Mesmo no rescaldo do encerramento do tracker privado de BitTorrent Oink e da detenção do seu administrador no Reino Unido surgem notícias de que as ilhas britânicas poderão aumentar o cerco contra os utilizadores de redes de partilha de ficheiros. A proposta parte de Lord Triesman, ministro tutelar da pasta da Inovação, Universidade e Competências, que considera que o “roubo” de propriedade intelectual não deve ser tolerado.
Triesman pretende que os operadores de Internet assumam um “papel mais activo” em relação ao problema da partilha de ficheiros. Até agora a indústria discográfica tem conseguido fazer avanços nas negociações com os ISPs mas se ambas as partes não conseguirem estabelecer acordos voluntários, o governo irá legislar nesta matéria, promete Triesman.
De modo a acalmar os ânimos, o ministro esclarece que o governo não está interessado em “caçar adolescentes de 14 anos que partilham música” mas sim em perseguir aqueles que fazem cópias em massa para fins lucrativos”, de acordo com a BBC.
Triesman acredita sinceramente que é possível fazer corresponder a informação de bases dados relativas ao registo de propriedade intelectual de música à informação dos títulos disponíveis e partilhados na Internet. Como se isso fosse realmente possível… Para além disso, qualquer tentativa neste sentido ira comprometer a privacidade dos cidadãos.
Como referiu um porta-voz da Associação de Fornecedores de Acesso à Internet (ISPA), “os ISPs não podem monitorizar ou registar o tipo de informação transmitida através da sua rede. Tal como os correios não podem abrir cada envelope postal também os ISPs não podem inspeccionar e filtrar cada pacote de dados que passa pela sua rede.”
Quem ficou bastante satisfeito com o anúncio da nova linha dura do governo foi a BPI, a associação da Indústria Fonográfica Britânica, como não poderia deixar de ser, claro: “Acolhemos de bom grado a posição reiterada pelo governo segundo a qual os ISPs devem colaborar connosco para enfrentar o problema da pirataria na Internet ou sujeitar-se a leis mais pesadas”, afirmou Geoff Taylor, director executivo da BPI.
Apesar da renitência dos ISPs britânicos, o que é facto é que noutras partes do mundo alguns operadores de acesso à Internet já começaram a cortar o mal pela país, atravez da adopção de medidas radicais de traffic shaping que reduzem a largura de banda disponível para os protocolos de P2P, como é o caso da Comcast nos EUA e da Netcabo em Portugal. Este tipo de técnicas é indiscriminada porque não leva em linha de conta os inúmeros usos legais da tecnologia de P2P, como a distribuição de software e música livre.
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Reino Unido poderá adoptar leis mais duras contra partilha de ficheiros http://tinyurl.com/33stcu