A permissividade das autoridades chinesas no que diz respeito à comercialização e partilha de material em violação dos direitos de autor é já bem conhecida e com isto não me refiro exclusivamente à pirataria de CDs e DVDs copiados em massa nas ruas e mercados. Tendo em conta que quase todas as músicas descarregadas da Rede é partilhada sem a autorização dos detentores de direitos, não admira que o mercado de P2P na China seja um dos mais dinâmicos do mundo.
Actualmente podem-se encontrar centenas de sites dedicados à partilha de ficheiros com sede na China. Num artigo publicado no final de Agosto no NewTeeVee Janko Roettgers destacou alguns deles, entre os quais os clientes de BitTorrent Xunlei (financiado pelo
Google) e QQ, o projecto sem fins lucrativos VeryCD – baseado na rede eMule e que indexa mais de 90 mil filmes, séries de televisão e aplicações disponíveis para download.
Hoje graças ao ZeroPaid fiquei a conhecer uma outra empresa, a Blin.cn que desenvolveu um serviço ultra-rápido de partilha de ficheiros. De acordo com o que Kaiser Kuo, director da divisão de estratégia digital da Ogilvy na China, afirma numa entrevista ao jornalista freelancer Thomas Crampton – que podem ver no vídeo de cima -, o software-cliente da Blin.cn é capaz de atingir velocidades 50 vezes mais rápidas do que o BitTorrent, sendo bastante eficaz na forma como obtém largura de banda a partir dos recursos disponíveis. O protocolo da empresa é tão rápido que as pessoas utilizam o programa para ver vídeos em tempo real com qualidade de DVD em vez de descarregarem os filmes completos. Segundo Kuo, ele e a sua mulher conseguiram começar a ver toda a sexta época da série 24 com 2,2 por cento do ficheiro descarregado em apenas três minutos, o que seria completamente impossível com o BitTorrent.
Tendo em conta o enorme dinamismo do sector do P2P na China e a inexistência naquele país de quase todas as restrições impostas nos EUA e na Europa por representantes dos detentores de direitos como a RIAA, a IFPI e a MPAA, será que não iremos a assistir dentro em breve a uma invasão de programas e protocolos desenvolvidos por chineses?
É provável mas também se não pode ignorar a dimensão global da teia de controlo tecida em nome do direito de autor nos últimos 50 anos. Aliás, não se pense que a indústria de entretenimento tem fechado os olhos a toda esta actividade em redor do P2P na China: devido à pressão da indústria discográfica, as empresas Kuro e Ezpeer – sediadas na ilha da Formosa – foram obrigadas a recentrar as suas actividades em modelos de negócio mais legítimos…
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