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Miúdos europeus pouco preocupados com riscos de partilha de ficheiros Publicado 14 Ago 07

Aparentemente a nova geração de europeus conhece muito bem os riscos dos downloads considerados ilegais mas dá pouca importância aos argumentos apresentados pelos representantes da indústria de conteúdos de que se tratam de um assalto declarado ao bolso dos artistas.

“Nós pagamos porque gastamos megabits”: a resposta frontal e arguta demonstra bem a esperteza de um grupo de rapazes portugueses entre os 12 e os 14 anos que respondeu a uma pesquisa do Eurobarómetro. De acordo com o raciocínio destes miúdos, tendo os pais já pago a factura mensal da ligação à Internet não faz sentido serem obrigados a pagar outra vez para acederem aos mesmos conteúdos - isso sim é que para eles é um roubo.

Este estudo, intitulado Safer Internet for Children, foi encomendada pela Direcção-Geral para a Sociedade de Informação e os Media da Comissão Europeia intitulada, analisa os usos que as crianças europeias fazem da Internet e dos telemóveis, o seu comportamente online e as suas percepções sobre os riscos e o grau de segurança quando utilizam a Rede.

A pesquisa abrangeu rapazes e raparigas de 27 Estados-membros, bem como da Islândia e da Noruega pertencentes a duas faixas etárias: aqueles entre 9 e 10 anos e aqueles entre 12 a 14 anos. Todos os inquiridos dispunham da possibilidade de aceder e utilizar a Internet pelo menos uma vez por mês.

No que toca aos downloads “ilegais”, a opinião generalizada é de que toda a gente o faz - incluindo os próprios pais -, pelo que os miúdos sentem-se moralmente justificados quando o fazem. Muitos - sobretudo os mais velhos - chegam a mesmo a questionar o carácter ilegal do comportamento. Outros afirmam que descarregar ficheiros da Internet apenas para uso pessoal é uma prática perfeitamente legítima.

Um grupo de rapazes finlandeses entre 12 e 14 anos faz questão de distinguir entre o download - que embora sendo ilegal não é crime - e o upload, considerado um ilícito criminal em muitos países europeus. Os rapazes franceses minimizam o download para fins pessoais e aquele realizado para obter um proveito comercial, através da venda de CDs físicos. Uma justificação frequente e bastante convincente apresentada pelos miúdos europeus é que até hoje nunca se conseguiu comprovar se os artistas são ou não prejudicados. Entre o vasto leque de razões apresentadas, saliente-se ainda o elevado preço dos CDs e DVDs.

No final, grande parte dos inquiridos admitiu que pretente continuar a fazer downloads e que nada os irá impedir. Este sentimento de impunidade é apenas travado pela preocupação de descarregar um vírus. Mesmo assim, alguns reconhecem a necessidade de regras mais claras e não rejeitam a possibilidade de pagar uma pequena quantia mensal. Alguém falou em licença voluntária global?

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