Deezer soma e segue com mais acordos e utilizadores registados Publicado 17 Out 07
As coisas não podiam correr de melhor feição para o Deezer, o serviço francês de música a pedido sobre o qual eu já falei aqui. Para quem queira ouvir músicas de um determinado artista, o site é bastante útil: basta introduzir o termo que queremos pesquisar que ele nos devolve uma lista completa de resultados. Esta facilidade de utilização fez com que o serviço crescesse no período de apenas um mês de 300 mil para um milhão de utilizadores registados e isto tendo em conta que o registo apenas é necessário para quem quiser guardar playlists.
A juntar a este sucesso em termos quantitativos há também que acrescentar os acordos estabelecidos pelos responsáveis do serviço com os detentores de direitos. Depois de ter assinado no final de Agosto um acordo com a SACEM, uma sociedade francesa responsável por cobrar as licenças relativas aos direitos de autor dos compositores e editores, e mal grado as objecções da Universal Music quanto à legalidade do serviço, o Deezer conseguiu no dia 10 assinar o primeiro acordo com uma das quatro grandes editoras discográficas, a Sony BMG.
Segundo os termos desta parceria, os utilizadores do site poderão a partir de agora ouvir mais de 165 mil faixas do catálogo da major pertencendo a artistas como Justin Timberlake, Alicia Keys, Benabar, Christina Aguilera e Julien Doré. Em troca, a Sony BMG irá receber parte das receitas com a publicidade obtidas pelo Deezer. Tendo em conta que esta é também a primeira vez que a major celebrar um acordo com um serviço de música financiado por publicidade e uma vez que não foram revelados mais pormenores sobre o modo em que essa divisão das receitas se irá realizar, o Ratiatum especula que o Deezer poderá ter concedido algum tipo de garantias financeiras adicionais como um pagamento mínimo por cada reprodução de uma música independentemente das receitas publicitárias que gerar, num modelo semelhante ao da rádio.
Hoje, dia 17, a empresa anunciou mais outro acordo de licenciamento, desta feita com a SPPF, uma sociedade que representa as editoras discográficas independentes francesas. Graças a esta parceria, o serviço passará a ter o direito de reproduzir as cerca de 990 mil faixas das etiquetas que integram aquela associação. A SPPF irá receber uma percentagem das receitas obtidas com o serviço interactivo SmartPlaylist do site, uma espécie de rádio inteligente que permite ouvir música ininterruptamente durante três horas com base em recomendações automáticas que um algoritmo associa a um determinado artista indicado pelo utilizador. Este sistema representa já 40 por cento das músicas escutadas a partir do Deezer. Para além disso, como revela a Billboard, a SPPF também irá receber um montante mínimo por cada título reproduzido.
A história do Deezer só demonstra a extrema lentidão do ambiente jurídico e da legislação dos direitos de autor em vigor. Quem pretenda criar um serviço inovador da Música 2.0 não tem muitas vezes outra opção senão começar a funcionar sem ter os acordos de licenciamento necessários para assegurarem a sua legalidade, esperar que os utilizadores acorram ao site e que o dinheiro chegue através de capital de risco para depois, só no fim, tratar de conseguir o apoio dos detentores de direitos. Caso contrário, o serviço acabará por nunca ser lançado.
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Comentário de RadioBlogClub assina com Sony BMG e SACEM | Remixtures em 18 Dez 07 16:10.