A febre dos sites de redes sociais para novos artistas continua

by Miguel Caetano on 2 de Outubro de 2007

Depois do MySpace, Jamendo, Trama Virtual, Palco Principal, DPop e tantos outros sites que facilitam o contacto entre novas bandas e fãs de música, será que ainda há espaço para mais projectos do género? A julgar pela profusão de novos serviços a cada semana que passa parece que sim, que existe mesmo uma “cauda longa” para as redes sociais de música nova. Esta semana, por exemplo, fiquei a conhecer mais três. Todos eles sediados em diferentes partes do globo.

TuneSquare - logoComeço por destacar o TuneSquare, (mais) um serviço de downloads financiados por publicidade recém-criado por uma start-up sueca que vem juntar-se a um sector já preenchido pelo SpiralFrog, Qtrax e We7. Neste caso, só são aceites bandas sem contrato. Os responsáveis prometem dividir as receitas publicitárias com os artistas. Ao entrarmos no site que tem como fundo uma imagem a imitar uma praça de uma grande metrópole rodeada de painéis publicitários, podemos navegar por entre nove diferentes estilos musicais e ouvir via streaming a faixa que seleccionámos. A música é acompanhada em simultâneo por um vídeo publicitário:

TuneSquare - janela

Quem quiser pode descarregar a faixa para o seu computador em formato MP3, isto é, livre de DRMs, sem ter que se registar. Apenas acho que a qualidade – 128 Kbps – podia ser mais elevada. Afinal o Jamendo, que também tem um programa de repartição de receitas 50/50 com os artistas, oferece em regra vários formatos áudio e com uma qualidade muito superior, com a vantagem da publicidade ser menos intrusiva. Outro inconveniente do TuneSquare é que toda a navegação e acessibilidade do site é ainda muito difícil. Por exemplo, só se pode ouvir uma música de cada vez e ainda por cima em modo repeat. Mas ao menos os termos e condições do serviço não exigem que se conceda um direito exclusivo de utilização das obras à empresa responsável pelo site, se bem que não possibilite o upload das músicas segundo licenças Creative Commons.

127.es

De Espanha vem o 127.es, uma iniciativa de Enrique Serra, guitarrista da antiga banda punk Rádio Futura. Aqui os conteúdos não se limitam à música, mas também a textos, imagens ou mesmo software. Todo o criador pode ali fazer o upload das suas obras segundo uma licença Creative Commons. O design é mais arejado e luminoso que o do TuneSquare mas por outro lado a velocidade de streaming das músicas também é mais lenta e só se pode ouvir uma faixa em cada página. Para se fazer o download das faixas é necessário fazer o registo, o que não é assim lá muito prático. Em compensação, a publicidade é discreta: apenas dois anúncios AdSense no canto inferior direito.

127.es - Leitor de media

 

Palco MP3Outro site nos mesmos moldes que os anteriores mas que não divide as receitas publicitárias com os artistas é o brasileiro Palco MP3 criado pela empresa Studio Sol e alojado no portal Terra que integra neste momento mais de 44 mil músicas e mais de dez mil artistas, entre os quais os populares Aviões do Forró. Este serviço é, no entanto, o que oferece um design mais atractivo, bem como uma maior acessibilidade e facilidade de navegação, tendo cada banda direito a uma página pessoal onde podem alojar músicas, imagens e até vídeos, bem como comunicar directamente com os fãs. Para além da letra, pode-se ainda descarregar o MP3 da respectiva faixa – 128 Kbps. Para além de poder explorar entre seis géneros musicais, o utilizador poderá ainda optar por descobrir novas bandas através de um mapa do Brasil contendo todos os estados do país. Em suma, trata-se de um MySpace (bastante) mais apresentável, sendo de todos os três que eu referi aqui o que eu gostei mais.

