Banda Calypso: O sucesso sem a ajuda da indústria discográfica

by Miguel Caetano on 29 de Setembro de 2007

Banda Calypso

O Brasil é um país onde tudo pode acontecer. Talvez devido à impotência da economia de mercado e do Estado em satisfazer as carências da população, talvez pela própria miscenização entre culturas e etnias diferentes, aí se pode assistir a algumas das transformações mais radicais registadas na indústria cultural desde o início do século. Alguns investigadores têm descrito esses fenómenos como característicos de um certo “jeitinho” brasileiro ou uma gambiarra, a capacidade de inventar, a criatividade que surge como uma reacção não planeada aos problemas do quotidiano, mesmo que para isso se tenha que contornar a noção de legalidade e os costumes.

O que tem isso a ver com a Banda Calypso, o emblemático grupo do TecnoBrega de Belém do Pará? Tudo. Há oito anos atrás, Chimbinha, o guitarrista e fundador da banda, ex-empregado de um mercado de pesca, encontrou-se pela primeira vez com Joelma Mendes para produzir o primeiro álbum a solo da cantora. O disco acabou por ser o primeiro assinado em nome da Banda Calypso. Nos primeiros tempos Chimbinha investiu todo o dinheiro que amealhou como produtor e músico de estúdio na carreira do grupo. Mas foi difícil fazer com que a música da banda chegasse às rádios locais e arranjar os primeiros concertos, a ponto de terem que tocar frequentemente de borla.

De 1999 para cá, o grupo já vendeu quase nove milhões de CDs e cerca de dois milhões de DVDs, sendo presença regular nos maiores programas de televisão do Brasil como o Domingão do Faustão da Globo. Hoje em dia, a banda tem mesmo o seu avião particular. E vocês sabiam que todo esse sucesso foi atingido sem qualquer tipo de apoio por parte de uma companhia discográfica? É verdade. Até hoje e seguindo o modelo de negócios abertos do TecnoBrega local, a Banda Calypso nunca assinou um contrato discográfico. Graças a essa independência em relação à tradicional economia de mercado, o grupo consegue vender milhões de discos a um preço extremamente baixo, recorrendo apenas aos vendedores ambulantes, os “camelôs” encarregados da distribuição dos CDs e DVDs nas ruas. Aquilo que alguns poderão designar de pirataria é um sistema que funciona com o total beneplácito de Joelma e Chimbinha, embora muitas vezes sem a sua autorização expressa.

A verdade é que os dois elementos da banda não encaram a venda de música gravada como fontes de receita mas sim como ferramenta promocional e todo o dinheiro gerado com os CDs e DVDs vai para o bolso dos “camelôs”. Em compensação, os concertos da banda – quase diários – chegam a ter 20 mil pessoas, realizando-se um pouco por todo o Brasil. No final dos espectáculos, o grupo aproveita para vender CDs e DVDs da própria actuação a que o público acabou de assistir. Recentemente, o duo também assinou acordos com cadeias de supermercados para vender pacotes de toda a sua discografia nos estabelecimentos comerciais.

A prova indubitável do êxito do caminho trilhado pela Banda Calypso através do contacto directo e pessoal com os fãs é uma sondagem efectuada pelo instituto de pesquisa Datafolha e encomendada pela agência de publicidade F/Nazca Saatchi & Saatchi cujos resultados foram publicados a 22 de Julho no jornal Folha de S. Paulo. A pesquisa que perguntou a 2166 pessoas de 135 cidades de todas as regiões do país qual era o cantor/cantora ou banda que mais tinham escutado ultimamente, tendo os Calypso sido o nome mais indicado, à frente de veteranos como Roberto Carlos e Ivete Sangalo que constituíram a sua carreira muito graças ao marketing e ao poder das grandes discográficas junto das estações de rádio e televisão.

Eu descobri essa informação através de um artigo da Paula Martini publicado ontem no iCommons, onde a investigadora do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas mostra como o sistema de economia informal oriundo da periferia do país conquistou o centro da indústria cultural brasileira, sem necessitar da “protecção” do direito de autor tradicional. através da distribuição livre e gratuita da música. Ou muito me engano ou esse “jeitinho” brasileiro, essa gambiarra ainda vai acabar por repercutir noutras partes do mundo…

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{ 10 comments… read them below or add one }

1 Thalles Waichert 1 de Outubro de 2007 ás 1:59

Muito bom o exemplo da Banda Calypso. Mas o curioso é que as grandes redes, como a Globo, falam de sua trajetória como um caminhos sofrido, exatamente por não estarem amparados por uma gravadora discográfica. Jamais fazem uma abordagem na grande mídia dizendo que o sucesso pode ser alcançado sem um selo.

