Adeus DRM, olá marca de água digital Publicado 21 Ago 07
2007 ficará definitivamente marcado pelo lento abandono da DRM ou Gestão de Direitos Digitais no sector da música digital. Para além da ineficácia deste tipo de tecnologia ter sido repetidamente confirmada ao longo dos últimos anos, os consumidores têm vindo a manifestar uma antipatia crescente para com as empresas que recorrem a elas nos serviços de downloads legais de músicas. Por outro lado, é bem conhecida a incompatibilidade entre formatos, lojas e serviços de DRM das principais fabricantes de hardware e software - Apple e Microsoft incluídas. Lentamente as majors começam a aperceber-se disso - primeiro a EMI em Abril e há poucas semanas a Universal.
No caso desta última, porém, rapidamente se ficou a saber que os MP3s adquiridos pelos consumidores deverão integrar watermarks ou marcas de água digitais. Esta notícia fez espalhar o rumor de que a decisão da Universal de vender música sem DRM não passava de um truque secreto para apanhar os “piratas” que decidissem partilhar as faixas em redes P2P. Felizmente que o boato foi em pouco tempo desmentido pela própria Universal, que explicou que as marcas de água apenas se destinam a averiguar qual a percentagem de música sem DRM que acabará por ir parar a redes de partilha de ficheiros.
Nem por isso esse desmentido aliviou a consciência de muito boa gente com receio de ser apanhada em falso e acusada por uma ilegalidade que não cometeu. Ao contrário da DRM, as marcas de água digitais oferecem uma interoperacionalidade entre dispositivos e formatos e uma vez que os dados são integrados na própria faixa sob a forma de um sinal áudio inaudível ao ouvido humano (e não apenas no ficheiro digital), não basta gravar as músicas para CD e voltar a copiá-las para o computador para removê-los.
Mas será possível utilizar a tecnologia de marca de água digital como base para um modelo de negócio e não como simples ferramenta de controlo? Esta parece ser a proposta da empresa Activated Content Corp. de Seattle que de acordo com um anúncio oficial publicado na quarta-feira passada, adquiriu uma licença de utilização da tecnologia de marca de água áudio à Microsoft. A companhia já oferece uma vasta gama de serviços relacionados com watermarking mas agora o objectivo passa por utilizar a tecnologia como ferramenta de publicidade.
O comunicado não explica muito bem como é que a Activated Content pretende utilizar a tecnologia da Microsoft, mas no site da empresa podemos encontrar mais pistas. Por exemplo, num white paper intitulado “The Future of Watermarking” (via Ars Technica) a empresa explica como a marca de água pode ser utilizada para fornecer publicidade personalizada ao ouvinte, independentemente de este ser o legítimo proprietário da versão original e legal da música ou não. O mesmo pode ser teoricamente aplicado a um ficheiro de vídeo ou texto.
É evidente que isto significa uma enorme mina de ouro em potência para os anunciantes mas será que isto não compromete a privacidade do consumidor? É que nem toda a gente gosta de sentir que todos os seus passos no mundo online e offline estão a ser vigiados por uma entidade sob a qual não tem nenhum controlo…
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Comentário de acineeniut em 5 Out 08 23:37.