Uma licença para a caridade Publicado 21 Jun 07
Jamison Young, um cantor-compositor de origem australiana mas baseado em Praga, na República Checa, que se assume como artista independente - no sentido de, nas suas palavras, não ter vendido a sua vida, carreira e obras criativas a uma empresa - teve uma ideia engenhosa que visa permitir que outros artistas independentes possam exercer a sua actividade musical sem serem explorados pelas sociedades de gestão colectiva de direitos de autor e companhias discográficas, aproveitando ao mesmo tempo para ajudarem as organizações de caridades.
Daí surgiu o Hungry Artistas Feed Hungry People (HAFHP - “Artistas Esfomeados Dão de Comer a Pessoas Esfomeadas”), um projecto inspirado nas Creative Commons de modo a oferecer aos artistas a possibilidade de usarem uma licença em que poderiam ceder os direitos comerciais de utilização da música para uma caridade à sua escolha. Graças a esta licença não-exclusiva, as instituições poderiam usar as obras doadas para angariar donativos sem as tradicionais restrições impostas pelas sociedades de gestão colectiva de direitos de autor.

Para o artista, seria uma forma de ver o seu trabalho promovido por todo o mundo ainda por cima associado a acções de beneficiência. Para além disso, disporia também da liberdade de escolher o custo de utilização comercial dos conteúdos. Essa quantia seria directamente paga pelo utilizador à instituição beneficiada.Young refere no OpenBusiness que uma licença deste tipo poderá ser muito útil no âmbito de um projecto colaborativo com um aspecto comercial:
Um grupo de criadores junta-se e quer fazer um filme. Eles não têm patrocinador mas licenciam todos os eventuais ganhos comerciais do projecto a uma organização de caridade. Mais tarde conseguem arranjar um patrocinador. O patrocinador não irá apenas financiar o projecto mas também a instituição escolhida. Isto iria resolver vários problemas que afectam projectos colaborativos.
Se estiverem interessados em saber mais visitem o site ou o MySpace do projecto. A propósito, não deixem de ouvir o disco do Jamison Young, Shifting Sands of a Blue Car, composto de 12 faixas marcadas por uma sonoridade intimista e folk, com letras new age mas subtis q.b. e alguma electrónica pelo meio, reflectindo influências tão diversas como Pink Floyd, The Orb e Beta Band. Disponível segundo uma licença CC-BY-3.0.
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