
Hoje de manhã dezenas de milhares de melómanos em todo o mundo acordaram com uma triste notícia: o Oink, um dos maiores trackers privados de música, foi encerrado pelas autoridades britânicas e holandesas. Em Middlesbrough, a polícia local deteve um técnico de informática de 24 anos; na semana passada os servidores do site, localizados em Amesterdão, tinham já sido apreendidos numa série de rusgas.
O alegado administrador foi detido por ser suspeito de conspiração para defraudar e infringir a lei de copyright. Ao mesmo tempo, as autoridades também efectuaram buscas à casa do seu pai e às instalações da empresa onde o indivíduo trabalhava. De acordo com o comunicado oficial emitido pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), as operações foram coordenadas pela Interpol e seguiram-se a uma investigação efectuada ao longo dos dois últimos anos pela IFPI e BPI, o organismo representante da indústria fonográfica britânica.
Em Julho passado o site já tinha sido forçado a mudar o seu nome de domínio de oink.me.uk para oink.cd devido a pressões legais da Nominet, a empresa britânica responsável pelo domínio original.
O Oink era um dos sites de BitTorrent cujos convites eram mais cobiçados, chegando ao ponto de alguns utilizadores cobrarem balúrdios por cada convite em sites de leilões como o eBay. Actualmente, contava com cerca de 180 mil membros registados. O que fez com que o Oink fosse fechado, e a avaliar pelo comunicado faccioso da IFPI, foi o facto de o site ser o ponto de origem de muitas das “fugas” (leaks) de novos discos semanas antes deles estarem oficialmente disponíveis. A IFPI refere que desde o início deste ano já tinham sido aí disponibilizadas mais de 60 dessas “leaks”
Como seria de esperar, os meios de comunicação social comerciais limitaram-se a transmitir a propaganda da IFPI. É o caso da “imparcial” BBC, que cita ipsis verbis o comunicado da IFPI: “Os utilizadores só eram convidados a entrar no site se conseguissem demonstrar que tinham música para oferecer (…) Eles eram encorajados a distribuir os discos no formato de ficheiro torrent com outros membros do Oink e tinham que continuar a publicar música para o site para continuarem a acedê-lo.”
Por fim, a IFPI reitera ainda o cliché habitual de que as “leaks” de novos discos são uma forma de pirataria que prejudicam gravemente as vendas legais de música em todo o mundo. Sinceramente, este argumento é completamente falacioso: os utilizadores do Oink eram autênticos melómanos que só aceitavam ficheiros com uma qualidade mínima de 192 Kbps, sendo bastante vulgares as versões lossless em formato FLAC.
Muitas dessas pessoas compram regularmente discos, apesar de terem acesso prévio às músicas. Para elas as “leaks” funcionavam apenas como uma forma de seleccionar o trigo do joio. E para além de comprarem CDs, essas pessoas demonstram a sua paixão pela música ao assistirem regularmente a concertos das suas bandas favoritas. O P2P e o BitTorrent só prejudicam quem se diz pretenso defensor dos artistas mas não valoriza os fãs que exibem o seu amor pela música através de outras formas que não a simples compra de rodelas de plástico. Fechou o Oink? Não demorará muito tempo até que abra outro Oink algures no mundo.
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