Pois é, já se sabia que estava previsto o lançamento de uma versão convencional em CD do novo álbum dos Radiohead para 2008, mas hoje soube-se que a decisão de publicar para todo o mundo uma versão digital de In Rainbows não passou de um estratagema para vender mais CDs. Quem o disse foi o próprio empresário da banda, Bryce Edge da empresa Courtyard Management à revista Music Week, de acordo com o Financial Times:
Se não acreditássemos que quando as pessoas ouvirem a música elas ivão querer comprar o CD então não teríamos feito o que estamos a fazer (…) Não podes ouvir um disco dos Radiohead em MP3 (…) e escutar os detalhes; é impossível (…) Não podemos compreender porque é que as companhias discográficas não partem para a ofensiva e assumem o CD como um objecto fabuloso. Os CDs estão desvalorizados e estão a ser vendidos a um preço demasiado baixo.
Pois… creio que não era bem isto que os membros do Oink, o maior tracker privado de BitTorrent especializado em música, pretendiam ouvir do porta-voz da sua banda preferida… Para além da reduzida qualidade em termos de bit rate dos ficheiros, muitos ficaram furibundos com a própria qualidade da gravação e com o facto do álbum não incluir qualquer capa – supostamente a imagem que podem ver em cima é que é a capa oficial, segundo o Daily Swarm.
Edge acrescentou ainda que cerca de metade dos utilizadores que se registaram para fazer o download pagaram mais do que o valor mínimo de 45 pences de libra – cerca de 65 cêntimos – em despesas com o cartão de crédito. Mas numa entrevista para o site Gothamist (via Listening Post), Jonny Greenwood, guitarrista e teclista dos Radiohead, disse que a banda ainda não sabia em concreto quantas pessoas fizeram o download do disco e quanto é que elas decidiram pagar.
De acordo com o mesmo artigo do Financial Times, a edição física do álbum deverá sair para as superfícies comerciais em Janeiro de 2008 e muito provavelmente irá ser distribuída por uma das quatro majors da indústria discográfica – EMI, Sony BMG, Universal Music e Warner Music. Um balde de água fria para aqueles mais optimistas que pensavam que os artistas podiam viver sem depender de uma etiqueta tradicional? Nem tanto assim, pois sinceramente não me parece que a versão em CD faça grande sentido neste caso uma vez que os fãs mais incondicionais da banda sempre tinham a possibilidade de encomendar o pacote discbox com um preço de 40 libras (cerca de 57 euros) e com um peso de mais demeio quilo e recebê-lo a 3 de Dezembro.
Questionado pelo Gothamist sobre as motivações que levaram a banda a distribuir o disco segundo um modelo em que o utilizador é que fixa o preço, Greenwood afirma que se tratou apenas de uma experiência e de uma forma de fazer chegar o disco mais rapidamente às pessoas. O músico acrescenta ainda que não houve nenhuma intenção revolucionária de combater a indústria.
Bem, pelo menos a avaliar pelo afluxo de tráfego ao site que os Radiohead montaram para aceitar as pré-encomendas do disco, o lançamento foi um extraordinário sucesso: no final da semana passada o endereço contava com um tráfego 11 vezes superior ao registado no início da semana, convertendo-se assim numa questão de dias no site mais popular no Reino Unido e chegando mesmo a ultrapassar o das Spice Girls que também aproveitaram para anunciar uma série de datas de novos concertos. Nos EUA, o site dos Radiohead também subiu para a sétima posição da lista dos sites de bandas mais visitados.
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