A verdadeira importância do P2P Publicado 23 Jun 07
Por mais que certas empresas de análise do P2P proclamem que os seus estudos são o mais isentos e científicos possíveis, os resultados finais acabam sempre por reflectir os interesses comerciais concretos dessas empresas no mercado. Na semana passada a companhia Ellacoya revelou uma pesquisa que dava conta de que o tráfego de HTTP tinha superado o tráfego de P2P. Este estudo parece ter sido baseado num outro divulgado em Fevereiro que já dava conta desta alteração no cenário da Internet.
Contudo, até há bem pouco tempo os dados disponíveis indicavam que o protocolo BitTorrent por si só representava mais de 60 por cento de todo o fluxo de informação na Internet. Como é que num curto espaço de tempo os sites da Web 2.0 e em especial os de partilha de vídeo como o YouTube poderiam ter ultrapassado em termos de utilização as redes distribuídas de partilha de ficheiros?
A Slyck decidiu investigar mais a fundo estes dados de forma a confirmar se eles eram fidedignos ou não. Para tal entrou em contacto com a Oversi, uma empresa israelita especializada no caching de tráfego de P2P. A perspectiva de Eitan Efron, vice-presidente de marketing da Oversi, é completamente oposta à da Ellacoya, chegando mesmo a afirmar que o tráfego de P2P continua a ser o protocolo dominante na Internet.
Descobrimos que os verdadeiros números do P2P são muito mais elevados (pelo menos 50 a 60 por cento do tráfego total) na maior parte das regiões e dos ISPs chegando em alguns casos a atingir os 80 por cento (mesmo actualmente).
Convém, no entanto, também interpretar esta leitura do panorama com um grão de sal. Isto porque o negócio da Oversi depende da permanência do domínio do tráfego de P2P, exactamente ao contrário do que acontece com a Ellacoya. Onde é que estará verdade?
Talvez no meio das duas posições, como parecem indicar os resultados da Sandvine. No mesmo post em que dei conta da versão inicial do estudo da Ellacoya, fiz também referência a outra pesquisa da Sandvine baseado numa amostra de 2,7 milhões de ligações de banda larga na América do Norte que concluía que o tráfego HTTP empregava 38 por cento da largura de banda da rede em comparação com os 36 por cento representados pelo P2P. Mas este pequeno avanço do peso do fluxo de dados transmitido através da Web é, mesmo assim, bastante inferior aos 9 por cento que de acordo com a Ellacoya separam actualmente os dois tipos de protocolo da Internet.
É preciso estar atento a estes dados porque o aumento exponencial do tráfego do HTTP, e sobretudo aquele ligado aos sites de partilha de vídeos como o YouTube, poderá colocar alguns problemas de congestionamento da Internet a médio-longo prazo, sem falar nos eventuais riscos de controlo da Rede por plataformas privadas com tendências monopolistas.
Já o recurso à tecnologia de P2P poderia contribuir para resolver muitos destes eventuais problemas, como refere um estudo recente citado pela Technology Review (via P2P Blog) onde se conclui que “uma maior utilização de comunicações peer-to-peer poderia melhorar a capacidade global da Internet e fazer com que ela funcionasse mais rapidamente. Ao elaborarem um “mapa” da Rede, investigadores israelitas descobriram que para além da sua estrutura hierárquica, ocorrem uma série de relações entre pares que são bastante importantes para a continuidade das comunicações entre os nós em caso de ruptura do núcleo.
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[...] de administração de tráfego de rede aos fornecedores de acesso à Internet têm sido bastante contraditórios quanto a esse aspecto, com umas a dizerem que o tráfego de HTTP relativo a serviços de streaming [...]
Comentário de Congestionamento da rede: a culpa já não é do P2P | Remixtures em 24 Abr 08 17:24.