Digitalização e diversificação de receitas são as novas palavras de ordem na EMI

by Miguel Caetano on 12 de Outubro de 2007

Guy Hands - Terra Firma/EMISete anos após os processos contra o Napster e quatro anos passados desde o início da cruzada da RIAA contra os utilizadores de redes de partilha de ficheiros parece que alguém quer acordar a indústria discográfica do seu estado de profunda letargia e negação para a dura realidade. Não será demasiado tarde?

Alguns dias depois dos Radiohead terem anunciado que iam disponibilizar o seu novo álbum In Rainbows no formato MP3 deixando que os fãs decidissem o quanto queriam pagar, foi divulgada um memorando interno escrito por Guy Hands, director executivo da Terra Firma – a empresa de fundos de investimento que em Agosto comprou a EMI -, dirigido aos funcionários desta companhia discográfica . Alguns excertos da mensagem foram publicados pelo jornal britânico Daily Telegraph. Hoje o Hypebot revelou o texto completo.

A EMI Recorded Music ainda possui valor para a grande maioria dos artistas – através do financiamento da sua carreira e da distribuição e promoção da sua música – mas as bandas com maior êxito possuem outras alternativas para ganhar dinheiro (como as digressões) e algumas, em especial as que já possuem uma longa carreira – poderão ser capazes de abandonar a sua discográfica e tentar fazer o caminho sózinhas.

Na mensagem Hands refere que o exemplo dos Radiohead – uma banda que, precisamente, abandonou a EMI em 2005 para enveredar pelo caminho da auto-publicação – deve constituir um allerta para a necessidade de procurar outras fontes de receitas para além da tradicional venda de CDs. Na sua opinião, o caminho para a salvação da indústria discográfica passa por aplicar uma filosofia semelhante à de uma companhia de capital de risco.

Assim, em vez de disponibilizar de antemão quantias astronómicas aos artistas, a etiqueta deverá passar a financiar o custo de gravação de um álbum ou de uma digressão em troca de uma parte do bolo das receitas – e perdas, inclusive – futuras. Mas o financeiro vai mais longe nas suas propostas:

Porque é que elas devem (as bandas mais famosas) subsidiar os novos talentos – ou, já agora, as despesas e os adiantamentos excessivos da sua companhia discográfica – principalmente quando são elas que contribuem com os rendimentos para a sua companhia discográfica através das vendas do seu catálogo?

Mas como eu disse no início, embora este apelo a novas formas de pensar o negócio da música possam soar a melodias celestiais na cabeça de muitos analistas e responsáveis de etiquetas independentes, é preciso não esquecer que Guy Hands vem do mundo da gestão e não propriamente da música. Ele está a falar em nome dos seus accionistas, no sentido de defender os seus interesses e não necessariamente os interesses dos músicos ou mesmo dos apreciadores de música…

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