Palco MP3 - Interface

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1 Mind Booster Noori 3 de Outubro de 2007 ás 9:40

Curiosamente prefiro, como artista, uma opção de que ainda não falaste: o ReverbNation. Também dividem o revenue dos ads em 50/50, mas não tem as limitações das outras soluções…

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2 Miguel Caetano 3 de Outubro de 2007 ás 11:56

Curiosamente prefiro, como artista, uma opção de que ainda não falaste: o ReverbNation. Também dividem o revenue dos ads em 50/50, mas não tem as limitações das outras soluções…

Descansa que ainda há-de haver muitas oportunidades para falar desse e do VIRB ;-) É bastante provável que, estando eles sediados nos EUA, salvo erro, e dispondo de mais recursos, mais tarde ou mais cedo acabem por surgir novidades importantes por esses lados.

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3 Mind Booster Noori 3 de Outubro de 2007 ás 13:45

Virb? Não cheguei a explorá-lo… Houve algo nele que não me atraiu, mas já não sei o quê. Fui ao site agora e pareceu-me estranhamente similar ao PureVolume… Indo ao About li: “Virb was created by the same folks who made PureVolume.com.”

Fica então a dúvida: “porque fizeram eles outra rede social em vez de melhorar a que já tinham?”

Do PureVolume, só tenho a dizer que é uma rede que gosto, mas que “deixei de usar” porque impõe um limite (nas contas gratuitas, que num modelo de user generated content é o único que faz sentido) de quatro faixas por artista…

Ainda assim, ao VIRBº falta-lhe a “funcionalidade fundamental”: a de criar um modelo de negócio alternativo ao artista. Como sabes, tenho um projecto musical chamado Merankorii, em que as músicas estão licenciadas com Creative Commons (bem, à excepção de uma que está em Public Domain), e tendo a oferecer todas as faixas deste projecto, gratuitamente e sem restrições. O problema é mesmo o facto de querer, também, ter um lançamento físico, e para o fazer ou tenho uma editora ou, para “cortar no middle man” (coisa que fica já aqui, em primeira mão, dito, estou a pensar fazer para o próximo album) preciso de “investimento inicial”. Durante muito tempo Merankorii foi um projecto onde eu gastava dinheiro porque me dava prazer. Continua a dar-me prazer ter o projecto, mas nem tanto assim gastar dinheiro com ele. O objectivo não é – nunca foi – fazer dinheiro, mas também não quero continuar a ter saldos negativos… Com a adopção de uma editora isso ficou resolvido, e com os lucros do anterior album conto poder ter um “starting point” para o lançamento do próximo… Mas, ainda assim, é preciso dinheiro. Ganhar dinheiro com a publicidade não-introsiva, sem contrapartidas, como o ReverbNation me oferece, é para mim crucial… Não que o sistema seja perfeito – está longe de o ser – mas até ao momento ainda não encontrei melhor…

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4 Miguel Caetano 3 de Outubro de 2007 ás 14:28

Ganhar dinheiro com a publicidade não-introsiva, sem contrapartidas, como o ReverbNation me oferece, é para mim crucial… Não que o sistema seja perfeito – está longe de o ser – mas até ao momento ainda não encontrei melhor…

Já experimentastes o Jamendo? Talvez em termos de CPMs ou lá como é que isso se chama (;-)) os ganhos sejam mais baixos mas em compensação tens acesso a uma audiência mais europeia, creio eu…

Já agora, sou completamente a favor que os músicos arranjem novas formas de ganhar dinheiro por si próprios. O mesmo se aplica aos bloggers ;-) Ainda por cima em Portugal onde se não formos à procura de alternativas noutros lados morremos literalmente à fome.

Muita malta das netlabels não pensa assim mas é pena. Por exemplo, o Dogmazic, uma espécie de portal de netlabels, poderia ganhar montes de dinheiro bastante útil aos artistas se não fosse o fundamentalismo de alguns dos seus responsáveis…

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5 Mind Booster Noori 9 de Outubro de 2007 ás 14:08

Expliquei porque é que prefiro o ReverbNation ao Jamendo no meu blog… Desculpa a falta de links, mas o texto foi escrito offline, durante uma viagem de comboio…

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6 Miguel Caetano 9 de Outubro de 2007 ás 14:44

Eu sei. Eu li ;-) Mas não comentei porque de facto não tinha como refutar… Parece-me que a distribuição exclusiva via P2P é uma forma de tentar “legitimar” a tecnologia. Por outro lado, calculo que seja mais barato…

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