Comunidade P2P Vs MediaDefender: a saga continua

by Miguel Caetano on Setembro 20, 2007

Numa semana já de si bastante negra para a MediaDefender durante a qual um grupo de anónimos conseguiu obter 700 MBytes de correspondência electrónica interna entre outros dados confidenciais da empresa norte-americana especializada em espalhar ficheiros falsos nas redes de partilha de ficheiros para apanhar em falso os utilizadores, eis que surgem mais dados “suculentos”que dão conta dos métodos e planos da companhia.

Desta vez, trata-se do código-fonte, isto é, o software empregue pela Media Defender em várias redes P2P. Tal como anteriormente, os responsáveis pela “fuga” foram os mesmos MediaDefenfer-Defenders.

MediaDefender-Defenders

“O código-fonte está completo e refere-se às suas actividades no Kazaa, bittorrent, gnutella etc. Estes sistema é agora tornado público de modo a identificar as artimanhas que eles montam. Um obrigado em especial para o empregado da MD que nos ofereceu isto”, referem os defensores anónimos numa mensagem anexada ao ficheiro torrent disponível no Pirate Bay que dá acesso ao software com a designação de TrapperKeeper.

Como a mensagem dá a entender, a “fuga” deve ter tido origem num empregado da própria MediaDefender que inadvertidamente terá entregado de mão dada a informação em causa num momento de descuido.

Segundo o TorrentFreak, os ficheiros agora divulgados contêm um manancial de informação sobre as ferramentas que a MediaDefender utiliza para monitorizar os downloads dos utilizadores das redes P2P. As actividades da companhia abrangem não apenas as mais populares como a BitTorrent e a eDonkey/eMule como também os newsgroups da Usenet, Overnet, Piolet e a finada WinMX. O TF publicou também uma lista de programas utilitários criados pela MediaDefender para enganar os mais distraídos.

Mas quem são estes vingadores/justiceiros anónimos auto-intitulados MediaDefender-Defenders que a comunidade P2P trata como autênticos heróis mas outros os rotulam desdenhosamente de hackers? Ninguém ainda ao certo sabe, por enquanto, mas o que é certo é que a informação tem saído cá para fora a uma velocidade vertiginosa.

Poucas horas depois da publicação do torrent relativo ao ficheiro mbox contendo as mensagens confidenciais, foi criado um site no domínio jrwr.hopto.org em que se podia aceder a toda a informação em HTML, de uma forma organizada e simplificada. Segundo o que a Slyck conseguiu apurar, o site resultou da colaboração entre dois indivíduos não-identificados.

Contudo, com a mesma velocidade que surgiu, assim foi fechado pelo fornecedor de alojamento. “Depois de ler algumas das mensagens pensei: “O Público precisa de saber disto!” Então eu coloquei (a informação) num servidor lento localizado na minha própria casa. Esteve online durante 17 horas – 1,4 milhões de hits”, refere “Forrest F.”, um dos dois responsáveis por este projecto colaborativo.

Mas a situação foi rapidamente resolvida dado que alguém cedeu o domínio MediaDefender-Defenders.com e “Forrest F.” encontrou um novo servidor de alojamento na Noruega. Até agora, o site já recebeu duas ameaças legais pela divulgação online dos dados, uma do conselheiro legal da MediaDefender e outra vinda supostamente do próprio director-executivo da empresa, Randy Saaf,

Por via das dúvidas e depois de ter ontem sofrido um ataque de negação de serviço (DDOS), o MediaDefender-Defenders.com passou a estar alojado na prq.se, a empresa de um dos fundadores do PirateBay. Tal como o tracker sueco, o site ostenta orgulhosamente uma secção dedicada à publicação das ameaças legais que recebeu até agora.

Os esforços (inúteis) de controlar os danos que esta fuga de informação irá representar na já fraca credibilidade da MediaDefender levaram-na a enviar outras intimações semelhantes a alguns sites de alojamento e indexação de torrents mais populares. As respostas de alguns sites que a ArsTechnica publicou dão uma leitura deliciosa.

Os responsáveis do IsoHunt, por exemplo, dão-se ao cuidado de assinalar minuciosamente as incorrecções legais no procedimento tomado pelos advogados da companhia. Já o MegaNova não tem tantos pruridos e adopta a mesma postura “Are You Talking Me, Motherf*cker?” a que os piratas suecos do PirateBay já nos habituaram.

De qualquer forma, a MediaDefender já anunciou que o FBI irá investigar a origem das “fugas”. Não percam os próximos desenvolvimentos!

 

 

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