Partilhar a experiência da música no Second Life Publicado 8 Ago 07
Mais do que partilhar ficheiros MP3, as pessoas querem partilhar a experiência da música, ouvi-la em grupo, discutir opiniões e ideias sobre a música, conversar sobre a música em tempo real. Se até agora para além das redes sociais como MySpace, os recursos disponíveis na Internet que proporcionam essa experiência do contacto pessoal e emocional têm sido parcos, o surgimento do mundo virtual do Second Life promete unir pela primeira vez os apreciadores de música em espaços online comuns.
O DJ John von Seggem e o músico J. LeRoy propõem-se investigar as potencialidades que o Second Life oferece para o futuro da música, em particular a fruição comunitária da música através de concertos virtuais em directo. Do texto que eles escreveram (via P2Pnet.net):
A música foi sempre uma forma de arte social, criada e apreciada por pessoas em grupos. Alguns defendem que a música foi uma das primeiras formas com que os primeiros grupos de humanos comunicaram entre si e mantiveram os laços sociais que uniram as suas comunidades.
Contudo, desde a invenção da música registada em disco há cerca de um século atrás, os progressos tecnológicos transformaram a experiência da música numa actividade cada vez mais privada. A partir do momento em que a música pode ser comprada para ser escutada em casa, a possibilidade de apreciar música em privado e sozinho tornou-se uma alternativa cada vez mais popular ao acto de assistir a concertos. Isto conduziu à era do iPod, aquela em que nos encontramos, onde a imagem mais icónica de um ouvinte de música é a de um indivíduo solitário dançando ao som de um leitor de mp3 ligado a uns auriculares em vez da imagem mais social de épocas anteriores das audiências de concertos ou discotecas.
Mais recentemente, as tecnologias dos novos media online e em rede reverteram de certo modo esta tendência ao oferecerem-nos novas formas de criar comunidades sobre música. O Napster demonstrou-nos a todos o quanto queremos partilhar a nossa música e, apesar da resistência obstinada da indústria musical comercial, as tecnologias para a partilha de música e outros conteúdos online são cada vez mais sofisticadas.
Ainda mais recentemente, ambientes de mundos virtuais como o Second Life introduziram um novo e importante avanço, ao criarem um espaço virtual tridimensional em que grupos de fãs podem ouvir e apreciar música em conjunto e em tempo real. É evidente que tecnologias de realidade virtual como esta já existem desde o início dos anos 90 mas elas apenas se tornaram acessíveis a uma grande número de utilizadores em simultâneo nos últimos dois anos
Nós prevemos que as tecnologias de mundos virtuais venham a ter um forte impacto no mundo da música num futuro próximo. Iremos aqui centrar-nos no Second Life uma vez que é o que tem uma cultura musical mais evoluída.
Partilhar a Experiência da MúsicaAs pessoas querem partilhar música. Isto não quer dizer apenas enviar e receber ficheiros de mp3, mas também partilhar a experiência da música. Significa partilhar as emoções que elas nos provocam, partilhar opiniões e reacções e conversar sobre ela em tempo real. Por exemplo, todos nós quando éramos adolescentes passámos o tempo deitados no chão a ouvir música nova e a conversar sobre ela, e para muitos de nós os nossos gostos musicais foram uma das muitas formas de nos identificarmos com os nossos amigos.
Embora as tecnologias de redes tenham revolucionado a cultura musical moderna, elas ficaram aquém de reproduzir um elementos essencial da experiência musical: a recepção partilhada, quer seja das aquisições musicas mais recentes quer de um concerto ao vivo.
A Internet, a Web e outras tecnologias de rede provocaram uma grande mudança no mundo da música ao longo da última década, desde a distribuição de música em mp3 à profusão de bandas e produtores independentes que utilizam a sua página no MySpace ou os seus próprios sites como veículos de promoção.
A Last.fm é um óptimo exemplo de como as tecnologias da Web 2.0 como tags, folksonomias, votações e recomendações de utilizadores com gostos semelhantes podem servir para ajudar os ouvintes a encontrarem música nova de que irão gostar.
Contudo, embora a Last.fm se designe a si própria como a “revolução social da música” e tente o melhor que pode estabelecer uma ligação entre os ouvintes, indo ao ponto de nos mostrar uma página com imagens de outros utilizadores com gostos semelhantes aos nossos…
…não obstante, vermos apenas alguns nomes de pessoas que apreciam a mesma música que nós não é a mesma coisa do que estarmos de facto junto com eles a ouvir música. A natureza assíncrona bidimensional da Web impede este nível de interacção com os outros. Até agora nenhuma destas tecnologias online puderam reproduzir a experiência de assistir e ouvir uma actuação musical ao vivo na companhia de outros ouvintes.
