Música livre é marketing viral Publicado 18 Set 07
Ao contrário de Prince que ainda não compreendeu que é impossível controlar a distribuição não-autorizada dos seus discos na Internet, Trent Reznor dos Nine Inch Nails (NIN) sabe muito bem o valor promocional que as suas toadas frequentes a favor da partilha de músicas pelos seus fãs têm. As suas atitudes provocatórias contra a Universal, a (ainda) discográfica e distribuidora da banda, as críticas que tece ao elevado preços dos seus CDs, a disponibilização de músicas na rede BitTorrent, tudo isto contribui para aumentar o carisma e a atenção em redor dos Nine Inch Nails.
Depois de recentemente ter disponibilizado um álbum de remisturas assinadas pelos fãs do grupo, Reznor aproveitou a sua passagem pela China a propósito do primeiro concerto da banda naquele país a 9 de Setembro para aconselhar os fãs chineses a descarregarem gratuitamente a sua música da Internet em vez de a comprarem a vendedores de CDs pirateados:
Quanto à situação especial na China, uma vez que parece não ser fácil obter música ocidental através dos canais legais, tenho a dar a seguinte sugestão aos nossos fãs: Se conseguirem encontrar e comprar os nossos CDs legais, exprimo o meu obrigado pelo vosso apoio. Caso não o consigam, penso que descarregá-los da Internet é uma opção mais aceitável do que comprar CDs piratas. A nossa música é fácil de encontrar na Internet e não deverão ter que se esforçar muito para encontrar a maioria das nossas músicas. Se gostarem das nossas músicas depois de as ouvirem, sintam-se à vontade para partilhá-las com os vossos amigos. Dado que eu depositei todo o meu esforço e coração na minha música, espero sinceramente que mais e mais pessoas possam partilhar esse prazer connosco
No Domingo passado, durante um concerto dos NIN em Sidney Reznor voltou a criticar os preços altíssimos de Year Zero cobrados pela Universal na Austrália. Depois da assistência lhe ter confirmado que o preço dos CDs ainda não desceu, o front-man dos NIN afirmou: “OK, bem, vocês sabem que isto significa - ROUBEM-NOS.”Se bem que Reznor se engane quando dê a entender que a cópia de ficheiros constitui um roubo - o que não é de todo verdade - o músico compreende bem a importância que a música enquanto produto tem como chamariz promocional para atrair mais público aos concertos, vender mais merchandising e constituir uma comunidade sólida de fiéis incondicionais.
E não se pense que a atitude de Reznor deriva de uma mera displicência, pois o seu objectivo deliberado reside em ajudar a cavar a sepultura da Universal - a quem ainda está a dever mais um disco. Como ele explicou numa entrevista em Maio passado ao diário australiano Herald-Sun:
Estou a dever mais um disco a uma grande etiqueta e depois nunca voltarei a estar numa situação como esta. Se eu pudesse fazer agora o que quero, eu publicaria o meu próximo álbum, você poderia descarregá-lo a partir do meu site com um bit rate elevado e pagava quatro dólares através da PayPal. Se fosse a um concerto poderia comprar uma camisola. Se pretendesse um objecto físico, eu publicaria uma peça de merchandise com uma embalagem elegante. E o disco estaria disponível no mesmo dia em que a gravação estivesse concluída e não como é agora esta treta em que temos que esperar três meses.
É, parece que não tem jeito. Oferecer música tornou-se uma ferramenta indispensável de publicidade para uma banda. E isto é válido tanto para as grandes vedetas como para os novatos. É o caso da banda canadense The Craft Economy que encontrou uma forma engenhosa de publicitar os seus espectáculos, através da afixação de 100 CDs com MP3s do seu EP de estreia por árvores e cabines de telefone das ruas de Toronto, juntamente com cartazes promocionais do concerto. O disco está disponível segundo uma licença Creative Commons BY-SA 3.0, o que quer dizer que qualquer pessoa pode copiá-lo, redistribuí-lo e fazer remisturas das faixas nos termos da mesma licença.
Quem quiser pode também comprar o disco no site da banda por cinco dólares australianos, com a vantagem de receber em casa uma edição numerada e de produção artesanal do CD. A notícia original foi divulgada pelo BoingBoing que acabou por gerar um efeito de bola de neve junto da blogosfera. É assim que funciona o marketing cultural no século XXI, em jeito viral, contaminação “boca-a-boca”. É assim que surge lentamente um novo modelo de músico Pop a que podemos designar de “artista 2.0″.
Nota: a imagem de Trent Reznor que acompanha este post está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e é da autoria de lucadex.
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[...] de 21 remisturas que pode ser livremente descarregado via BitTorrent. Mais recentemente, o artista chegou a sugerir aos fãs australianos que “roubassem” o álbum como forma de protesto para com os [...]
Comentário de Trent Reznor: Nine Inch Nails estão livres de qualquer contrato em 9 Out 07 10:42.[...] que adoptaram uma posição semelhante, entre eles os Franz Ferdinand, 50 Cent, Neil Young e os Nine Inch Nails. Só gostava de saber se a EMI - co-proprietária da Relentless Records, a editora de Stone - [...]
Comentário de Joss Stone adora partilhar música | Remixtures em 26 Jun 08 15:56.