Num post anterior referi algumas aplicações que tentam oferecer aos músicos que querem colaborar entre si a possibilidade de participarem numa jam session online em tempo real. Como eu expliquei na altura, o grande problema continua a ser o da latência, isto é, a quantidade de tempo que um pacote de dados demora a viajar da origem ao seu destino. Isto faz com que cada músico seja obrigado a tocar com alguns segundos de diferença dos outros.
Mas se tocar em conjunto ao vivo através da Internet ainda não é totalmente possível hoje em dia, existem muitas outras soluções de colaboração online à distância para a composição e produção de música. É bem certo que algumas já existiam muito antes de surgir toda a histeria actual à volta da Web 2.0 e os milhões em capital de risco que inevitavelmente inundam os bolsos dos fundadores destas iniciativas de participação.
Contudo, se antes o processo de colaboração se encontrava restrito apenas àqueles com uma maior familiaridade com a tecnologia e com disposição para utilizarem ferramentas com interfaces frequentemente pouco intuitivos, sites como o Kompoz e o Indaba Music facilitam e flexibilizam ainda mais a criação musical online.
Estes sites associam as funcionalidades de uma rede social como o MySpace e integrarem ferramentas hoje em dia tão em voga como tags, páginas pessoais, blogs, sistema de mensagens privadas, leitores flash que podem ser inseridos noutros blogs e sites através de widgets, listas de “amigos”, espaços para projectos colaborativos onde os utilizadores podem ir acrescentando instrumentos, etc. Podem ler uma entrevista com Raf Fiol, o fundador do Kompoz, no New Music Strategies de Andrew Dubber. Foi a partir dos comentários desse que também fiquei a conhecer o Indaba.
Apesar de a ideia não ser propriamente original, tanto o Kompoz como o Indaba Music demonstram a quem ainda não tenha percebido que a era da música registada em disco, em que o som estava condenado a uma prisão permanente no suporte físico inicial, tem os dias contados. Isso abre novas possibilidades criativas como a irrupção em massa de um estatuto da obra de arte como obra aberta, um work-in-progress permanente em que o ouvinte pode também ele participar no processo, contribuindo desta forma para uma diluição progressiva da barreira convencional entre autor/consumidor.
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