Reino Unido poderá adoptar leis mais duras contra partilha de ficheiros

by Miguel Caetano on 25 de Outubro de 2007

Mesmo no rescaldo do encerramento do tracker privado de BitTorrent Oink e da detenção do seu administrador no Reino Unido surgem notícias de que as ilhas britânicas poderão aumentar o cerco contra os utilizadores de redes de partilha de ficheiros. A proposta parte de Lord Triesman, ministro tutelar da pasta da Inovação, Universidade e Competências, que considera que o “roubo” de propriedade intelectual não deve ser tolerado.

Triesman pretende que os operadores de Internet assumam um “papel mais activo” em relação ao problema da partilha de ficheiros. Até agora a indústria discográfica tem conseguido fazer avanços nas negociações com os ISPs mas se ambas as partes não conseguirem estabelecer acordos voluntários, o governo irá legislar nesta matéria, promete Triesman.

De modo a acalmar os ânimos, o ministro esclarece que o governo não está interessado em “caçar adolescentes de 14 anos que partilham música” mas sim em perseguir aqueles que fazem cópias em massa para fins lucrativos”, de acordo com a BBC.

Triesman acredita sinceramente que é possível fazer corresponder a informação de bases dados relativas ao registo de propriedade intelectual de música à informação dos títulos disponíveis e partilhados na Internet. Como se isso fosse realmente possível… Para além disso, qualquer tentativa neste sentido ira comprometer a privacidade dos cidadãos.

Como referiu um porta-voz da Associação de Fornecedores de Acesso à Internet (ISPA), “os ISPs não podem monitorizar ou registar o tipo de informação transmitida através da sua rede. Tal como os correios não podem abrir cada envelope postal também os ISPs não podem inspeccionar e filtrar cada pacote de dados que passa pela sua rede.”

Quem ficou bastante satisfeito com o anúncio da nova linha dura do governo foi a BPI, a associação da Indústria Fonográfica Britânica, como não poderia deixar de ser, claro: “Acolhemos de bom grado a posição reiterada pelo governo segundo a qual os ISPs devem colaborar connosco para enfrentar o problema da pirataria na Internet ou sujeitar-se a leis mais pesadas”, afirmou Geoff Taylor, director executivo da BPI.

Apesar da renitência dos ISPs britânicos, o que é facto é que noutras partes do mundo alguns operadores de acesso à Internet já começaram a cortar o mal pela país, atravez da adopção de medidas radicais de traffic shaping que reduzem a largura de banda disponível para os protocolos de P2P, como é o caso da Comcast nos EUA e da Netcabo em Portugal. Este tipo de técnicas é indiscriminada porque não leva em linha de conta os inúmeros usos legais da tecnologia de P2P, como a distribuição de software e música livre.

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1 TubarãoEsquilo 25 de Outubro de 2007 ás 14:11

Reino Unido poderá adoptar leis mais duras contra partilha de ficheiros http://tinyurl.com/33stcu

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