Madonna & Live Nation: Show Business & Big Bucks Publicado 17 Out 07
Na semana passada, quando se soube que a Madonna estava prestes a abandonar a Warner, a sua editora discográfica de sempre, para assinar um contrato com a gigantesca promotora de concertos Live Nation no valor astronómico de 120 milhões de dólares em dinheiro quase todo o cão e gato da blogosfera começou a dizer que esta era a estocada final arremessada contra a indústria do disco.
Depois dos Radiohead terem optado por distribuir directamente o seu novo álbum a mais de um milhão de fãs pela Internet, era agora a vez de uma superestrela dizer adeus ao mundo das quatro majors. Sabendo-se como a grande imprensa adora histórias de heróis solitários que decidem supostamente enfrentar os grandes, a notícia acabou por ir parar logo aos jornais de todo o mundo, incluindo o diário gratuito Metro. Na altura eu hesitei em escrever algo sobre isto porque apesar das aparências não havia absolutamente nada de semelhante entre os dois casos, para além de ser pouco ou nada claro o que é que os fãs de música acabariam por ganhar com a mudança.
Tudo bem, a Madonna seria a primeira artista a deixar o circuito das majors para abraçar uma promotora de concerto que se encarregaria da gravação de três novos álbuns, promoção das digressões, venda de merchandising e exploração das suas músicas e imagem. Mas qual é a grande diferença entre a Warner e a Live Nation? Na prática, nada de muito substancial. Como se pode ler na Wikipedia, a Live Nation surgiu em 2005 a partir de um spin-off da Clear Channel, um conglomerado norte-americano dos media que detém o maior número de estações de rádio dos Estados Unidos - mais de 1100.
Da mesma forma, a Warner Music pertenceu durante várias décadas ao grupo Time Warner - o maior dos EUA -, sendo desde 2003 propriedade de um grupo de investidores liderado pelo financeiro Edgar Bronfman Jr, ex-presidente da Universal. A verdade é que já nenhuma das quatro majors depende ainda exclusivamente da gravação de discos - a última foi a EMI - porque todas são subsidiárias de grupos económicos bastante poderosos, com interesses em diferentes suportes e indústrias de entretenimento.
Tal como a Warner Music tem um negócio de gravação de discos também a Live Nation poderia a qualquer momento adquirir uma editora discográfica ou lançar-se ela própria no sector, pois na verdade dinheiro é coisa que não lhe falta. Pois foi exactamente essa segunda opção que a promotora de concertos escolheu: ao anunciar oficialmente o contrato com Madonna, aproveitou também para acrescentar que a artista será a primeira a assinar com a Artist Nation, uma nova divisão da empresa.
A Artist Nation irá abranger actividades como gravação de música, merchandising, clubes de fãs e venda de bilhetes online, licenças de reprodução e difusão pública em vários suportes, patrocínios e marketing. Na prática, este é o mesmo modelo em que as discográficas tradicionais têm vindo a apostar - sem muito sucesso - através dos contratos de 360 graus que abrangem não só a música mas também a imagem e a marca do artista.
No caso de Madonna, o contrato abrange todas as áreas possíveis e imagináveis: digressões, merchandising, clube de fãs, site, DVDs, álbuns de estúdio, emissões de televisão e projectos para cinema, patrocínios, etc. Para uma cantora como Madonna que faz tanto ou mais dinheiro com os concertos do que com a vendas de discos - só a última digressão teve lucros superiores a 195 milhões de dólares; em comparação o disco de 2005 Confessions on a Dancefloor vendeu 11 milhões de cópias em todo o mundo -, faz todo o sentido procurar o apoio de uma mega-promotora de concertos que possui ou detém participações em 160 salas de espectáculos e desporto em todo o mundo, incluindo o estádio Wembley em Londres. Para fazerem uma ideia, no ano passado a empresa organizou mais de 26 mil eventos em 18 países que reuniram um total de 60 milhões de espectadores. Ainda para mais quando os artistas ficam com a maior parte das receitas destes concertos, o que não acontece no caso dos discos em que são as gravadoras que ficam precisamente a ganhar.
Segundo a Associated Press, o contrato que só irá terminar quando a cantora já tiver nos seus 60 anos inclui um bónus de assinatura no valor de 18 milhões de dólares e os adiantamentos para três álbuns no valor de 17 milhões de dólares cada. O primeiro álbum deverá ser lançado daqui a dois ou três anos e a próxima digressão deverá ter lugar dentro de dois anos, podendo vir a ocorrer um máximo de quatro digressões durante o período do contrato. Para além dos 120 milhões de dólares em dinheiro, Madonna também recebeu 25 milhões de dólares em acções. O Coolfer fez as contas e estima que a cantora seja actualmente detentora de 1,8 por cento das acções da Live Nation., o que faz dela a quinta maior accionista da companhia e a segunda maior accionista individual. There’s No Business Like Show Business…
Nota: a imagem que acompanha este post está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e foi tirada por moaksey.
Artigos relacionados:
- Clear Channel processada por forçar aumentos nos preços dos bilhetes para concertos
- Madonna, a Marca: lançamento exclusivo com Vodafone e anúncio da Sunsilk
- Receitas geradas pelos concertos poderão ultrapassar vendas de gravações de música
- Widgets da Last.fm espalham-se pela Web
- Outro festival de netlabels - desta vez em Zurique







[...] e impedir a concorrência. Recorde-se que a Live Nation, a promotora de espectáculos que assinou o famoso contrato de 120 milhões de dólares com Madonna, foi criada em 2005 a partir de um spin-off de uma divisão [...]
Comentário de Remixtures » Blog Archive » Clear Channel processada por forçar aumentos nos preços dos bilhetes para concertos em 13 Nov 07 07:18.[...] a Warner Music. Por esta hora, já meio mundo sabe que Madonna assinou em Outubro do ano passado um contrato multimilionário com a promotora de concertos Live Nation que abrange todo o tipo de fontes de receitas, desde a [...]
Comentário de Madonna, a Marca : exclusivo com Vodafone e anúncio da Sunsilk | Remixtures em 20 Mar 08 12:19.