Apesar das vendas de CDs continuarem a deslizar por aí abaixo nos Estados Unidos, as companhias discográficas ainda pensam que vão a tempo de reverter a situação e impedir a morte do CD com a aposta nos conteúdos exclusivos de forma a oferecer uma melhor experiência ao consumidor. Veja-se por exemplo o novo formato CDVU+ (CD view plus) que a Disney anunciou esta quarta-feira através da sua gravadora Hollywood Records. No disco encontram-se uma revista digital contendo vídeos, fotos de alta resolução, letras das músicas e outros extras.
É verdade que a indústria de entretenimento tem vindo a introduzir formatos alternativos desde a chegada do disco compacto – todos com resultados pouco encorajadores – pelo que se trata mais de uma estratégia de marketing do que uma novidade tecnológica. Mas o que o CDVU traz de novo é que substitui a caixa tradicional de plástico com uma embalagem reciclada. Por outro lado, não há dúvida que o CDVU+ vem num momento bastante oportuno em que os fãs de música querem obter mais valor do produto que adquirem, tal como os extras que levam muitos cinéfilos a comprarem DVDs de filmes.
Mas muitos analistas e bloggers foram rápidos a prognosticar o fracasso do novo formato, ao evidenciar os dados relativos às vendas de CD nos Estados Unidos durante o primeiro semestre de 2007 que apontam para uma diminuição das vendas em 19,3 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior e um crescimento de 60 por cento dos downloads digitais.
Contudo, esses críticos esqueçem-se de assinalar que o CD representa ainda 80 por cento de todas as vendas de álbuns, ao passo que o digital parece dar sinais de estagnar em cerca de 10 por cento do valor global de vendas. Assim como há milhões de apreciadores de música que migraram completamente para o formato digital – em que a grande maioria continua a recorrer a “expedientes” ilegais -, também há muitos consumidores que preferem possuir um objecto físico que oferece uma melhor qualidade sonora, letras, imagens e informação adicional sobre o artista e o disco.
Quanto mais conteúdos adicionais as gravadoras acrescentarem a esse artefacto, maior será o número de pessoas que irá querer comprá-lo – desde que, obviamente, o preço final cobrado não aumente ainda mais ou pelo menos muito mais… Numa era dominada pela cauda longa e por uma profusão de nichos, a multiplicação de formatos e fontes de rendimento é uma receita essencial para a sobrevivência do negócio da música.
Não existem artigos relacionados.



{ 3 trackbacks }
{ 2 comments… read them below or add one }
Alô Miguel,
não sei se vc chegou a dar uma olhada lá em meu Blog, mas há uma gravadora brasileira que há bastante tempo oferece “pacotes” muito interessantes, com uma série de conteúdos em seus “boxes”. Chama-se Essence Music (http://www.essence-music.com)
Abs.