Organização anti-pirataria MediaDefender deixa escapar 700 MBytes de emails confidendiciais

by Miguel Caetano on Setembro 17, 2007

É o rídiculo total: a MediaDefender, uma organização de combate à “pirataria” utilizada por vários detentores de conteúdos para fazer o seu trabalho sujo, viu a sua segurança comprometida por um grupo de piratas informáticos. Isto diz muito sobre a suposto eficácia desta companhia na sua luta contra a partilha ilegal de ficheiros. O colectivo intitulado MediaDefender-Defenders divulgou em vários sites e trackers de BitTorrent como o Pirate Bay e o Mininova) mais de 700 Mbytes de mensagens de correio electrónico interno referentes a um período de seis meses, bem como um ficheiro de áudio contendo uma gravação de uma chamada telefónica e dados relativos aos seus servidores.

Numa mensagem disponível num ficheiro .nfo contido num ficheiro .mbox o grupo refere:

Ao publicarmos estes emails esperamos estar a garantir a privacidade e a integridade pessoal de todos os utilizadores do peer-to-peer. Os emails contêm informação acerca das várias tácticas e soluções técnicas para monitorizar os utilizadores de p2p e danificar os serviços p2p.

Adquirida em 2005 pela empresa ARTISTDirect pelo valor de 42,5 milhões de dólares, a MediaDefender tem sido utilizada pela MPAA e pela RIAA para inundar as redes P2P com ficheiro falsos de filmes e músicas. Em Julho deste ano, o TorrentFreak divulgou a informação de que a empresa tinha criado um site de partilha de vídeos chamado miivi.com que se destinava a levar os utilizadores a fazer uploads de material protegido por direitos de autor e apanhá-los assim com a boca na botija de modo a processá-los judicialmente. Na altura, os responsáveis da companhia sempre terem negado que o site visava agarrar os presumíveis “piratas” e que se tratava apenas de um projecto interno que se tornou acidentalmente público.

Mas nas seis mil mensagens internas agora tornadas públicas e que estavam na conta no Gmail de Jay Maris, um dos empregados da firma, encontram-se vários dados que confirmam não só que a MediaDefender criou de propósito o site para apanhar os utilizadores em falso como tentou criar um novo site no domínio Viide.com com as mesmas intenções que o Miivi mas com um design totalmente alterado e sem qualquer referência ao anterior de modo a que não pudesse ser associado à empresa, como refere o TorrentFreak.

Caricata, no mínimo, foi a reacção de Randy Saaf, director executivo da MediaDefender, quando soube que a notícia sobre a ligação entre o Miivi e a companhia foi divulgada: “Isto é realmente f*dido. Vamos colocar o miivi offline”. Entre os dados interessantíssimos disponíveis nesses fechados, podem-se descobrir as centenas de endereços IPs e logins nos seus servidores, listas dos trackers falsos utilizados para enganar os utilizadores, estratégias de camuflagem, informação sobre a efectividade dos ficheiros torrents falsos e respectivo grau de sucesso, sites de baixa e elevada prioridade bem como números da segurança social, endereços de email, palavras-chave e números de telefone dos funcionários.

É interessante verificar também que, segundo a Ars Technica, a MediaDefender cobra quatro mil dólares por um mês de protecção para um álbum e dois mil dólares por um mês de protecção de uma faixa. No contraco com os seus clientes, a empresa garante resultados efectivos em 15 das redes mais populares (FastTrack, Gnutella, IRC, Usenet, DirectConnect, eDonkey, MP2P, Kademlia, Overnet, BitTorrent, SoulSeek e Shareaza).

A gravação da conversa telefónica divulgada pelo MediaDefender-Defenders demonstra também a estreita colaboração entre o Procurador-Geral de Nova Iorque e a Media Defender. Entre os assuntos abordados encontra-se um sistema que a empresa estava a desenvolver e que iria permitir que o gabinete do procurador acedesse remotamente a dados da MediaDefender sobre os utilizadores de P2P que partilham pornografia infantil de modo a identificar imagens desse tipo e registar os endereços IP dos computadores em causa para a instauração de um processo judicial.

O grupo de hackers promete continuar a divulgar mais informação. Foi entretanto criado um site onde se podia aceder às mensagens em formato HTML. De momento, contudo, este endereço encontra-se indisponível. Porque será?

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