O Beatport é uma loja online de música digital que vende ficheiros em formato MP3 320 Kbps por 2,49 euros. Por mais um euro, pode-se comprar a faixa no formato original WAV – lossless, sem qualquer perda de compressão, embora de muito maior tamanho que os convencionais MP3s. No entanto, este site que cobra quantias exorbitantes e que possui um catálogo de apenas 275 mil faixas – o que é uma ninharia em comparação com os cinco milhões do iTunes – não pára de crescer, contando actualmente com mais de 350 mil utilizadores registados.
Porque é que há tanta gente disposta a pagar um preço mais elevado do que o praticado por grande parte dos serviços de música online? A razão do sucesso do Beatport reside principalmente no facto de apostar num nicho bastante específico, a música electrónica e de dança, com um público-alvo bastante fiel: os Disc-Jockeys (DJs).

São estes “maestros” das pistas de dança que estavam habituados a comprar edições exclusivas e limitadas em vinil e a desembolsar grande parte dos seus rendimentos nestes artefactos preciosos que constituem os principais clientes do site. Afinal de contas, ali eles podem encontrar todos os estilos de música que utilizam a um preço bastante inferior, com a vantagem adicional de ser muito mais cómodo e fácil transportar milhares de músicas num disco rígido ou em CDs do que nas enormes e pesadas rodelas pretas.
Lançado em Janeiro de 2004 por dois DJs e um empresário de clubes nocturnos originários de Denver, no estado norte-americano do Colorado, o Beatport contava no início com apenas 70 editoras discográficas independentes. Hoje em dia já são mais de 6500, como refere o jornal Rocky Mountain News num artigo bastante completo sobre o serviço (via Daily Swarm).
O que a peça não refere, contudo, é que este “gigante” da música digital electrónica tem vindo a estabelecer acordos de distribuição com várias netlabels segundo os quais estas passam assim a poder comercializar alguns ou mesmo todos os seus lançamentos que eram até então gratuitos na loja online. Isto tem gerado várias polémicas no seio da cultura do netaudio, nomeadamente no que diz respeito aos elementos que distinguem uma netlabel de uma vulgar editora discográfica online, isto é, uma “digital label“.
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