Um outro exemplo de “jeitinho” brasileiro que estamos vivendo agora é o filme Tropa de Elite. O longa vazou antes de sua estreia nos cinemas. Resultado: em todos os cantos do país tem algum camelô vendendo uma cópia pirata. Resultado 2: nunca um filme nacional foi tão assistido e comentado pelo povo. Resultado 3: a produção do filme resolveu reeditar incluindo 40 minutos a mais de cenas para a estreia nos cinemas. Agora eu fico curioso para saber o resultado 4, pois acredito que esse filme irá bater recorde de bilheteria aqui, pois não conheço uma pessoa sequer que tenha assistido já o filme e diz que não pretende ver no cinema…

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2 daniela maria mesa gutierrez 24 de Maio de 2008 ás 1:21

yo soy colombiana y me parese q la banda calypso es lo maximo …… conoci esta banda cuando fui a un pueblo llamado san felipe con frontera venezolana …….ayi conoci a los brasileros por q el pueblo tambie tiene frontera con brasil y conoci a la banda calipso y me parese q railana es una cantante talentosa ……….yo tengo 10 aós cumplo 11 el 21 de julio y canto me se principe encantado…. y otras canciones mas pero yo adoro a railana y me gustaria estar en un concierto de ella en viaipi

quiero decirle a railana q aqui en colombia las cantantes colombianas no bailan como tu ….
tu eres unica por eso me gustaria q tu estubieras aqui dando un concierto, para q en verad se den cuenta q tu eres super ……y como me entere q lla eres madre entonces un feliz mes de la madre

……… atentamente : daniela maria mesa gutierrez..
año : 2008
correo –mas : danima0727@hotmail.com
villavicencio-meta,colombia
23 del 2008 de mayo

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3 ronald 30 de Maio de 2008 ás 22:37

acho a banda calypso 10 é um grande exemplo para muitas bandas que estão iniciando!!
é um grande exemplio demostrado pra ver hoje a banda é mas escutada que grandes fenomenos que só obtiveram sussesso por ter isentivo de rede de tev e gravadora!
se todo o brasil seguisse o exemplo da banda calypson acredito eu q hoje o país seria diferente!!

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4 brenda 20 de Agosto de 2008 ás 16:47

foi bem por cara foi lega esse comemtari

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5 Michelle Beatriz da Silva 12 de Setembro de 2008 ás 16:01

olhe a semelhança q tem essa fã da banda, com a joelma, no orkut chellebia@hotmail.com de Goiânia.bjos amo vcs. Que sou eu mesma. vejam minhas fotos.

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6 thailana 28 de Outubro de 2008 ás 18:02

num sei de nada só sei que gosto muito da banda

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7 ana paula 1 de Dezembro de 2008 ás 13:34

ótimo gostei muito td que é relacionado a calypso é excelente

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8 Nilson Braga 3 de Dezembro de 2008 ás 12:34

A banda Calypson é de fato um grande fenômeno. Gostaria que alguém me apontasse uma contaora igual a Joelma, que dance, cante e interprete num palco.
Calypson vc’s estão de parabéns… Desejo muito sucesso!!!

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9 LELANE FEREIRA 5 de Novembro de 2009 ás 15:01

***EU ADORO A BANDA, TOCA O MEU CORAÇÃO POIS ME FAZ RELEBRAR BONS MOMENTOS ESPECIAL DA MINHA VIDA PARTICULAR, REALMENTE ELES SÃO DEMAIS ESPERO QUE TODOS OS SEUS SONHOS SEJAM REALIZADOS***

!!!!PARABÉNS BANDA CALYPSO NÃO DEIXE DE EXISTIR POIS SEM VOCÊS MORRERÁ UM PEDACINHO DE MIM AMO VOCÊS DE MONTÃO, SUCESSOS
BEIJOOOOOO!!!!!

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10 aleida 27 de Novembro de 2009 ás 17:04

eu vos amo meus amores
joelma que voz è essa

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