Um sinal de que as grandes estrelas da música Pop começam a aperceber-se de que podem remover os intermediários do esquema. Prince vai lançar o seu novo álbum Planet Earth no dia 24 de Julho. Mas é pouco provável que o disco acabe por chegar às superfícies comerciais da Grã-Bretanha. É que o jornal britânico Daily Mail vai oferecer dois milhões de CDs do cantor juntamente com o suplemento de domingo, como se fosse um extra só que completamente gratuito para o consumidor. E o melhor do negócio para o cantor é que ele irá receber uma quantia não especificada pelo próprio diário.
É claro que as críticas por parte da indústria musical não se fizeram esperar. Mas desta vez vieram de quem menos se ouve falar: as lojas de discos. Como se as coisas já não tivessem bastante complicadas para os seus lados – com o fim de grandes retalhistas como a Tower Records e a britânica Fopp -, agora vem um artista reputado dar mais uma machadada no negócio. “Como é que ele se atreve?”, interrogam-se. A verdade é que para além das companhias discográficas, as lojas de discos constituiram sempre um dos maiores obstáculos à passagem da indústria do sector para a distribuição digital. Um exemplo conhecido ocorreu quando os comerciantes ameaçaram as gravadoras quando estas tentaram estabelecer um acordo com o Napster.
Agora as cadeias comerciais ameaçam também Prince de retirar os seus discos dos pontos de venda. Alguns chegam ao extremo de ameaçar qualquer outro artista que se atreva a repetir a façanha. O problema é que estas pessoas ainda não se deram conta de que o serviço que disponibilizam, isto é, distribuir rodelas de plástico, assenta num modelo de negócio em vias de desaparecer.
Mas quem tem poucos motivos para se preocupar é o próprio Prince. Depois de uma tentativa falhada em 2004 de lançar uma loja online para a venda de downloads de música por 99 cêntimos cada faixa. “O Artista” assegura desta forma uma nova oportunidade de chegar a um maior número de pessoas, o que em consequência lhe abrirá fontes adicionais de receitas como concertos, merchandising e patrocínios. Para um cantor como ele, que toda a gente conheçe – ainda que ninguém se lembre de ter ouvido uma música de jeito dele nos últimos anos… -, é muito mais fácil lançar um disco novo através da sua própria gravadora e dispensar os serviços tradicionalmente cobrados pelas majors, como a promoção nas rádios e nos media em geral e a distribuição comercial junto das lojas.
Da mesma forma, o Daily Mail também fica a ganhar porque consegue aumentar excepcionalmente a sua circulação. Ao acrescentar um produto apetecível à edição em papel, o jornal consegue cativar o interesse do leitor pela compra.
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A acrescentar, ele ainda tem o “outro golpe”: vai oferecer o CD nos concertos dele… Enfim, de tudo de mal que se pode apontar ao Prince, ele ao menos está consciente que é preciso arranjar novos modelos de negócio, e ele safou-se criando o seu. Aqueles que o criticam (que deixam de fazer dinheiro com o Prince) poderiam era ter a mesmo tipo de reflexão e entender que o negócio deles está em risco, visto que são meros intermediários sem acréscimo de valor à cadeia… E, também eles, reinventar os seus modelos de negócio, em vez de reclamarem e ameaçarem aqueles que se inovam.
É verdade. Mas sinceramente não vejo grande futuro para as lojas de discos. A grande maioria vai acabar por desaparecer ou ser integrada em cadeias comerciais maiores. Talvez as únicas que subsistam seja aquelas especializadas em vinil…