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Popkomm Berlim: Protesto anti-DRM mancha presença da Sony BMG

by Miguel Caetano on 21 de Setembro de 2007

Protesto Anti-DRM na Popkomm

Desde quarta-feira que se encontram reunidos em Berlim os executivos de algumas das maiores empresas do sector da música digital como Last.fm, MySpace, SpiralFrog, Napster, EMI, SonyBMG e a associação de etiquetas independentes Merlin.

O motivo reside na realização da 19ª edição anual da Popkomm, uma feira da indústria da música que combina um ciclo de conferências e um festival pop-rock que integra mais de 800 expositores e representantes de 57 países. estimando-se mais de 15 mil visitantes profissionais, entre artistas, produtores, promotores de eventos, editores e críticos musicais.

O evento encerra hoje mas ontem os autores do blog alemão Netzpolitik organizaram uma acção de protesto em frente ao expositor da SonyBMG por, em contra-mão à posição assumida por grande parte das suas concorrentes (a EMI e a Universal Music, em particular), esta companhia discográfica se ter recusado até hoje a vender downloads de músicas sem restrições do tipo DRM (Gestão de Direitos Digitais).

Em jeito de resposta à frase “We Believe in Music!” (Acreditamos na Música!) ostentada pela SonyBMG no seu expositor, os bloggers afixaram por baixo uma faixa branca com a frase “Copy protection Disempowers” (A protecção Anti-cópia Retira Direitos). A acção visou também anunciar um boicote comercial a toda a música vendida pela major que incorpore tecnologia de protecção contra a cópia.

Protesto Anti-DRM na Popkomm 2

O historial lastimável das intervenções da SonyBMG no sentido de limitar o mais possível a liberdade dos fãs de música é bem conhecido. Em 2005, a major foi responsável pelo famigerado evento do Rootkit relativo ao nome de um software anti-cópia que introduziu em vários CDs e que se instalava automaticamente nos computadores dos utilizadores com o Windows XP assim que estes tentassem reproduzir o disco sem que eles se apercebessem, afectando o normal funcionamento do sistema operativo e abrindo diversos buracos de segurança pelo caminho.

Em consequência, a companhia foi obrigada a mandar retirar todos os CDs afectados, tendo sofrido diversos processos judiciais. Actualmente a SonyBMG é ainda um dos maiores fabricantes mundiais de hardware com sistemas de protecção anti-cópia integrados.

Uma prova notória do horror da SonyBMG sente em ver o seu catálogo livremente distribuído online é que o próprio presidente da empresa de combate à pirataria nas redes P2P MediaDefender Oscar Herrera, parece ter dificuldades em convencer os dirigentes desta major a vender músicas sem DRM no formato MP3 em lojas como a do iTunes. Nesta mensagem que faz parte do arquivo do email “confidencial” da organização recentemente divulgado, Herrera argumenta cinicamente que a comercialização de MP3s no iTunes não contribui em nada para agravar o problema da “pirataria” uma vez que os MP3s disponíveis no P2P são cópias de leaks (fugas) dos discos originais que têm uma qualidade muito superior e chegam à rede muito antes do que as versões legais vendidas no iTunes, o que é um facto inegável.

Involuntariamente, Herrera acaba por deixar escapar aquilo que muitos executivos da indústria se recusam a aceitar:

  1. Os downloads legais não se destinam a combater a pirataria uma vez que constituem uma oferta inferior à proporcionada pela opção ilegal – mesmo no caso de um ficheiro AAC ou MP3 de 256 Kbps -, dado que se pode sempre encontrar mais variedade, melhor e mais barato em trackers privados de BitTorrent como o Oink que disponibilizam MP3 de 320 Kbps e FLAC .
  2. Não existe qualquer correlação positiva entre o combate ao P2P e as vendas em serviços legais uma vez que o público-alvo dos downloads pagos não abrange os utilizadores de redes P2P. Quem compra um download legal fá-lo por questão de comodidade, rapidez, segurança, desconhecimento ou com a intenção de recompensar os artistas, mesmo que efectue em paralelo descarregamentos de redes P2P.

Crescimento dos downloads legais na AlemanhaMesmo assim, e pelo menos na Alemanha, o mercado dos downloads legais deverá continuar a subir ao longo deste ano, de acordo com estimativas divulgadas ontem pela empresa de estudos de mercado Bitkom durante a Popkomm, como refere a Billboard. O crescimento face ao ano anterior deverá rondar os 25 por cento – de 48 milhões de euros em 2006 para 60 milhões de euros em 2007. Os números abrangem tanto as faixas individuais como os álbuns completos.

Apesar das aparências, não é contudo possível tirar grandes ensinamentos destes números tendo em conta que os downloads legais representam ainda uns ridículos 3,5 por cento do mercado musical alemão. Por outro lado, há ainda que ter em conta a (mais que previsível) descida das vendas de CD. Se existe um público em potencial para os downloads pagos que tenderá a crescer nos próximos anos, o espaço para o crescimento desse sector nunca será muito grande se a indústria discográfica não tornar a oferta mais vantajosa para os consumidores. E isto implica passar a oferecer mais liberdade sobre a música que adquirem.

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