Será que os artistas continuam a precisar das companhias discográficas?

by Miguel Caetano on Junho 13, 2007

Talvez, para os que querem vender milhões de discos e obter contratos milionários. Mas mais tarde ou mais cedo os executivos das majors vão descobrir que existem outras receitas de sucesso a longo prazo sem ser as fórmulas fáceis promovidas massivamente junto dos apreciadores de música no sentido de obter vendas com estrelas globais evanescentes.

Por enquanto, contudo, tal não parece ser ainda o caso como podemos-nos dar conta ao lermos uma entrevista no site da IFPI com Max Hole, presidente da região Ásia-Pacífico e vice-presidente executivo da divisão de Marketing e A&R da Universal Music Group (via ZeroPaid). Dada a facilidade com que qualquer banda pode hoje em dia fazer música e distribuí-la de borla através da Internet, Hole parece admitir que as companhias discográficas não exercem actualmente qualquer papel relevante para além das funções relacionadas com marketing e relações públicas.

Do ponto de vista de Hole, as gravadoras “ajudam (os artistas) a concretizarem o seu potencial graças aos seus conhecimentos em A&R, promoção, marketing e vendas, para além de lhes disponibilizarem dinheiro”, até porque muitos artistas preferem encarregar outras pessoas dessas funções empresariais e promocionais.

É verdade que, como Hole refere, a geração surgida a partir do MySpace como The Arctic Monkeys e Lilly Allen não apareceu do nada pois precisaram do apoio de uma gravadora por trás. Esse mesmo ponto é salientado por Andrew Dubber, investigador da indústria musical e autor do blog NewMusicStrategies.com no seu ebook recentemente publicado intitulado “20 Coisas que Devem Saber Sobre a Música Online”. Segundo Dubber, os artistas e o público têm que distinguir o hype da realidade e compreender que a tecnologia não muda tudo: não basta criar uma página no MySpace e dirigir-se directamente aos fãs sem passar pelos intermediários. Isto porque estes poucos casos de sucesso implicaram relações públicas, campanhas de promoção junto dos media tradicionais e, claro, muito dinheiro…

A questão é que como Dubber esclarece numa entrevista ao blog Hometracked hoje em dia uma banda pode alcançar uma fonte de rendimentos bastante razoável – ainda que não ao nível do tradicional estilo de vida das vedetas da Pop… – sem precisar de gravar um disco ou investir balúrdios em esforços promocionais. E para demonstrar o seu ponto de vista explica como é que um grupo pode iniciar uma campanha online com apenas 500 dólares na mão.

O problema é que as majors não se dão por contentes com a sua insignificância e como Hole dá a entender, exigem uma fatia maior do bolo:

Até agora as companhias discográficas contribuíram com grande parte do investimento financeiro para tornar um artista num sucesso mas não beneficiaram das receitas geradas com os concertos, merchandising, patrocínios, composição, etc. a partir do momento em que o êxito é alcançado. A fatia do bolo da companhia discográfica está a encurtar ao passo que todos os outros segmentos estão a crescer, pelo que precisamos de nos adaptar

Mas será que os 90 por cento de custos apoio financeiro e marketing representados no preço final de venda de um CD já não é mais do que suficiente?

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