
Para quem é egoísta e não gosta de compartilhar é claro que é muito mais fácil ter o “material” pretendido numa questão de um ou dois cliques, sendo apenas obrigado a esperar mais ou menos um minuto para que o pacote chegue ao seu disco rígido. Para além disso, em muitas jurisdições nacionais é apenas o uploading que é punido legalmente. Por outro lado, as velocidades são geralmente muito mais rápidas que em BitTorrent.
Mas para quem efectua quantidades enormes de downloads o processo nem sempre é expedito. Isto porque as empresas obrigam o utilizador não registado a esperar uma série de horas até que possa aceder ao seu próximo download. Apenas os subscritores das modalidades comerciais Premium têm acesso imediato a tudo o que querem. Embora existam muitos mecanismos para contornar esses limites (RSK, iRapidDownloader, Youhide.com, Rapget.com, Bypassproxyonline.com…), a experiência final acaba por ser um desperdício de tempo, resultando até por vezes num sentimento de frustração. Até porque muitas vezes o pacote recebido acaba por ser outra coisa completamente diferente da que se estava à espera.

Seja como for, actualmente o RapidShare e o MegaUpload dizem que transferem mais de uma centena de Terabytes de dados por dia, como afirma Janko Roettgers no NewTeeVee. Outro indicador – se bem que não muito fiável – da sua enorme popularidade é o facto de aparecerem nos números 13 e 18 na lista do Alexa, muito à frente de qualquer tracker de BitTorrent – o Mininova, o mais bem posicionado, só aparece na 145ª posição. Segundo o mesmo artigo, o MegaUpload afirma ter mais de 1,5 milhões de visitantes únicos por dia, ao passo que o RapidShare transfere algumas centenas de Terabytes por dia. No total, a empresa alemã sedida na Suiça responsável por este serviço afirma ter 1500 Terabytes de espaço em disco rígido e uma ligação de 110 Gigabytes à disposição dos seus clientes.
Em volta destes novos gigantes da Web começou a despontar um ecossistema de motores de pesquisa e repositórios de links que ajudam o internauta a encontrar o filme, álbum, jogo ou software cobiçado. Um dos mais populares para a descoberta de música nova é o Album Base, que afirma ter já apresentado links para mais de 276 mil discos (para cima de 15 mil só durante o último mês). É preciso ter sorte para encontrar um link que esteja realmente a funcionar, porque a RapidShare e a MegaUpload, assim como outras empresas de alojamento num só clique removem os conteúdos distribuídos ilegalmente sempre que são notificados pelos detentores dos direitos de autor. Porém, uma vez que esta é a única obrigação legal a que estão vinculados, elas não têm que actuar de um modo proactivo.

Para todo o tipo de conteúdos, existe o Link.io, o Filez.com e o Katz.ws. O Rapidfox.net e o ShareMiner limitam-se a utilizar o Google para fazer a pesquisa. A subsistência destes sites a médio prazo é dúbia: apesar de poderem argumentar em sua defesa que não alojam nenhum dos ficheiros e que se limitam a direccionar as pessoas no sentido do que procuram, é pouco provável que esta tese venha a ser aceite por um juiz. Aproveitem pois enquanto podem, mesmo que lhe possa vir a sair algo indesejado nestas rifas. É que raramente se tem acesso prévio aos metadados do pacote em questão, incluindo a qualidade de compressão dos ficheiros.
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