Mas o Second Life proporciona uma funcionalidade adicional bastante interessante e entusiasmante. Através de avatares os utilizadores podem procurar não apenas novas experiências sociais para a audição de música nova num contexto partilhado, como também a subcultura musical que melhor se adequa aos seus gostos. Um utilizador do Second Life pode partilhar uma actuação ao vivo a partir do seu dormitório em Ames, no Iowa, ao passo que o intérprete pode estar em Berlim enquanto que os outros ouvintes poderão estar espalhados pelo mundo.
Enquanto o avatar do utilizador está a dançar, o utilizador pode estar a falar com os outros elementos da assistência oriundos de todas as partes do mundo. As conversas casuais podem facilmente surgir, ainda mais facilmente do que surgiriam numa discoteca da vida real.
Somem a isto um elemento bastante irreal do Second Life - a distância nunca constitui um obstáculo. Os utilizadores podem teletransportar-se de uma discoteca para outra apenas recorrendo à funcionalidade de pesquisa, encontrando outra discoteca com música que gostam e clicando no botão de teletransporte. A barreira do tempo e do espaço é completamente anulada. A única barreira que nos afasta tem um carácter social.
Mas seja em que lugar em que o utilizador acabe por ir parar, ele vai estar lá com outras pessoas. Eles irão apreciar a música ao mesmo tempo, eles irão “partilhar” a experiência da música no sentido mais verdadeiro da palavra.
Somos ou não (walk)Men? Não!
Tal como com os iPods e os Walkmen antes deles, ouvir música online tem sido até agora uma actividade em grande parte solitária. Os anúncios ao iPod foram de certo modo premonitórios a este respeito, o indivíduo que se limitar a dançar sozinho com a sua silhueta - acção sem interacção social. Em muitas circunstâncias limitamos-nos a ouvir sozinhos.
Contudo, o Second Life está a re-criar a música online como um verdadeiro evento social. A música interpretada ao vivo e difundida através do Second Life é apreciada em simultâneo por todos aqueles que se encontram ali reunidos. Isto é uma mudança fundamental - com o Second Life os media de radiodifusão e os media experimentais fundem-se
No Second Life, os indivíduos reúnem-se para escutar música ao vivo e mixes de DJs produzidas por desconhecidos e mega-estrelas - todos a partir das suas casas. As discotecas do Second Life acolhem frequentemente festas after-hours. Depois de uma noite de festa nas suas cidades, as pessoas entram no Second Life para relaxar antes de irem dormir, visitarem as suas discotecas virtuais favoritas e verem os seus amigos do SL. Ao mesmo tempo que um artista está a actuar a audiência também está a receber, a apreciar e a partilhar a sua actuação em conjunto. O artista pode também comunicar facilmente com a audiência através de um sistema de chat textual. Durante uma actuação, a audiência irá reagir frequentemente a uma parte particularmente impressionante de uma música num chat colectivo. Os concertos e outras actuações tornam-se interactivas e participativas.
Na nossa opinião, a criação de espaços sociais virtuais como o Second Life, onde a música pode ser partilhada e apreciada em conjunto, é um avanço com uma importância potencialmente enorme para o futuro da música, acrescentando uma importante nova dimensão ao que assistimos até agora com a música na Internet.
Em particular, nós consideramos que as tecnologias de partilha de música online que começaram com o Napster e o mp3.com e conduziram às actuais virtuais ao vivo no Second Life estão a começar a reverter a tendência no sentido da música enquanto actividade privada que temos vindo a assistir desde o nascimento da gravação áudio no final do século XIX. Do Napster ao MySpace, da Last.fm ao Second Life, uma série de tecnologias de redes sociais cada vez mais sofisticadas estão a criar um novo espaço para a partilha online da experiência musical e esta trajectória irá ter uma influência crucial no rumo da transformação musical e social que deveremos vir a assistir futuramente no nosso mundo.
O J. LeRoy e eu pretendemos continuar a observar a cultura musical do Second Life no futuro e a reflectir sobre o impacto destes avanços em maior profundidade, fiquem atentos…!
NOTA: A imagem que acompanha este post está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e é de Rich Palmer.
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Comentário de Músico de blues consegue contrato discográfico através do Second Life | Remixtures em 17 Ago 08 16:36.