Estudo conclui que P2P com publicidade tem futuro Publicado 11 Jul 07
Depois de ter rejeitado linearmente a utilização do Peer-to-Peer como veículo de distribuição dos seus conteúdos, a indústria cultural começa progressivamente a aperceber-se das enormes potencialidades das redes de partilha de ficheiros, sobretudo a nível da “monetização” através da publicidade.
A primeira a trilhar esse caminho foi a Qtrax, mas esta semana surgiu a notícia de que a Sprint assinou um contrato com a Atlantic Records para a distribuição de 16 milhões de ficheiros de músicas do rapper Plies pelas redes P2P com publicidade à operadora de telecomunicações incorporada nas faixas.
Mas a acreditar nos resultados de uma pesquisa que refere que os internautas norte-americanos são receptivos à visualização de vídeos com anúncios em troca de downloads grátis e legais, é provável que surjam entretanto outras empresas a quererem explorar as redes de partilha de ficheiros como mecanismo promocional.
Realizada pela empresa de estudos de mercado InfoSurv para a Intent Media Works, especializada na distribuição de conteúdos digitais, a pesquisa que foi realizada durante o mês de Maio, baseia-se numa amostra de 1000 internautas norte-americanos entre os 16 e os 40 anos.
Segundo o inquérito, 74 por cento dos inquiridos não se importam em ver anúncios durante a transferência de modo a obter conteúdos gratuitos ou com desconto, ao passo que 83 por cento afirmaram que teriam uma opinião positiva de anunciantes que possibilitassem que os consumidores acedessem a cópias legais e gratuitas dos ficheiros que procuram nas redes P2P. Mais ainda, 63 por cento dos inquiridos disseram que estão dispostos a conceder os seus dados pessoais para receberem músicas e vídeos de borla.
Menos convincente é o facto de que apenas 21 por cento dos participantes no estudo.
admitirem utilizar o P2P para obter downloads gratuitos, sendo que os restantes 78 por cento afirmam que recorrem às redes de partilha de ficheiros por outros motivos:
- 21 por cento porque o P2P oferece uma experiência de pesquisa mais fácil
- 17 por cento porque podem encontrar títulos individuais em vez de álbuns completos
- 13 por cento porque encontram conteúdos raros ou exclusivos
- 13 por cento para escutarem um título antes de o comprarem
Só estes dados já me fazem rir. Mas ainda mais piada tem esta fabulosa descoberta dos analistas da InfoSurv: 75 por cento dos indivíduos disseram que estavam dispostos a pagar por conteúdos descarregados de redes P2P de modo a obterem a cópia legal do ficheiro. De facto, esta conclusão é bastante plausível, não vos parece? Está assim explicada a razão do encerramento em catadupa de lojas de discos, bem como a diminuição das vendas de música registada em disco!
Basta olhar para os números da indústria e comprovar que as pessoas utilizam as redes P2P para acederem a músicas de borla. Mesmo assim, ainda dou o benefício da dúvida aos autores do estudo. É que uma coisa é o que as pessoas dizem e outra, completamente diferente, é o que elas fazem. E numa altura em que a perseguição legal da indústria de entretenimento parece não dar sinais de cessar tão cedo, é natural que poucos sejam aqueles que admitam a verdade.
Apesar de algumas conclusões do estudo serem pura e simplesmente absurdas, parece-me sensato acreditar que o futuro do P2P passe cada vez mais pela publicidade. Nesse sentido, é positivo que surjam mais anunciantes dispostos a atingir os internautas no ponto de consumo, através do patrocínio de downloads gratuitos. Resta saber é se essa publicidade não dificulta a experiência de navegação, tornando-se intrusiva e abusiva.
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