Colaboração assíncrona entre músicos na era da Web 2.0

by Miguel Caetano on 10 de Julho de 2007

Num post anterior referi algumas aplicações que tentam oferecer aos músicos que querem colaborar entre si a possibilidade de participarem numa jam session online em tempo real. Como eu expliquei na altura, o grande problema continua a ser o da latência, isto é, a quantidade de tempo que um pacote de dados demora a viajar da origem ao seu destino. Isto faz com que cada músico seja obrigado a tocar com alguns segundos de diferença dos outros.

Mas se tocar em conjunto ao vivo através da Internet ainda não é totalmente possível hoje em dia, existem muitas outras soluções de colaboração online à distância para a composição e produção de música. É bem certo que algumasexistiam muito antes de surgir toda a histeria actual à volta da Web 2.0 e os milhões em capital de risco que inevitavelmente inundam os bolsos dos fundadores destas iniciativas de participação.

KompozContudo, se antes o processo de colaboração se encontrava restrito apenas àqueles com uma maior familiaridade com a tecnologia e com disposição para utilizarem ferramentas com interfaces frequentemente pouco intuitivos, sites como o Kompoz e o Indaba Music facilitam e flexibilizam ainda mais a criação musical online.

Estes sites associam as funcionalidades de uma rede social como o MySpace e integrarem ferramentas hoje em dia tão em voga como tags, páginas pessoais, blogs, sistema de mensagens privadas, leitores flash que podem ser inseridos noutros blogs e sites através de widgets, listas de “amigos”, espaços para projectos colaborativos onde os utilizadores podem ir acrescentando instrumentos, etc. Podem ler uma entrevista com Raf Fiol, o fundador do Kompoz, no New Music Strategies de Andrew Dubber. Foi a partir dos comentários desse que também fiquei a conhecer o Indaba.

IndabaApesar de a ideia não ser propriamente original, tanto o Kompoz como o Indaba Music demonstram a quem ainda não tenha percebido que a era da música registada em disco, em que o som estava condenado a uma prisão permanente no suporte físico inicial, tem os dias contados. Isso abre novas possibilidades criativas como a irrupção em massa de um estatuto da obra de arte como obra aberta, um work-in-progress permanente em que o ouvinte pode também ele participar no processo, contribuindo desta forma para uma diluição progressiva da barreira convencional entre autor/consumidor.

Bookmark e Compartilhe

Artigos relacionados:

  1. SoundCloud: uma rede social para músicos e editoras
  2. Consolidação no mercado das comunidades online de remisturas: MixMatchMusic compra Mix2r
  3. Rifflet: um site para partilhar samples
  4. Lessig propõe novo modelo comercial para ccMixter
  5. WhoSampled: descobre quem samplou quem

This website uses IntenseDebate comments, but they are not currently loaded because either your browser doesn't support JavaScript, or they didn't load fast enough.

{ 4 trackbacks }

Remixtures » Blog Archive » Lessig propõe novo modelo comercial para ccMixter
14 de Novembro de 2007 ás 13:05
Riffworld - uma plataforma online de colaboração para músicos | Remixtures
8 de Fevereiro de 2008 ás 16:52
Rifflet: um site para partilhar samples | Remixtures
22 de Maio de 2008 ás 22:34
SoundCLoud: uma rede social para músicos e editoras | Remixtures
10 de Outubro de 2008 ás 22:37

{ 0 comments… add one now }

Leave a Comment

Previous post:

Next post: